Quem quer casar com a carochinha

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Maiorias relativas em Almada, Barreiro, Moita, Alcochete, Palmela e Seixal obrigam a entendimentos pós-eleitorais. CDU e PS vão ter de procurar novos modelos de geringonça na Península de Setúbal

MÁRIO RUI SOBRAL

A primeira parte da fábula “A carochinha e o João Ratão” pode servir para ilustrar o cenário deixado em aberto pelos resultados das últimas autárquicas em seis dos 13 municípios do Distrito de Setúbal. Aos vencedores caberá assumir o papel de carochinha; entre os vencidos haverá a necessidade de encontrar aquele que apresente melhor timbre e a mais adequada medida para vestir a jaqueta de João Ratão, tendo em vista uma espécie de matrimónio – uma gerigonça, tão em voga nos dias que correm.

As maiorias relativas registadas em Almada, Barreiro, Moita, Alcochete, Palmela e Seixal obrigam a entendimentos pós-eleitorais, o que equivale a dizer que em seis dos nove municípios que integram a Península de Setúbal existe alta probabilidade de virem a ser testados modelos de geringonça para assegurar a melhor estabilidade de governação.

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Em Almada, o PS, com Inês de Medeiros, “roubou” a Câmara à CDU – onde o PCP governou sempre –, mas a correlação de forças no executivo (4 eleitos para PS e CDU, 2 para o PSD e 1 para o BE) obrigará a um entendimento à direita. O PS precisa de dois vereadores para garantir maioria absoluta, condições só apresentadas pelos social-democratas.

No Barreiro, o PS, com Frederico Rosa, também retirou o poder à CDU, conseguindo quatro mandatos (os mesmos que a CDU). O PSD elegeu Bruno Vitorino, que já havia aceitado pelouros na gestão CDU e que se apresenta como única alternativa de estabilidade governativa para os socialistas (o PS só precisa de um mandato para o efeito).

Na Moita, Rui Garcia manteve o poder para a CDU, mas necessitará de se entender com um vereador da oposição (a CDU conseguiu 4 mandatos; o PS 3; o PSD e o BE 1 cada). A solução poderá, assim, passar tanto pela direita (entendimento com PSD que elegeu Luís Nascimento) ou mais à esquerda (entendimento com o BE, que elegeu Joaquim Raminhos), embora a segunda hipótese seja a mais provável.

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Em Alcochete, o PS, com Fernando Pinto, conquistou a Câmara à CDU (o PS alcançou três mandatos; a CDU passou de 5 para 2; e a coligação CDS/PSD, com Vasco Pinto, duplicou a votação, passando de 1 para dois eleitos). O entendimento à direita é um cenário mais do que provável, até porque há uma “afinidade identitária” entre a dupla Pinto&Pinto, sem esquecer que parte da base de apoio em torno do segundo tem um passado de ligação ao PS.

Em Palmela, Álvaro Amaro segurou a maioria para a CDU (4 mandatos da CDU, em contraponto com 3 do PS, 1 do PSD e 1 do MIM), mas precisa de estabelecer pontes com um vereador da oposição. O entendimento com Paulo Ribeiro (PSD) ou José Calado (MIM) será suficiente.

No Seixal, a CDU, com Joaquim Santos, alcançou 5 mandatos (o PS subiu de 3 para 4, e o PSD e o BE mantiveram 1 cada). Neste caso, a margem de manobra da CDU (que apenas precisa de entendimento com um eleito da oposição) é bastante ampla. PS, PSD e BE, recorde-se, receberam da CDU pelouros (um por partido) no actual executivo.

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Em MARÉ ALTA

INÊS DE MEDEIROS

ines de medeiros - Quem quer casar com a carochinha

Deu ao PS um tão surpreendente quanto inédito triunfo em Almada. Das 10 autarquias que o PCP perdeu, esta terá sido a mais sentida pelos comunistas, que geriam o município desde o 25 de Abril.


FERNANDO PINTO

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Conquistou Alcochete para o PS, partido que quatro anos antes havia registado o seu pior resultado de sempre naquele concelho. A vitória girou mais em torno da figura do candidato do que do próprio partido.


FREDERICO ROSA

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Outra das surpresas eleitorais de domingo. Conseguiu acrescentar mais de quatro mil votos aos 8.877 que o PS tinha registado em 2013, garantindo a vitória do partido por margem maior do que em 2001, no Barreiro.


DORES MEIRA

dores meira 1 - Quem quer casar com a carochinha

Voltou a dar uma vitória folgada à CDU em Setúbal, reforçando a maioria absoluta. Contou mais de 5.600 votos em relação a 2013, o que permitiu à coligação passar de seis para sete eleitos no executivo composto por 11.


NUNO CANTA

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Respondeu à maioria relativa que alcançou em 2013 com uma maioria absoluta que dizimou a oposição do PS no Montijo. Teve uma das melhores votações de sempre do partido no concelho.


FIGUEIRA MENDES

figueira mendes - Quem quer casar com a carochinha

Cresceu 469 votos em relação aos 2.806 com que havia vencido as eleições em Grândola para a CDU em 2013. Foi o suficiente para passar de uma maioria relativa para uma maioria absoluta.


FRANCISCO JESUS

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Apesar da subida socialista, foi capaz de manter e até reforçar a maioria absoluta da CDU em Sesimbra. Conseguiu somar mais de 1.400 votos aos 6.536 registados pela coligação em 2013.


NUNO MASCARENHAS

nuno mascarenhas 1 - Quem quer casar com a carochinha

Reforçou a maioria absoluta que havia dado ao PS em Sines, nas anteriores eleições. Conseguiu aumentar de quatro para cinco o número de mandatos atribuídos.


ÁLVARO BEIJINHA

alvaro beijinha 1 - Quem quer casar com a carochinha

Voltou a alcançar maioria absoluta para a CDU em Santiago do Cacém. Aumentou a votação que havia registado há quatro anos em pouco mais de 160 votos.


VÍTOR PROENÇA

vitor proença 1 - Quem quer casar com a carochinha

Baixou 668 votos em relação aos números que lhe deram a vitória há quatro anos, em Alcácer do Sal. Ainda assim, conseguiu segurar a maioria absoluta para a CDU, mantendo os quatro mandatos.


COMENTÁRIO

FRANCISCO RITO Director do DIÁRIO DA REGIÃO

francisco alves rito - Quem quer casar com a carochinha

Coisas do diabo

Se Passos Coelho não estivesse tão combalido acharia piada à península de Setúbal a precisar de uma criação de geringonçazinhas

Se Passos Coelho não estivesse tão combalido da tareia que levou nas Autárquicas devia achar piada ao facto de, na península de Setúbal, o PCP, que criou a geringonça para lhe retirar o poder, estar agora na irónica condição de precisar de uma ninhada dessa criatura para governar vários municípios na região.

Na Moita, Seixal e Palmela é a CDU que tem que chegar a entendimento com vereadores da oposição e no Barreiro, Almada e Alcochete é o PS que está nessa situação. Ao todo são seis autarquias com maioria relativa, num total de nove.

Caricato é também verificar que o PSD fica no distrito com o papel, que o BE ambicionava, de fiel da balança. Catarina Martins gritava contra as maiorias absolutas, confiante que o Bloco ganhava votos e poder com isso. Aqui enganou-se. Não apenas não cresceu eleitoralmente como em boa parte dos casos em que a maioria relativa procura parceiro, é o PSD quem está melhor colocado (caso de Almada) ou até a única solução (Barreiro).

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