O ator revela que esta foi uma das primeiras tragédias que leu e é um texto que sempre o “intrigou”
O ator Cláudio da Silva estreia, dia 17, no Teatro Municipal Joaquim Benite, em Almada, a peça “Ájax” partindo da tragédia homónima de Sófocles na qual encontra em Ulisses “um exemplo de como enfrentar” a atualidade.
Em declarações à Lusa, Cláudio da Silva disse que “Ájax” foi uma das primeiras tragédias que leu, um texto que sempre o “intrigou” já que tem a particularidade de o herói morrer em cena.
Além de em “Ájax” ter encontrado “uma espécie de força desaparecida”, quando começou a pensar mais no texto encontrou os temas da “manipulação, da violência, da intolerância e da incapacidade de diálogo que remetem para os tempos” de hoje, frisou à Lusa.
Nesse momento, foi também quando descobriu em Ulisses “uma figura-chave” da peça e “um exemplo de como enfrentar talvez este tempo” face ao crescimento dos movimentos fascistas, da intolerância, da queda de direitos, enfatizou.
Cláudio da Silva mencionou o atual desrespeito pelo direito internacional, pelos direitos humanos, pelas instituições, pela democracia e pelas repúblicas, figuras “que vão perdendo o valor, vão sendo destruídas e eliminadas” e que ganham também eco no texto de Sófocles.
Porque Ulisses é uma figura “capaz de encontrar pontes e de solucionar coisas que parecem impossíveis”, frisou, acreditando que no texto do dramaturgo grego “se podem encontrar respostas para entender e combater este momento”.
A história de Ájax situa-se no fim da guerra de Tróia, com a personagem a ser considerada o segundo melhor guerreiro grego, logo a seguir a Aquiles, Com a morte de Aquiles, Ájax acreditava receber as armas e a armadura daquele, mas essa honra pertenceu a Ulisses.
Enfurecido e deixando-se levar por instintos de vingança do que considera uma injustiça, Ájax jura matar os guerreiros e líderes gregos que o desonraram.
A dramaturgia da peça é de Carolina Dominguez, Cláudio da Silva e Rita Ferreira, a cenografia de Gustavo Sumpta, o desenho de luz de Pedro Paiva e o apoio ao movimento de Pedro Núñez.
A interpretar, além de Cláudio da Silva, estão Crista Alfaiate, Marcelo Urgeghe e Nuno Lucas.
Em Almada, a peça terá quatro récitas na Sala Experimental do TMJB, com sessões de quinta-feira a sábado, às 21:00, e, ao domingo, às 16:00.
A partir de 01 de outubro estará em cena na ZdB 8 Marvila, em Lisboa, onde terá oito récitas até dia 11.