Fazer não é suficiente. O Montijo precisa de desenvolvimento

Fazer não é suficiente. O Montijo precisa de desenvolvimento

Fazer não é suficiente. O Montijo precisa de desenvolvimento

20 Setembro 2026, Domingo
Deputado Municipal no Montijo pelo LIVRE

Há muitos munícipes do Montijo desconsolados com o estado de abandono do concelho. A degradação das ruas está entre os temas recorrentes nas conversas do seu dia-a-dia. Também sou munícipe e também sinto esse problema.


Fui eleito pelo LIVRE na Assembleia Municipal e acredito na visão que apresentámos nas eleições. Presumo que os cidadãos, mesmo discordando de nós, esperam de nós coerência. Foi com esse espírito que votámos contra a proposta da Câmara de contrair um empréstimo de 23 anos destinado, no essencial, à pavimentação das estradas do concelho.

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O Movimento que apoia o executivo reduziu o debate a uma dicotomia: ou se apoia o empréstimo, ou está-se contra os munícipes. Recusamos essa simplificação porque existem outras opções de governação.


Defendemos um caminho diferente para recuperar as estradas, preservando a margem financeira do município para financiar investimentos com impacto duradouro – não a pavimentação, que tem uma vida útil mais curta do que 23 anos. A conservação das estradas deve ser assegurada pela despesa corrente, de forma faseada, priorizando as vias em pior estado e considerando critérios de mobilidade e impacto social e económico.


O Montijo tem necessidades profundas que exigem muito investimento público e privado.

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O saneamento, a drenagem, a água e a energia carecem de investimento urgente. São menos visíveis no quotidiano, mas absolutamente determinantes para todos os que são já afetados com as suas lacunas e para a resiliência e o futuro do concelho. O seu colapso, como a crise da água em Almada, tem impactos muito mais graves do que um piso irregular.


A oferta de habitação é hoje um aspeto crítico e urgente da resposta que deve ser dada pelas políticas municipais. A que temos hoje no Montijo é largamente insuficiente para responder às necessidades mais prementes das famílias carenciadas e da classe média.


As escolas, centros de saúde, quartéis, terminais, pavilhões desportivos e equipamentos culturais são poucos ou precisam de obras, e essa lacuna vai agravar-se com a chegada do aeroporto.

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O desenho urbano atual do Montijo não serve para promover o bem-estar, a segurança e a cidadania. É preciso requalificar o espaço consolidado e planear a expansão com outro critério.


Temos de devolver às comunidades um papel ativo na resolução de problemas locais, procurando eliminar a lógica de quase monopólio dos partidos na qual está organizada a dinâmica política municipal. Só assim será possível resolver os problemas de estacionamento e da higiene urbana, criar comunidades de energia e de autoconsumo, assumir projetos de habitação cooperativa e reativar a economia dos centros urbanos.


É ainda necessário converter as ruas em zonas onde também se pode estar e conviver, com mais infraestrutura ecológica, mais mobilidade leve e inclusiva, mais espaços de lazer e para a prática desportiva.


A proposta de empréstimo que nos foi apresentada contraria a boa gestão do erário público, o respeito pelas gerações futuras e a necessidade de transformar o Montijo, não apenas de o remendar.


Vamos continuar a assumir que a prioridade é resolver os problemas estruturais que mais constrangem o desenvolvimento e qualidade de vida do concelho. O LIVRE não faz política de bloqueio, nem de incidentes, assumimo-nos como uma alternativa: cada decisão que tomamos serve um único propósito de aproximar o Montijo do concelho que queremos desenvolver.

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