Intervenção visa preservar a identidade local, marcada no plano socioeconómico pela atividade do setor corticeiro
Preservar a memória coletiva e a identidade local é o objetivo da reabilitação que a Junta de Freguesia de Alhos Vedros decidiu fazer no pórtico da antiga fábrica da Corchera Portuguesa, Lda.
A autarquia assinalou, no passado dia 19, o decorrer da intervenção, que visa a “valorização do pórtico”, enquanto “importante testemunho da história industrial e corticeira” da freguesia.
“A indústria corticeira teve um papel fundamental no desenvolvimento económico e social de Alhos Vedros, marcando gerações de trabalhadores e famílias e contribuindo para a identidade da nossa freguesia. Este pórtico, associado à antiga Corchera Portuguesa, constitui hoje uma importante memória desse passado industrial. A sua recuperação pretende garantir a preservação deste património, devolvendo-lhe dignidade e permitindo que continue a ser reconhecido pelas gerações atuais e futuras”, lê-se na publicação partilhada na página da Junta de Alhos Vedros no Facebook.
“Mais do que recuperar uma estrutura física, estamos a preservar memórias, valorizar a nossa identidade e respeitar a história de Alhos Vedros”, reforça a autarquia na publicação, sem deixar de detalhar a importância daquele património.
“A Corchera Portuguesa, Lda. encontrava-se documentalmente ligada à indústria corticeira de Alhos Vedros pelo menos desde 1933, desenvolvendo a sua atividade numa época em que a cortiça assumia uma importância fundamental na economia e na vida social da vila. Em 1941, a empresa requereu autorização para reabrir a sua fábrica situada junto à Estrada Nacional n.º 13, instalação que havia adquirido a José Gago da Silva”, lembra. “Durante a década de 1940, a fábrica recebeu diversas autorizações para instalação de maquinaria destinada à preparação e transformação da cortiça, incluindo equipamentos para o fabrico de rolhas, constituindo uma verdadeira unidade industrial de transformação deste produto.”
A autarquia reforça que “a atividade corticeira marcou profundamente Alhos Vedros” e recorda ainda que “a proximidade do caminho de ferro, do cais e das vias rodoviárias favoreceu o desenvolvimento das fábricas e a circulação de matérias-primas e produtos”, o que “contribuiu para transformar a vila num importante núcleo industrial da margem sul do Tejo”.
O pórtico, agora intervencionado, permanece assim “como memória de uma época em que milhares de homens e mulheres encontravam na indústria corticeira o seu sustento e em que o trabalho, as fábricas e a cortiça faziam parte integrante da identidade de Alhos Vedros”, conclui a junta de freguesia.