Almada candidata-se a Capital Portuguesa da Cultura 2028

Almada candidata-se a Capital Portuguesa da Cultura 2028

Almada candidata-se a Capital Portuguesa da Cultura 2028

A candidatura nasce da vontade de dar a conhecer a riqueza cultural de Almada “mas também de permitir unir as várias práticas culturais, as várias associações, os vários agentes culturais que não se conhecem”

A cidade de Almada, será candidata a Capital Portuguesa da Cultura 2028, um projeto que segundo a presidente da autarquia tem como filosofia a confluência com todas as margens, culturas e identidades.

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Tendo como lema “Todos, em Todos os Lugares, em Todos os Tempos”, a candidatura pensada e projetada internamente pela autarquia e feita com a comunidade, visa a criação de laços com todos os que trabalham e contribuem para a vida cultural, a começar por todas as associações.

A apresentação oficial da candidatura de Almada a Capital Portuguesa da Cultura 2028 está marcada para sábado.

Em declarações à agência Lusa, a presidente da Câmara, Inês de Medeiros, explicou que no processo de criação da estratégia cultural de Almada, aprovada recentemente na Assembleia Municipal, a autarquia percebeu que, apesar de o concelho ter uma grande riqueza cultural ao nível do movimento associativo, existia pouca interligação entre os vários agentes.

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A candidatura, adiantou, nasce assim não só da vontade de dar a conhecer a riqueza cultural de Almada “mas também de permitir unir as várias práticas culturais, as várias associações, os vários agentes culturais que não se conhecem” e ainda reabilitar “algumas instituições ou salas que são fundamentais” para o concelho.

“No fundo a nossa candidatura é toda virada para isso, fazer o movimento associativo entrecruzar-se”, disse.

Segundo a autarquia, o movimento associativo de Almada com raízes em meados do século XIX é composto por associações, cooperativas e coletivos que criaram espaços de solidariedade, participação e cidadania que resistiram a regimes e a crises, aos quais se juntaram projetos recentes, uma diversidade que considera ser um dos maiores recursos da cidade.

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Ao escolher “confluência” como palavra-chave, o município defende uma aposta na aproximação de associações históricas e novos coletivos, cruzando gerações e comunidades, e colocando em diálogo práticas enraizadas e novas linguagens artísticas.

“Almada cresceu de 70 mil para 200 mil habitantes em poucas décadas, tornando-se num dos concelhos mais densos do país numa área metropolitana marcada por intensos fluxos pendulares”, refere a autarquia, considerando que a aceleração dos ritmos de vida, o anonimato urbano e a crescente mediação digital podem fragilizar vínculos de proximidade e contribuir para experiências de isolamento e alienação.

A Câmara Municipal de Almada sustenta ainda que o projeto pretende, através da colaboração, da coprodução e da capacitação, reforçar a autonomia dos agentes, a partilha de recursos e o estabelecimento de novas parcerias e redes, criando condições para que este ecossistema se fortaleça para além de 2028.

Por outro lado, adianta a autarquia, a candidatura aposta na coesão territorial, alargando oportunidades a diferentes lugares e populações do concelho, do Monte de Caparica à Trafaria, da Costa da Caparica ao Pragal, fortalecendo vínculos, promovendo a criatividade e a pertença, e abrindo espaços de encontro num quotidiano marcado pela velocidade.

“O objetivo é que o legado da Capital Portuguesa de Cultura não seja um edifício ou um festival, mas a capacidade de continuar a confluir, com uma rede mais densa de relações entre agentes, um território onde qualquer pessoa pode ser coautora da sua vida cultural e um modelo de cooperação que sobreviva a Almada 2028”, sustenta.

O projeto da Capital Portuguesa da Cultura foi anunciado em dezembro de 2022 pelo então ministro da Cultura, Pedro Adão e Silva, que retomou a ideia do início do século, quando foram capitais nacionais da cultura Coimbra e Faro.

A primeira edição teve lugar em Aveiro em 2024, a segunda em Braga, em 2025, e Ponta Delgada, cidade da ilha de São Miguel, este ano, cidades que concorreram à Capital Europeia da Cultura em 2027, que será Évora.

Em janeiro, a ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes, anunciou que o projeto iria continuar em 2028. O prazo de candidatura abriu em 30 de abril, durante 150 dias, e a cidade vencedora para 2028 será conhecida em 09 de dezembro de 2026.

À semelhança das edições anteriores, a Capital Portuguesa da Cultura contará com uma dotação financeira estatal de um milhão de euros (Ponta Delgada teve um acréscimo de 300 mil euros devido à insularidade).

Já anunciaram a intenção de concorrer a Capital Portuguesa da Cultura em 2028 cidades como Loulé, Guarda, Leiria, Óbidos, Setúbal e Amarante.

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