Litoral Alentejano é agora reconhecido como o destino nacional preferido dos portugueses para férias. Vice-presidente do município fala sobre estudo do IPAM
O mais recente estudo do Instituto Português de Administração de Marketing (IPAM) do Porto indica que o Litoral Alentejano é o destino nacional preferido dos portugueses para as férias de Verão deste ano, ultrapassando o Algarve que vinha liderando o inquérito.
Para o vice-presidente da Câmara Municipal de Odemira, Ricardo Guerreiro, este é o reconhecimento de um trabalho que tem sido desenvolvido ao longo dos últimos anos. Explica o autarca que o município tem capacidade para receber mais turistas.
Assegura ainda que todos os meios estão a funcionar para que o socorro não falhe com o aumento de visitantes.
O eleito deixa ainda uma mensagem para aqueles que ainda não conhecem o território, desejando que possam visitar o concelho de Odemira.
O mais recente estudo do IPAM coloca o Alentejo Litoral como destino de férias preferido dos portugueses. Que significado tem este resultado para o concelho de Odemira?
Acima de tudo acho que é um significado de maior responsabilidade. Há muitos anos que começámos este processo de qualificação do território, de trabalhar em rede com os nossos empresários, e realmente fomos um pouco surpreendidos por este resultado. Não porque não reconhecemos a grande valia e qualidade do nosso produto, mas porque o Algarve liderava esse ranking há muitos anos.
Acho que, acima de tudo isso, o fruto da responsabilidade do trabalho de envolvimento das entidades públicas, mas muito em particular dos nossos empresários. Se voltarmos há 12 anos, para falar em particular do concelho de Outemira, nós tínhamos seis águas balneares e quatro bandeiras azuis. Passados estes anos temos 12 águas balneares, 11 bandeiras azuis, quatro bandeiras acessíveis e somos reconhecidos pela qualidade das nossas praias, tanto pela Quercus como pela Zero.
Isso, obviamente, dá-nos responsabilidade, mas essa responsabilidade assumimos desde o início, quando começámos a afirmar que tínhamos as melhores praias de Portugal.
Até que ponto é que o município está preparado para receber um eventual aumento do número de visitantes neste verão. O município está preparado para isso?
Sim, com certeza, estamos preparados para isso. As praias têm a sua lotação, obviamente que a oferta turística também é limitada, no sentido em que há um número de camas turísticas disponíveis, mas esse número tem, como disse, vindo a aumentar nos últimos anos.
Neste momento temos mais de 80 empreendimentos turísticos, mais de 800 alojamentos locais, temos mais de 60 empresas de animação turística e operadores maritimoturísticos, mais de 200 restaurantes no território, portanto, isso demonstra realmente que há uma oferta consistente, em termos qualitativos, mas também uma oferta cada vez mais preparada e mais qualificada.
Na verdade também a qualidade daquilo que se faz por aqui tem aumentado e é cada vez mais reconhecido, não só localmente por quem nos visita, mas também em muitos guias do setor.
Este estudo vem também aumentar a responsabilidade do município. Que medidas podem ser implementadas para garantir que este aumento do turismo não comprometa a qualidade de vida dos residentes?
É evidente que isso é uma discussão cada vez maior em muitos dos destinos. Acho que maioritariamente em grandes metrópoles, digamos assim. É conhecido no mundo inteiro o caso, por exemplo, de Barcelona – em Lisboa também se já se discute isso – acho que aqui estamos bem longe desse panorama, mas obviamente que isso também nos preocupa: que a vinda de pessoas para o território não tire qualidade daquelas que cá vivem.
É por isso que nós queremos cada vez mais ter uma oferta diferenciada em termos de produtos. Historicamente sempre nos suportámos mais no sol e mar, digamos que uma atração muito concentrada, mas fomos à procura de produtos diferenciados e fizemos isso muito bem em parceria no turismo de natureza, com a Rota Vicentina, com os caminhos pedestres, com os caminhos cicláveis, queremos fazer isso agora com a observação de aves e portanto essa diferenciação foi muito importante.
O turismo náutico também melhorou bastante e estamos a investir também nesse setor, não só em termos de infraestrutura, mas também em termos de criar e qualificar os nossos operadores. Exemplo disso é a criação da Estação Náutica, que tem sido uma rede muito dinâmica e capaz de responsabilizar também, corresponsabilizar obviamente todos os atores.
A segurança e o socorro nas praias estão reforçados ou estão à altura para responder a este esperado aumento de turistas?
Sim, obviamente temos isso preparado, coordenado com todas as entidades. Aliás temos muito em particular na preparação da época balnear no antes e o após sempre reuniões, portanto uma reunião de preparação e depois uma reunião de balanço com todas as entidades, com a ICNF [Instituto da Conservação e da Natureza], com a APA [Agência Portuguesa do Ambiente], com a Capitania do Porto de Sines, com os nadadores salvadores, com os bombeiros voluntários, as juntas de freguesia, os operadores de praia e fazemos isso há longos anos e é essa evolução que permite também abordar esta época com clara responsabilidade, mas também com tranquilidade inerente porque fazemos o trabalho de casa. Essa responsabilidade é do município de Odmira, mas é também dos restantes municípios do Litoral Alentejano.
Temos vindo a falar com a CIMAL [Comunidade Intermunicipal do Alentejo Litoral] no sentido de esta também concretizar o quadro de transferência de competências que veio da Lei 50, designadamente o Decreto-Lei 99 de 2018 e sentimos que isto também responsabiliza todos.
Até agora a comunidade não teve, digamos, a vontade de aceitar estas competências, mas acho que agora faz todo o sentido que isso aconteça. Iremos fazer com que isso possa vir a acontecer porque isto nos responsabiliza de facto a todos.
Que mensagem é que gostaria de deixar aos portugueses que estão a pensar a escolher Odemira como destino de férias neste verão?
O que costumo dizer sempre é que, quem conhece, já não preciso fazer apelo nenhum, porque obviamente testemunha aquilo que é a qualidade do nosso território, quem não conhece, quero que possa vir a conhecer porque realmente este é um território fantástico, muito grande, marcado por grandes planos de água, não só a costa – os tais 55 quilómetros de costa -, mas também o rio navegável em 30 quilómetros, o maior plano de água antes da Alqueva, que é a albufeira de Santa Clara, quase 50% do território preservado – seja por Parque Natural do Sudeste Alentejano e Costa Vicentina, seja pela Rede Natura -, e, obviamente, que quem vier, virá a encontrar uma oferta fantástica, também complementada pela qualidade dos nossos produtos.
Acima de tudo queria agradecer aos nossos empresários, aqueles que todos os dias fazem com que este destino seja de facto um destino distintivo e cada vez mais qualificado, e mais capaz de poder atrair gente para o território.