Fernando Duarte: “A atividade está a atravessar uma crise, porque está difícil vender o mel”

Fernando Duarte: “A atividade está a atravessar uma crise, porque está difícil vender o mel”

Fernando Duarte: “A atividade está a atravessar uma crise, porque está difícil vender o mel”

Presidente da Associação de Apicultores do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina diz que na região é produzido mel de muita qualidade

Fernando Duarte, presidente da Associação de Apicultores do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, diz que o mel produzido na região é de grande qualidade. Considera que cada vez menos os produtores têm ‘vergonha’ em expor as suas produções.

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Explica o responsável que, apesar da produção estar a ser afetada pelas alterações climáticas, as exportações estão a ser muito afetadas, e cada vez se vende menos mal.

Ao contrário de todos os outros produtos, refere, o mel tem diminuído cada vez mais os preços para chegar ao encontro dos compradores.

O responsável falava durante a 25.ª edição do Concurso Regional de Mel, que decorreu na manhã deste sábado na 34.ª edição da FACECO – Feira das Actividades Culturais e Económicas.

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Há um número maior de produtores presentes no certame em comparação com os dois anos anteriores. A que se deve essa situação?

Existe um mel, a quantidade não é muito grande, mas existe um mel de grande qualidade. E demonstra também que os apicultores têm gostado do nosso concurso.

O objetivo do concurso é incentivar a melhoria da qualidade. E, ao contrário de alguns anos atrás, que alguns apicultores quase tinham vergonha de mostrar o seu mel – porque tinham alguns defeitos – ao longo dos anos esses defeitos foram sendo eliminados e os apicultores hoje têm orgulho de mostrar o seu mel.

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E acha que este concurso vai ajudar a alavancar essa situação?

Ao longo destes anos todos tem sido esse o nosso objetivo do concurso. Ou seja, ir colocando pequenos defeitos no mel, defeitos que não têm a ver com a qualidade, mas têm a ver com a aparência do mel, com a forma de o apresentar. E as pessoas têm vindo a melhorar essa qualidade aparente e têm hoje equipamentos muito melhores. E têm orgulho do mel que têm porque é um mel de alta qualidade.

Como é que foi o ano, em nível de produção?

Este ano tivemos esse problema no início do ano – choveu demais. E depois tivemos o problema, logo a seguir, choveu a menos.

Dependemos das plantas, as colmeias tinham abelhas suficientes, estavam bastante fortes, mas depois as plantas não tiveram a irrigação necessária e secaram-se precocemente. Não foi um ano de grande quantidade de mel devido a isso, porque as plantas secaram antes de tempo. Não deu tempo para as abelhas recolherem o mel que deviam ter recolhido.

Como é que está a situação atual? Há mais, menos ou manteve-se o nível de produtores? O número de produtores tem-se mantido. No entanto, a atividade está a atravessar uma crise, porque está difícil vender o mel. E, ao contrário de tudo o resto que a inflação tem feito subir os preços de tudo, o mel baixou o preço. Mel, a granel, nos últimos três ou quatro anos, o preço manteve-se ou baixou, e está difícil vender o mel.

O mercado internacional está mais fechado porque existem grandes importações de uma coisa que chamam mel, que vem a preços reduzidos. Inclusive na União Europeia saiu um estudo promovido pela Comissão Europeia que mostra que 40% do mel que existe no mercado, especialmente das marcas brancas, é falsificado a partir de xaropes de milho e de arroz.

O escoamento deste produto vai para onde?

Há uns anos atrás ia a maioria para o mercado externo, neste momento uma grande percentagem já fica no mercado interno. Não há tanta procura internacional como havia dos países do centro da Europa. Muita gente já começou a confiar em marcas brancas, que noutros produtos poderá ser válido, mas no mel não é. Normalmente não é, com algumas exceções, já existem algumas marcas brancas a embalar mel nacional e com qualidade razoável, mas a generalidade são coisas que não têm nada a ver com mel.

E são misturas de meios de vários países, da América Central e do Sul, e da Ásia, da Índia e da China.

A autarquia lançou a marca D’Odemira para promover os produtos locais, entre os quais o mel e o medronho. Acha importante?

É importantíssimo. Houve uma determinada altura que houve denominações de origem protegidas, que no caso do mel não tiveram viabilidade.

No entanto, uma marca de localização promovida por um município, que identifica que o mel vem daquele concelho, é importantíssimo para valorizar um pouco mais, dar mais valia ao preço do mel, que está a atravessar uma crise neste momento de preço.

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