Seixal defende que melhoria do serviço de transporte ferroviário é fundamental para a mobilidade das populações

Seixal defende que melhoria do serviço de transporte ferroviário é fundamental para a mobilidade das populações

Seixal defende que melhoria do serviço de transporte ferroviário é fundamental para a mobilidade das populações

22 Setembro 2026, Terça-feira
Presidente da Câmara Municipal do Seixal

Com o início do ano letivo e o regresso ao trabalho vamos voltar a assistir à realidade que, há demasiado tempo, se repete nos comboios da Fertagus: composições sobrelotadas, munícipes transportados sem qualquer conforto, como «sardinhas enlatadas», e muitos utentes que ficam nas plataformas porque não conseguem entrar nos comboios.


Esta é a realidade vivida todos os dias, sobretudo nas horas de ponta, e que tem sido sucessivamente denunciada pela Câmara Municipal do Seixal e pelos próprios utentes. Não me tenho calado perante esta situação. Tenho estado presente no terreno, a acompanhar e a comprovar as condições indignas a que a população do Seixal, que depende deste meio de transporte para se deslocar, está sujeita no percurso entre a casa e o trabalho: apertados, muitas vezes em pé, sem condições adequadas de climatização e com níveis de conforto muito abaixo do que é exigível num serviço público de transporte.

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Só quem vive esta experiência diariamente consegue perceber o que significa viajar nestas condições.


A minha intervenção e esta denúncia persistente já produziram alguns resultados. A Fertagus anunciou a aquisição de duas novas carruagens, que em breve vão entrar ao serviço. É uma medida positiva, mas estas duas carruagens serão apenas um paliativo perante a dimensão do problema. É necessário adquirir mais material circulante, aumentar o número de comboios e de carruagens e investir na modernização e melhoria da infraestrutura ferroviária.


Enquanto presidente da Câmara Municipal do Seixal, continuarei a defender os munícipes do concelho e a exigir um serviço de transporte ferroviário digno, fiável e com capacidade para responder às necessidades de quem dele depende todos os dias. Continuarei também a estar no terreno, a acompanhar esta realidade e a denunciar as condições que hoje são inaceitáveis.

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Mas a resposta à mobilidade na margem sul do Tejo não pode limitar-se ao transporte ferroviário. É essencial uma estratégia integrada e estrutural, que passe também pelo aumento da fiabilidade e da oferta do transporte fluvial, com mais carreiras nas horas de ponta e com novas carreiras, nomeadamente para o Parque das Nações e para o Barreiro, e pela expansão do Metro Sul do Tejo.


É incompreensível que o Metro Sul do Tejo (MST) não avance rapidamente até à estação dos Foros de Amora, quando estamos a falar da construção de apenas 1,8 quilómetros de linha entre as oficinas do MST, em Santa Marta, e aquela estação. Com um investimento relativamente reduzido e com uma proposta de traçado já consolidada e estudada seria possível levar o metro a uma zona que serve, pelo menos, 50 mil pessoas residentes na freguesia de Amora. Não se compreende, por isso, que o Governo não avance com esta extensão a curto prazo, enquanto se anuncia o prolongamento do MST até zonas que distam dos atuais traçados dezenas de quilómetros, nomeadamente à Costa da Caparica, sem estudos ou análises sobre os futuros traçados e servindo muito menos população.


O que deve ser prioritário? Garantir melhores condições de transporte público a quem dele depende para trabalhar, estudar e regressar a casa, ou privilegiar uma ligação sobretudo vocacionada para deslocações de lazer, nomeadamente para a praia? O acesso à praia e à fruição do território é importante e deve ser valorizado. Mas perante necessidades concretas da população não deverá ser prioridade garantir uma mobilidade pública mais eficiente para quem dela depende todos os dias?

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São estas e outras questões que pretendemos colocar à tutela, numa reunião que solicitámos desde o início deste ano. Este é um problema que exige respostas estruturais, integradas e coordenadas. O reforço do transporte fluvial e a expansão do Metro Sul do Tejo poderão melhorar a mobilidade das populações e contribuir para reduzir a pressão sobre os transportes ferroviário e rodoviário.


Também no estacionamento junto às principais interfaces de transporte, a Câmara Municipal do Seixal tem procurado encontrar soluções concretas para facilitar a vida aos utentes. Nesse sentido, a autarquia começou a assumir a gestão de parques – da Fertagus, nos Foros de Amora, junto à estação ferroviária, e da Transtejo, junto à estação fluvial –, suportando os respetivos custos e disponibilizando estes espaços gratuitamente aos utentes.


Pretendemos fazer o mesmo em Corroios e no Fogueteiro. Existem parques de estacionamento geridos pela Fertagus que se encontram encerrados e que poderiam ser colocados ao serviço da população, através da gestão municipal e com estacionamento gratuito. Contudo, a Fertagus exige à Câmara Municipal do Seixal o pagamento de 13 mil euros mensais por cada um desses parques. Estamos a falar de um valor de cerca de 300 mil euros por ano, uma verba demasiado elevada, tendo em conta que, pelo parque junto à estação ferroviária dos Foros de Amora a Câmara Municipal paga à Fertagus cerca de 6500 euros mensais.


Não deixa de ser difícil compreender que se prefira manter parques de estacionamento fechados e sem utilização em vez de os colocar ao serviço da população através de uma solução que permita estacionamento gratuito para quem utiliza diariamente os transportes públicos.


A mobilidade é um direito essencial. E durante a Semana Europeia da Mobilidade, que agora assinalamos, importa reafirmar que promover a mobilidade mais sustentável não pode limitar-se a campanhas ou a uma semana de iniciativas. Tem de significar, sobretudo, garantir alternativas de transporte público que sejam fiáveis, acessíveis, confortáveis e capazes de responder às necessidades reais da população. Não podemos aceitar que milhares de pessoas sejam obrigadas a enfrentar condições indignas para chegar ao trabalho, regressar a casa ou deslocar-se dentro do seu próprio território.


Enquanto presidente da Câmara Municipal do Seixal, não vou abdicar de lutar por respostas concretas e estruturais. Vamos continuar a exigir mais transporte, mais capacidade, mais fiabilidade, mais conforto e mais qualidade no serviço público prestado aos utentes.


Porque a população do Seixal merece transportes públicos à altura das suas necessidades e da importância que o município tem no desenvolvimento da Área Metropolitana de Lisboa.

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