O Salão Nobre dos Paços do Concelho, assinalou o arranque das comemorações do centenário de D. Manuel Martins e os 50 anos da Diocese de Setúbal, numa cerimónia que sublinhou o legado religioso, social e humano de uma das figuras mais marcantes da história da região
Promovida pela Fundação D. Manuel Martins, a publicação procura preservar a memória da Diocese de Setúbal, revisitar o seu processo de criação e destacar o contributo do seu primeiro bispo, reconhecido pela proximidade às populações e pela defesa das causas sociais.
“Enquanto vice-presidente da Câmara Municipal de Setúbal, reconheço em D. Manuel Martins uma referência ética e cívica cuja dimensão ultrapassa largamente a comunidade católica. A sua intervenção marcou a região, interpelou os poderes públicos e deixou uma marca duradoura na consciência coletiva”, sublinhou.
A autarca salientou ainda que os ensinamentos deixados pelo primeiro bispo da Diocese permanecem atuais.
“A sua herança recorda-nos que governar é, acima de tudo, cuidar das pessoas. O desenvolvimento só faz sentido quando chega a todos e o progresso de um território não se mede apenas pelas obras que realiza, mas também pela forma como acolhe, protege e cria oportunidades para quem nele vive.”
Referindo-se ao título da publicação, Maria do Carmo Tiago considerou que a obra transmite uma mensagem intemporal.
“O título desta obra, Faça-se Luz, encerra por si só uma mensagem poderosa. Fazer luz é iluminar a história, dar visibilidade a quem tantas vezes permanece esquecido e ajudar-nos a compreender o presente à luz dos valores que recebemos do passado.”
Homenagem à Diocese e ao seu primeiro bispo
O coordenador da obra, António Melo, explicou que o livro representa simultaneamente uma homenagem aos 50 anos da Diocese de Setúbal e um dos momentos centrais das celebrações do centenário de D. Manuel Martins.
“Faça-se Luz constitui uma homenagem aos 50 anos da Diocese de Setúbal e, simultaneamente, um primeiro momento particularmente relevante da celebração do centenário do nascimento de D. Manuel Martins”, referiu.
Desenvolvida por especialistas de várias áreas, a publicação alia uma forte componente visual a investigação histórica e documental. Entre os aspetos mais relevantes está a tradução de documentos fundamentais para compreender a criação da Diocese de Setúbal, incluindo as bulas papais relacionadas com a sua fundação e com a nomeação de D. Manuel Martins como primeiro bispo setubalense.
A obra inclui ainda um prefácio e um texto de reflexão assinados por D. Américo Aguiar, atual bispo de Setúbal, reforçando a ligação entre o passado e o presente da Diocese.
Um pastor próximo das pessoas
Ao longo das suas páginas, Faça-se Luz recupera episódios que ajudam a compreender a dimensão humana de D. Manuel Martins. Um dos momentos recordados por António Melo relata o encontro do bispo com uma mulher que procurava desesperadamente uma chave perdida num contentor de lixo.
“Perante a aflição da senhora, D. Manuel Martins não hesitou. Em vez de se limitar a ouvir, arregaçou as mangas e começou também ele a procurar a chave no meio do lixo.”
Para o coordenador da publicação, esta história simboliza a disponibilidade e a proximidade que caracterizavam a ação pastoral do bispo.
António Melo defendeu ainda que a obra pretende incentivar a reflexão sobre valores humanos e espirituais que permanecem atuais, expressando o desejo de que o livro seja também um convite à descoberta de duas figuras marcantes da região.
“Gostaria que este livro fosse entendido como um desafio a conhecer com maior profundidade D. Manuel Martins e o professor Eugénio Fonseca, homens que deixaram marcas profundas na sociedade através do seu pensamento, da sua ação e do seu compromisso com os outros.”
A sessão ficou igualmente marcada por uma homenagem de aplausos ao professor Eugénio Fonseca, um dos principais impulsionadores das comemorações do centenário e figura estreitamente ligada a D. Manuel Martins.
Com a apresentação de Faça-se Luz, arrancou oficialmente um programa comemorativo que se prolongará até 2027 e que pretende dar a conhecer às novas gerações o legado de uma das figuras mais marcantes da história de Setúbal.