Cláudia Gigante recebeu o XXIV Prémio Bocage, pela obra de poesia “Geografia da Sede”, que é publicada em 2027
António Galopim de Carvalho e Maria de Fátima Medeiros receberam, esta terça-feira, as Medalhas de Mérito Cultural da Liga dos Amigos de Setúbal e Azeitão (LASA), numa cerimónia que distinguiu também Cláudia Gigante com o XXIV Prémio Bocage, pela obra de poesia “Geografia da Sede”.
A sessão comemorativa do Dia de Bocage e da Cidade decorreu no Salão Nobre dos Paços do Concelho, contando com o apoio da Câmara Municipal de Setúbal.
Os galardões distinguiram Maria de Fátima Medeiros pelo percurso dedicado ao livro, à leitura e à dinamização cultural, e António Galopim de Carvalho pelo trabalho científico e pela valorização do património geológico.
Durante a cerimónia, Galopim de Carvalho recordou a ligação ao património geológico de Setúbal e manifestou vontade de regressar à cidade para partilhar conhecimento sobre esta área. “Eu gostava, enquanto tivesse força, de vir aqui uma tarde e falar convosco”, afirmou.
Já Maria de Fátima Medeiros evocou décadas de trabalho na promoção da leitura em escolas, livrarias e instituições culturais, defendendo a importância do acesso aos livros. “Um livro para cada criança. Um livro para cada pessoa. Sem livros não há leitura. Sem leitura não há cultura”, disse.
O XXIV Prémio Bocage foi atribuído a Cláudia Gigante pela obra “Geografia da Sede”, distinção que inclui um prémio de 1500 euros e a publicação do livro, no próximo ano, pela LASA.
Segundo o júri, a obra destaca-se pela unidade temática e pela forma como transforma elementos como a água, o deserto, a chuva e a secura numa reflexão sobre a condição humana. “É precisamente nessa capacidade de converter a paisagem em reflexão sobre a condição humana que reside uma das grandes qualidades da obra”, afirmou Sérgio Fonseca.
Cláudia Gigante explicou que “Geografia da Sede” fala “de lugares, de distâncias, de memória, de ausência e de desejo” e de geografias interiores que não aparecem nos mapas. A poetisa considerou que receber uma distinção com o nome de Bocage, em Setúbal, tem “um significado muito especial”.
Na sessão, a vice-presidente da Câmara Municipal de Setúbal, Maria do Carmo Tiago, defendeu que “celebrar Bocage é também isso, celebrar a liberdade da palavra”, sublinhando a importância de continuar a valorizar a literatura e os novos autores na vida cultural do concelho.
A cerimónia terminou com um recital de canto lírico promovido pela Associação Setúbal Voz, com Helena de Castro, soprano, Eduardo Jordão, ao piano, e direção do maestro Jorge Salgueiro.