5 Julho 2022, Terça-feira
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Os destroços da pandemia

Por toda a Europa vai um grande afã para tentar minorar os efeitos sociais e económicos da pandemia do coronavírus. Ora, já aqui nestes comentários posemos em destaque o conflito existente entre suster os efeitos da covid19 sobre a saúde e o número de mortes, e os efeitos das medidas de contenção sobre a vida económica dos países – e dissemos duma maneira crua que se estava num dilema entre a vida saudável e a fome e a pobreza das camadas mais baixas da sociedade.

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E ao entrarmos num período de maior desconfinamento aliviando com razoável rapidez a paragem radical da indústria e do comércio, coloca-se a responsabilidade de evitar os destroços da pandemia, no comportamento dos cidadãos cansados da prisão domiciliária e do aumento progressivo das famílias sem quaisquer recursos para a sua sobrevivência. E em vários países sucedem-se manifestações pedindo a anulação das restrições.

Animados também por certos políticos que apenas pensam na produção de bens. Mas na realidade estamos assistindo a um verdadeiro tsunami que vai deixando pelo caminho uma paisagem de destroços. Bem se empenham os governantes em definir regras muito estreitas para tentar que a tal abertura faça o mínimo de estragos. E limita-se a entrada de pessoas nas lojas, exigem-se rigorosas e frequentes medidas de limpeza, torna-se obrigatório que se use máscaras seja nos transportes seja no interior das lojas. Um conjunto de exigências que são muito difíceis de por em execução. E mesmo com todas essas precauções todos vivemos na expectativa do comportamento do coronavírus.

Nunca tantos cientistas trabalharam em conjunto para conhecerem bem o agressor, para conseguirem medicamentos eficientes ou uma vacina que nos tornasse imunes – mas as opiniões são tantas como as incertezas sobre o “bicho” agressor. – estamos mesmo perante uma ameaça profunda ás nossas vidas e aos nossos costumes.. E abundam as opiniões que querem aproveitar esta sociedade destroçada e aproveitar esta oportunidade para tentar construir uma sociedade diferente, uma sociedade nova que corrija os defeitos já diagnosticados da sociedade em que temos vivído.

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Todos temos de adquirir novos hábitos de vida e todos temos de tirar deste período de restrições o que na realidade tem valor. A vida trepidante que era a característica do nosso modo de vida tem de ser substituída por períodos dedicados ao descanso e à convivência familiar. Todos temos de valorizar o contacto pele com pele no aperto de mão e no abraço que traduzem o afeto que temos para com o nosso próximo. Todos temos de dar o devido valor à beleza da natureza com os seus odores e com as policromias das flores e dos verdes. Todos temos de compreender o que vale a nossa vida evitando tudo o que a destrói e faz adoecer.Sabemos que esta preocupação do desconfinamento é orientada pela necessidade de produzir coisas para a sociedade de consumo que se traduz no lucro de quem investe o capital – e é altura de reconhecermos que consumimos em excesso e que deitamos fora bens que fazem falta noutros lugares onde predomina a miséria e a fome, e que com esses excessos produzimos detritos e resíduos que temos depois de tratar ou eliminar. E temos neste momento em que somos autorizados a tomar iniciativas, temos que pensar que a vida dos outros também depende dos nossos comportamentos e hábitos – o nosso egoísmo tem de ser substituído por uma preocupação solidária com os outros nossos irmãos.

Temos de aproveitar para construirmos sobre os destroços da sociedade velha uma sociedade nova, fraterna e preocupada com a natureza que está nos limites da habitabilidade pelos nossos exageros de exploração . Vamos renovar os nossos comportamentos.

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