Ângela Lemos: “Vamos continuar a trabalhar na adequação da oferta formativa e na capacidade de atração da UNIPS”

Ângela Lemos: “Vamos continuar a trabalhar na adequação da oferta formativa e na capacidade de atração da UNIPS”

Ângela Lemos: “Vamos continuar a trabalhar na adequação da oferta formativa e na capacidade de atração da UNIPS”

A reitora da Universidade Politécnica de Setúbal diz que “78% dos candidatos” escolheram esta instituição “em primeira opção”

Na 1.ª fase do Concurso Nacional de Acesso foram colocados na UNIPS 965 novos estudantes, o que representa um aumento do número de colocados face 2025. Para Ângela Lemos, isto demonstra “confiança” na instituição, reconhecimento da sua oferta formativa e “valorização de um modelo de ensino muito próximo da prática, dos laboratórios, das empresas e da realidade da região”.

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Em entrevista a O SETUBALENSE, diz ainda que houve recuperação nacional da procura do Ensino Superior, sendo que o ensino politécnico registou um crescimento particularmente expressivo do número de colocados, o que também se deve à “maior flexibilidade introduzida nas provas de ingresso”.

A reitora aponta que o IPS, ao ser agora Universidade Politécnica, “reforça a responsabilidade enquanto instituição pública de Ensino Superior e traduz uma ambição acrescida na formação avançada, na investigação, na inovação e na ligação à região e ao País”.

Na 1.ª fase do Concurso Nacional de Acesso (CNA), 965 estudantes escolheram a Universidade Politécnica de Setúbal (UNIPS) para estudar no ano letivo 2026-2027, o que representa uma taxa de ocupação global de 77,4%, mais 18,6% face a 2025. Que leitura faz deste aumento?

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A análise destes resultados é muito positiva, não apenas pelo crescimento do número de colocados, mas sobretudo pelo que representam sobre a capacidade de atração da Universidade Politécnica de Setúbal. Temos 965 novos estudantes colocados na 1.ª fase e, particularmente significativo, 78% dos candidatos da UNIPS escolheram-na em primeira opção. Isso demonstra confiança na instituição, reconhecimento da nossa oferta formativa e valorização de um modelo de ensino muito próximo da prática, dos laboratórios, das empresas e da realidade da região.

É também importante enquadrar estes resultados numa recuperação nacional da procura do Ensino Superior. Em 2026 houve 60.513 candidatos válidos, mais 24,2% do que em 2025, e o ensino politécnico registou um crescimento particularmente expressivo do número de colocados. A maior flexibilidade introduzida nas provas de ingresso terá igualmente contribuído para esta evolução.

Este é um resultado muito positivo, mas que assumimos como uma responsabilidade acrescida: cada novo estudante que escolhe a UNIPS exige de toda a comunidade a capacidade de corresponder às suas expectativas e de lhe proporcionar uma formação de elevada qualidade, boas condições de integração e um investimento na promoção do sucesso académico.

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No ano letivo 2025-2026 o IPS colocou 716 estudantes na 1.ª fase do CNA, com uma taxa de ocupação próxima dos 60%, quebrando um ciclo de crescimento que se mantinha desde 2018. Considera que esse decréscimo está ultrapassado?

Os resultados de 2026 mostram claramente uma forte recuperação relativamente a 2025. Passámos de cerca de 716 colocados para 965, ou seja, recebemos cerca de 250 estudantes colocados a mais na primeira fase. Os dados oficiais situam a taxa de ocupação em 77,4%, contra 58,8% em 2025.

Mas seria prematuro concluir, com base num único ano, que todas as dificuldades estão definitivamente ultrapassadas. Importa não esquecer que 2025 foi um ano particularmente atípico no conjunto do sistema, marcado por uma redução acentuada do número de candidatos, enquanto 2026 apresenta uma recuperação muito significativa. Segundo dados do Ministério da Educação, Inovação e Ciência o maior valor desde 1996, exceto no período da pandemia.

Há ainda um fator relevante: em 2026 foi retomada uma maior flexibilidade nas provas de ingresso, permitindo às instituições acrescentar elencos alternativos constituídos por uma única prova. Esta alteração respondeu, aliás, a uma posição defendida pelo Conselho Coordenador Institutos Superiores Politécnicos relativamente ao modelo adotado em 2025.

