Francisco Saavedra matou Raquel Lourenço a 16 de junho de 2024 quando esta seguia para casa depois do trabalho
O Ministério Público pediu a aplicação de 25 anos de prisão, a pena máxima, a Francisco Saavedra, 41 anos, pelo homicídio qualificado de Raquel Lourenço, a 16 de junho de 2024 quando esta ia para casa depois do trabalho num carro da mesma marca do rival, o verdadeiro alvo do atirador. A defesa do arguido pediu a absolvição por não se fazer prova que sequer foi ele que disparou.
No Tribunal de Setúbal, a Procuradora do MP, Fernanda Matias, considerou que o crime foi “cometido em circunstâncias chocantes e com uma energia criminosa sem grande paralelo. Não há dúvidas que os disparos foram feitos através da janela do arguido, que este abandonou o país para se evadir à justiça e que ele queria atingir um rival, que conduzia um carro idêntico ao da vítima”, acrescentou.
Por seu lado, Fábio Palhas, advogado do arguido considerou que não se fez prova que foi o arguido o autor dos disparos e num ponto advogado e MP concordam. “A vítima estava no local errado à hora errada, mas não há prova que tenha sido o arguido o autor dos disparos”, disse o advogado. “Toda a prova é indiciária e a PJ pegou na convicção que tinha para a verter para o processo”. Isto no sentido em que, de acordo com Fábio Palhas, os disparos podem ter sido disparados por um homem alto na via pública e não na janela do arguido, de onde não havia evidências que tivesse sequer lá.
Sobre a fuga, o advogado considera que o arguido sabia que perante o ocorrido e porque este esteve na prisão quatro dias antes do crime podia ser ele visto como o autor dos disparos. “Seria exigível ele agir de outra forma perante a ameaça de uma medida de coação de prisão preventiva?”
Na noite do crime, a 16 de junho de 2024, perto das 23 horas, Raquel Lourenço circulava na Rua Padre José Nunes da Silva, perto de uma farmácia junto ao Bairro da Bela Vista, quando foi atingida na cabeça por um tiro que entrou pelo vidro traseiro. Teve morte instantânea. O homem que seguia no lugar do pendura foi atingido num braço e sobreviveu.
O Ministério Público acusa o arguido de ter permanecido na janela da sua casa à espera que o rival passasse numa viatura VW Passat cinzenta e que assim que viu uma viatura com essas características, disparou quatro vezes. Cometido o crime, de acordo com o MP, suportado na investigação da PJ de Setúbal, Francisco fugiu do país e utilizou o documento de identificação do seu irmão para passar despercebido. Foi localizado e detido em Pontevedra pela PJ e ficou em prisão preventiva. O arguido disse em tribunal que saiu de Setúbal nessa tarde. “Fui para Lisboa com o meu irmão levar a minha filha mais velha para casa do companheiro. Fui avisado que me queriam fazer mal e pedi aos meus familiares para protegerem a minha mulher e outras duas filhas, já que tinham disparado contra a minha casa um dia antes e não queria que lhes acontecesse nada de mal”.
O arguido foi localizado e detido em Pontevedra pela PJ e tinha na posse o documento de identificação do irmão gémeo. Ficou em prisão preventiva e responde agora por homicídio qualificado, tentativa de homicídio, detenção de arma proibida e uso de documento de identificação alheio.