Timoneiro julgado por naufrágio com quatro mortes ao largo de Tróia em silêncio no julgamento

Timoneiro julgado por naufrágio com quatro mortes ao largo de Tróia em silêncio no julgamento

Timoneiro julgado por naufrágio com quatro mortes ao largo de Tróia em silêncio no julgamento

Naufrágio aconteceu perto das sete horas da manhã de domingo, 7 de abril de 2024

Manuel Coelho, 64 anos, de Alcácer do Sal, está a ser julgado esta terça feira no Tribunal de Setúbal por quatro crimes de homicídio negligente na sequência do naufrágio da embarcação que pilotava ao largo de Tróia em abril de 2024, numa zona que o Ministério Público (MP) considera que o arguido sabia não ser segura pela ondulação superior a 3 metros, mas decidiu ir na mesma “pela ânsia de arrecadar contrapartida financeira”, 150 euros.

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No início do julgamento, o timoneiro da embarcação “Lingrinhas” optou por não falar aos juízes, podendo fazê-lo ao longo do julgamento.

Ao MP e durante a investigação, o arguido disse que no dia do naufrágio, consultou o estado do tempo e que era favorável, razão pela qual saiu com o grupo. Já na zona da “Restinga”, apercebeu-se que o mar estava a engrossar e decidiu voltar para trás, quando se deu o naufrágio. O MP, no despacho de acusação, refuta o que é dito pelo arguido, afirmando que as condições do mar impediu que qualquer embarcação marítimo turística de Setúbal saísse para o mar nesse dia.

Ricardo e Francisco Neves, pai e filho, com 45 e 11 anos, e dois irmãos, Gabriel e José Caeiro, com 23 e 21 anos, primos de Ricardo, todos de Grândola morreram afogados e os corpos foram recuperados ao longo de dias e semanas. Tinham pago, cada adulto, 50 euros para pescar chocos.

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O MP considera que “enquanto timoneiro experiente e conhecedor daquela zona, ao conduzir a embarcação para o mar naquelas condições de tempo e de estado do mar, infringiu os mais elementares deveres de diligência e cautela que lhe eram exigidos”. Mais, o MP afirma que “ao levar consigo uma criança de 11 anos, com reduzidas hipóteses de sobrevivência em caso de naufrágio, agiu de forma imprudente, desajustada e particularmente leviana”.

O naufrágio aconteceu perto das sete horas da manhã de domingo, 7 de abril de 2024.  As vítimas tinham pago 50 euros cada adulto a Manuel Coelho, para os levar à pesca no Rio Sado, nomeadamente ao choco, que há em abundância ao largo de Tróia. Apenas Francisco levou colete salva vidas na embarcação “Lingrinhas”.
De acordo com a acusação do MP, o grupo encontrou-se na Marina de Tróia, onde estava ancorada a

“Lingrinhas” para um dia de pesca. Foi o arguido que sugeriu ir para a zona onde se deu o naufrágio, um pesqueiro bastante perigoso ao largo de Tróia onde nessa altura a ondulação estava entre os 3 e 4 metros. Às 7h30, depois de seguir para zona chamada Cambalhão, a norte da chamada Restinga, ao largo de Tróia, a embarcação naufragou, numa altura em que o timoneiro tentou inverter a marcha e voltar para a marina. Foi atingido por uma onda de 3,5 metros. Ricardo Neves, Gabriel e José Caeiro foram projetados e acabaram por falecer.

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Manuel Coelho ficou por debaixo da embarcação com Francisco Neves, o jovem de 13 anos, ainda com o colete salva vidas. Acabou por empurrá-lo para fora, julgando que os outros ocupantes estavam a salvo e que recolhiam a criança, mas quando este saiu da embarcação naufragada e agarrou-se a balsas da embarcação já não conseguiu ver ninguém e foi resgatado apenas 3 horas depois por uma embarcação de pesca.

O jovem Francisco e um dos irmãos, Gabriel Caeiro, foram encontrados sem vida no dia do naufrágio. José Caeiro foi encontrado no dia 18 e Ricardo no dia 19.

O arguido possuía carta de navegador desde 2020 e de acordo com o MP, pelo menos desde início de 2024 que ia uma vez por semana ao mar para a pesca na embarcação “Lingrinhas”, que possuía há um ano. Cobrava sempre entre 25 a 50 euros por cada pessoa que levava à pesca, mas de acordo com o próprio, em declarações ao MP na fase de investigação, o dinheiro era para ajudar nos custos do combustível.

Em tribunal, Pedro Carapinha, testemunha, contou que conhecia Manuel e que foi à pesca na “Lingrinhas” um dia antes. Disse que tinha já ido à pesca algumas vezes e que o que pagava era para ajudar no combustível, entre 25 e 40 euros. Márcio Monteiro, empresário de marítimo turística disse que “nas circunstâncias em que o mar se encontrava naquela manhã, qualquer embarcação que fosse para a zona onde ocorreu o naufrágio corria perigo”.

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