Setúbal também é Portugal

Setúbal também é Portugal

Setúbal também é Portugal

25 Setembro 2026, Sexta-feira
Deputada do CHEGA

Viver sem médico de família significa depender de respostas pontuais, repetir a história clínica e adiar o acompanhamento de doenças que exigem continuidade. Depois de mais de 30 anos como enfermeira no Serviço Nacional de Saúde, sei quanto vale ter uma equipa que conhece o utente e acompanha a sua família.

Num artigo publicado esta semana, a Ministra da Saúde afirma que há mais 208 mil utentes com médico de família e mais profissionais nos cuidados de saúde primários. É uma melhoria que importa registar. O problema é que não chegou da mesma forma a todo o país.

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Em junho de 2026, cerca de 269 mil pessoas estavam sem médico de família nas três Unidades Locais de Saúde do distrito de Setúbal. São três em cada dez inscritos. Na Arrábida e no Arco Ribeirinho, quase quatro em cada dez continuam sem médico. Em Almada-Seixal são mais de 70 mil utentes.

O aumento das inscrições explica apenas uma parte desta realidade. Entre junho de 2024 e junho de 2026, ao crescimento do número de inscritos somou-se uma redução da cobertura: o número de utentes com médico diminuiu mais de 10 mil na Arrábida e mais de 4 mil no Litoral Alentejano.

A Ministra refere também que existem mais profissionais nos cuidados de saúde primários. Mas, esse reforço nacional não resolveu a falta de médicos de família nos territórios com maior carência.

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A nível nacional, em 2026 foram abertas 711 vagas de Medicina Geral e Familiar, mas apenas 273 foram ocupadas. No Litoral Alentejano, das 24 vagas abertas, não foi ocupada uma única. Abrir vagas não garante médicos Uma vaga deserta não acompanha um único doente.

Reformar exige coragem, como escreve a Ministra. E, a coragem de reformar também se demonstra quando se reconhece que uma medida falhou e se corrige o caminho. Se 24 vagas não tiveram uma única colocação, é evidente que as condições oferecidas não chegam para atrair e fixar médicos.

O CHEGA exige que o Governo diga, para cada Unidade Local de Saúde, quantos utentes passarão a ter médico e em que prazo. Exige também medidas de fixação ajustadas a cada território e a publicação regular dos resultados. Os portugueses têm o direito de saber o que está a ser feito com os seus impostos.

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Os números nacionais podem mostrar uma evolução favorável. No distrito de Setúbal, 269 mil utentes continuam sem médico de família. É por este resultado que o Governo deve ser avaliado.

“O SNS é dos portugueses”. Concordo. Setúbal também é Portugal.

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