Arco Ribeirinho promove duas exposições de grande impacto no Barreiro

Arco Ribeirinho promove duas exposições de grande impacto no Barreiro

Arco Ribeirinho promove duas exposições de grande impacto no Barreiro

As exposições configuram a primeira fase de instalação do Armazém 150, novo equipamento no Parque Empresarial do Barreiro

A Arco Ribeirinho Sul junta-se às comemorações das Jornadas Europeias do Património 2026, iniciativa conjunta do Conselho da Europa e da Comissão Europeia, com a inauguração de duas exposições singulares, distintas e que prometem gerar grande impacto junto do público.

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As duas exposições configuram a primeira fase de instalação do Armazém 150, novo equipamento que irá assumir funções de polo de dinamização cultural e artística no Parque Empresarial do Barreiro da Arco Ribeirinho Sul, S.A.

A pré-abertura do Armazém 150, está marcada para terça-feira, 22 de setembro, às 17h30, e a inauguração simultânea das duas exposições, desenvolve-se no âmbito das Jornadas Europeias do Património de 2026, e envolve todos os arquivos e parceiros culturais que fazem parte do projeto Cidade dos Arquivos, que se juntam neste novo espaço da Arco Ribeirinho Sul.

A Exposição da Ephemera, de José Pacheco Pereira, “A Outra Guerra, Propaganda em Português na Segunda Guerra Mundial”, dará a conhecer, através de livros, folhetos, cartazes e materiais diversos, as estratégias e os argumentos que os vários países envolvidos utilizavam para contar a sua versão do conflito. Em comum, demonstram de forma clara que “Na guerra a primeira vítima é a verdade”. Uma exposição que nos permite, não só conhecer o passado, como perceber e perspetivar o presente e o futuro

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Por vez, a exposição “O Som é Silêncio” “The Sound is Silence” do 18—25 Research Studio, com produção da Space Collectors, é uma instalação audiovisual e tecnológica, reativa ao visitante.

Concebida especificamente para o espaço industrial do Armazém 150, esta mostra foi inspirada por referências literárias, cinematográficas, históricas e sonoras, que se cruzam numa constelação de fragmentos, ecos e memórias em permanente transformação.

Cruza luz, som, movimento e linguagem para explorar as relações entre presença, vigilância, controlo e comportamento.

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Os 18—25 Research Studio são responsáveis pela conceção de parte dos conteúdos apresentados no pavilhão português na Bienal de Arquitetura de Veneza 2025 e a Space Collectors desenhou o projeto expositivo da representação portuguesa na Bienal de Arte de Veneza de 2026. Juntam-se agora no Barreiro com esta instalação interativa que promete surpreender todos os visitantes.

As exposições estarão patentes ao público até ao final do ano, todas as terças-feiras, sábados e domingos e a entrada é gratuita para a comunidade estudantil e académica e para o público em geral.

“A OUTRA GUERRA – Propaganda em Português na Segunda Guerra

Mundial”, Arquivo Ephemera

Esta é uma exposição que mostra a guerra, numa dimensão cada vez mais “moderna”, a guerra da propaganda. Esta guerra é total, vai muito para além dos Estados, é de natureza mundial. É uma guerra cada vez mais dependente de tecnologias mas, no seu fundamento, é uma guerra diretamente associada à das armas.

O seu objetivo é a “conquista das almas”, gerando perceções e ações que moldam a disposição das nações para o combate, ou para a rendição, interfere no plano político dos regimes e da sua confrontação, usa a divulgação de “feitos” de toda a ordem e todas as formas clássicas da mentira: a falsidade, a sugestão de falsidade e a omissão da verdade. O momento da Segunda Guerra foi muito inovador nas técnicas de propaganda, usando a rádio, o cinema, a banda desenhada, a caricatura, as coreografias cénicas dos comícios.

O caso português é típico de todas as técnicas de propaganda usadas por todos os beligerantes, com exceção da URSS devido à censura. Esta exposição mostra a importância de Portugal nessa “outra guerra”, os seus métodos, os seus temas, os seus alvos, exibindo mais de uma centena de produtos da propaganda em português, e em Portugal, de 1939-1945.

O SOM É SILÊNCIO é uma instalação reativa construída a partir de uma condição simples: entrar no escuro e ser reconhecido por um espaço cuja lógica nunca se revela por completo. A aproximação humana altera a luz e convoca som, ruído, respiração, batimentos, vozes, palavras e silêncio. A resposta pode ser imediata, retardada, deslocada para outro ponto ou recusada. O visitante percebe que a sua presença tem consequências, mas não consegue transformar a obra numa interface previsível.

No centro da instalação está uma constelação de referências: vozes históricas, frases literárias, excertos de filmes, ritmos de propaganda, ruídos e textos originais reaparecem sem legenda, autoria ou cronologia. Esses fragmentos não se reúnem como um arquivo, mas formam uma matéria instável, feita de ecos, deslocamentos e aproximações entre fontes distintas. As referências podem ser reconhecidas, mas esse reconhecimento nunca é obrigatório. A constelação de referências comporta-se como a memória: seleciona, omite, confunde, desloca e transforma.

É nessa transformação que surge a dimensão política da obra. Alterar a palavra é alterar a possibilidade de descrever o real; alterar a memória é alterar aquilo que uma comunidade julga ter vivido. Propaganda, censura, vigilância e poder não aparecem como temas ilustrados, mas como operações: repetição, apagamento, sincronização, contradição, fabricação de consenso e controlo do passado.

A instalação mantém, por isso, uma tensão deliberada entre experiência sensorial e consciência histórica. O som e a luz atraem o corpo; a linguagem impede que a experiência se esgote no espetáculo. O sistema observa, reage e conserva vestígios. Quando a sala volta a ficar vazia, alguma coisa permanece. A memória não regressa ao zero.

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