Primeiro dia da Campanha de Vacinação Sazonal de Inverno 2026 não correu da melhor forma, alerta a entidade
A Associação Sindical Portuguesa dos Enfermeiros (ASPE) denuncia constrangimentos no primeiro dia da Campanha de Vacinação Sazonal de Inverno 2026, devido à indisponibilidade da plataforma utilizada para o registo das vacinas administradas.
Segundo a associação, “inoperacionalidade do sistema está a impedir o normal registo da vacinação e a obrigar os enfermeiros dos Cuidados de Saúde Primários a recorrer a procedimentos alternativos,
aumentando a carga de trabalho e perturbando a organização das atividades programadas
para o arranque da campanha.
A ASPE considera a situação preocupante tendo em conta o papel dos enfermeiros na operacionalização da vacinação. Além da administração das vacinas, estes profissionais asseguram o acolhimento e avaliação dos utentes, os procedimentos de segurança, o registo e a monitorização do processo vacinal.
A associação refere ainda que, por se tratar de uma plataforma utilizada a nível nacional, também as farmácias estão a registar constrangimentos na administração das vacinas à população.
“A indisponibilidade de uma ferramenta informática essencial provoca duplicação de
procedimentos, perda de tempo assistencial e aumenta o risco de erros ou omissões nos
registos, desviando os enfermeiros da sua principal responsabilidade: prestar cuidados
seguros e de qualidade à população”, refere a associação em informação enviada a O SETUBALENSE.
Perante os constrangimentos registados, a associação pede que as entidades competentes esclareçam as causas da indisponibilidade da plataforma e adotem, com urgência, as medidas necessárias para garantir o seu normal funcionamento durante os próximos dias da campanha.
“Os enfermeiros estão, mais uma vez, na linha da frente da campanha de vacinação. Não é aceitável que tenham de compensar, com mais trabalho e maior pressão, falhas das ferramentas que deveriam permitir-lhes desempenhar as suas funções com segurança e eficiência”, alerta a ASPE.
Defende a ASPE que a definição de procedimentos de contingência claros, uniformes e previamente comunicados aos profissionais para situações de indisponibilidade dos sistemas informáticos, de forma a evitar improvisações locais e assegurar a continuidade da vacinação.
“A vacinação é um ato de Enfermagem, mas a qualidade e a segurança do processo vacinal dependem também das condições organizacionais e tecnológicas disponibilizadas aos profissionais. Os enfermeiros não podem ser prejudicados no plano de contingência das falhas do sistema”, sublinham.
A ASPE afirma que continuará a acompanhar o funcionamento da Campanha de Vacinação Sazonal de Inverno 2026 e os constrangimentos reportados pelos enfermeiros, defendendo que os problemas tecnológicos ou organizacionais sejam rapidamente resolvidos sem penalizar os profissionais nem comprometer a qualidade dos cuidados prestados à população.