Assim, é possível afirmar que os sinais são muito positivos e mostram uma recuperação robusta, mas queremos consolidá-la nos próximos anos, continuando a trabalhar na adequação da oferta formativa, na qualidade do ensino e na capacidade de atração da UNIPS.

Para a 2.ª fase do CNA a UNIPS apresenta 281 vagas disponíveis, menos 219 que em 2025. Porquê esta diferença?

A explicação é essencialmente positiva: temos menos vagas disponíveis na 2.ª fase porque conseguimos preencher muitas mais vagas na 1.ª fase. Das 1.246 vagas colocadas a concurso, 965 foram já ocupadas, restando 281 para a 2.ª fase. Além disso, em 17 dos 30 cursos de licenciatura a concurso a ocupação ficou entre 95% e 100% ou acima desse valor.

Não é, aliás, um fenómeno exclusivo da UNIPS. A nível nacional ficaram disponíveis 6.639 vagas para a segunda fase, menos 42,3% do que em 2025, precisamente em resultado do aumento da procura e do número de colocações na primeira fase.

Que áreas disciplinares registaram maior procura, e que sinais isso dá à UNIPS sobre a dinâmica e tendências do mercado de trabalho?

Na UNIPS encontramos uma procura particularmente elevada em áreas muito distintas, o que é um dado interessante. A Saúde apresenta praticamente uma ocupação total, com Enfermagem e Fisioterapia a 100% e Terapia da Fala acima dos 100%. Na Educação, temos também resultados muito fortes: Animação Sociocultural, Comunicação Social, Desporto e Educação Básica preencheram a totalidade das vagas, e Educação Básica pós-laboral chegou aos 95%. Na área das Ciências Empresariais, destacam-se igualmente Gestão de Recursos Humanos, Contabilidade e Finanças, Gestão da Distribuição e da Logística e Marketing, todos com ocupações próximas ou superiores a 100%. E temos sinais muito positivos nas áreas científico-tecnológicas, nomeadamente Engenharia Informática, com 100%, Tecnologia Biomédica, com 96,1%, e Bioinformática e Biotecnologia, ambas com 100% das vagas preenchidas.

Estes resultados são consistentes com algumas tendências nacionais: Saúde e Proteção Social apresenta 96% de ocupação, Educação 95% e as áreas Sociais, Comércio e Direito 95%.

Teríamos, contudo, algum cuidado em estabelecer uma relação automática entre procura dos estudantes e procura do mercado de trabalho. São indicadores diferentes. O que estes resultados nos dizem é que há áreas que estão a demonstrar uma capacidade muito forte de atração e outras onde temos de continuar a refletir sobre a adequação e valorização da oferta. Para a UNIPS, isso significa acompanhar permanentemente a evolução das qualificações, dialogar com empresas, instituições e parceiros da região e ajustar a oferta formativa às transformações económicas, sociais e tecnológicas.

O Instituto Politécnico de Setúbal passou, agora, a Universidade Politécnica de Setúbal. Que significado e implicações tem esta alteração?

Esta mudança vai muito além de uma alteração de nome. Representa um marco na evolução da nossa instituição e, simultaneamente, na própria evolução do Ensino Superior Politécnico português. Ser Universidade Politécnica reforça a nossa responsabilidade enquanto instituição pública de Ensino Superior e traduz uma ambição acrescida na formação avançada, na investigação, na inovação e na ligação à região e ao País.

Para Setúbal e para a região, queremos que esta evolução se traduza numa Universidade ainda mais capaz de formar, investigar, inovar, atrair talento e trabalhar em conjunto com empresas, autarquias, instituições sociais, culturais e de saúde. É também uma oportunidade para aprofundar a oferta formativa em todos os níveis, desde os Cursos Técnicos Superiores Profissionais aos Doutoramentos, reforçar a investigação e inovação e desenvolver novas parcerias.

Ao mesmo tempo, há algo que não muda: a identidade politécnica da instituição, assente na proximidade, numa forte componente prática e laboratorial e numa relação muito estreita com o território e com as organizações que nele operam.

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