Responsável pelo Banco Português de Fomento fala ainda que próximo ciclo não será financiado com um “instrumento isolado”
A diversificação das fontes de financiamento, a maturidade dos projetos e uma maior capitalização das empresas foram algumas das prioridades destacadas por Artur Mendes, diretor coordenador do Banco Português de Fomento (BPF).
O responsável falava no painel da manhã da conferência “Infraestruturas, Mobilidade e Competitividade na Península de Setúbal”, que decorre durante todo o dia de hoje.
“Estaremos, brevemente, num novo ciclo de investimento exigente”, afirmou Artur Mendes, alertando para um contexto em que os fundos disponíveis serão mais seletivos e em que as empresas terão de estar mais bem preparadas para captar investimento. “As empresas têm de se internacionalizar”, defendeu.
O próximo ciclo deverá exigir uma abordagem diferente à mobilização de recursos financeiros. Em vez de depender de uma única fonte de financiamento, será necessário combinar vários instrumentos, desde fundos comunitários a investimento privado, passando pelo financiamento bancário e por soluções de longo prazo.
“É preciso combinar uma série de ferramentas, fundos comunitários, fundos privados, financiamento a longo prazo terá um papel importante, a nível das infraestruturas”, sublinhou o responsável.
O financiamento de projetos de infraestruturas e indústria deverá assumir particular relevância neste novo contexto, exigindo instrumentos capazes de responder às necessidades de investimento de longo prazo.
Na área da capitalização direta das empresas, está em preparação um fundo de fundos, destinado a reforçar os mecanismos de apoio ao tecido empresarial.
Outra das ferramentas apontadas passa pelo recurso ao crédito à exportação, com o objetivo de apoiar as empresas portuguesas nos processos de internacionalização e facilitar a entrada em novos mercados.
Artur Mendes entende que o próximo ciclo não será financiado por um instrumento isolado, mas antes por uma combinação de soluções ajustadas à dimensão, maturidade e objetivos de cada projeto.
Num cenário de maior seletividade dos fundos e dos investidores, a preparação dos projetos será determinante para garantir o acesso ao financiamento.
“É importante que os projetos sejam maduros”, destacou, defendendo que a qualidade e o grau de preparação das propostas são fundamentais para transmitir confiança às entidades responsáveis pelo financiamento.