Nuno Valente diz que alegações não têm fundamento e garante que o sufrágio decorreu dentro da normalidade, sob supervisão de Felicidade Vital, da Mesa Nacional
As eleições para a estrutura distrital de Setúbal do partido Chega ainda mexem. Um grupo de militantes pediu a impugnação do sufrágio, que decorreu no Barreiro no passado dia 28 e ditou o triunfo de Nuno Valente sobre Nuno Gabriel para a presidência da comissão política.
Alegam que a mesa eleitoral “deveria ser totalmente neutra”, mas que “acabou por integrar candidatos diretamente interessados no resultado, o que levanta dúvidas sérias sobre a igualdade entre candidaturas e sobre a confiança dos militantes no processo”.
Entre as principais reclamações está o facto de Nuno Valente, que encabeçou a Lista A à Comissão Política Distrital, “ter presidido aos trabalhos da mesa eleitoral, apesar de ser também candidato, e de ter pedido previamente escusa das funções de presidente da Mesa Distrital”. Além disso, adiantam, “o secretário da mesa eleitoral nomeado para esse acto era também candidato da Lista A a vice-presidente do Conselho de Jurisdição Distrital”.
De acordo com os reclamantes, esta situação “cria uma evidente confusão entre quem estava a concorrer às eleições e quem devia garantir a imparcialidade, transparência e regularidade do acto eleitoral”.
Na solicitação da impugnação apresentada sublinham ainda “a eventual utilização, por parte da Lista A, de serviços externos de envio massivo de mensagens durante a campanha eleitoral”. “Caso se confirme que foram usados dados dos militantes através de empresas externas, tal poderá levantar questões relacionadas com a proteção de dados pessoais e com o cumprimento do RGPD”, apontam, ao mesmo tempo que concluem que as eleições ficaram marcadas “por irregularidades que colocam em causa a neutralidade e a credibilidade do acto”.
“Por esse motivo, foi pedida a invalidação ou anulação das eleições distritais, bem como a repetição do acto eleitoral em condições que garantam uma mesa de voto verdadeiramente imparcial e sem candidatos de qualquer lista”, indicam.
Nuno Valente rebate alegações
Em declarações a O SETUBALENSE, Nuno Valente diz que o pedido de impugnação não tem qualquer fundamento e garante que as eleições “decorreram dentro da normalidade”.
“Foi solicitado um parecer à Mesa Nacional sobre a condução dos trabalhos, tendo esta validado que a mesa eleita [presidida por Nuno Valente] deveria liderar os trabalhos. Ainda assim, a Mesa Distrital de Setúbal solicitou a presença de um representante da Mesa Nacional no acto eleitoral, tendo estado presente a deputada Felicidade Vital. Estive presente durante todo o acto como escrutinador, tal como o suplente, Diogo Godinho, que substituiu o secretário, que se encontrava no estrangeiro. A mesa [de voto] foi sempre presidida pela Mesa Nacional (a deputada Felicidade Vital) e pelo vice-presidente da Mesa Distrital (Luís Lacerda)”, explica Nuno Valente.
O candidato que acabou por arrebatar a presidência da Comissão Política Distrital a Nuno Gabriel adianta ainda que “a Lista B esteve sempre representada por dois delegados, que assinaram a acta no final, sem apresentar quaisquer reclamações”. “O acto decorreu sem incidentes e com a maior normalidade, pelo que qualquer tentativa de impugnação não tem fundamento algum, além do ‘mau perder’”, atira, ao mesmo tempo que critica a atuação do grupo que apresentou o pedido de impugnação. “É lamentável que um processo interno tenha sido levado à Comunicação Social apenas para manchar uma eleição que decorreu com o maior civismo e tranquilidade”, conclui.