100 ANOS DO DISTRITO DE SETÚBAL, 100 ACONTECIMENTOS.
Palmela reuniu o melhor conjunto de condições logísticas, económicas, industriais e de apoio público para um projeto desta dimensão
Em 1987 teve início o processo que viria a culminar na instalação da fábrica da Autoeuropa em Palmela, um dos maiores investimentos industriais estrangeiros realizados em Portugal.
O projeto nasceu da cooperação entre a Volkswagen e a Ford, que procuravam criar uma unidade de produção automóvel para o mercado europeu. A construção efetiva da fábrica ocorreu nos anos seguintes, após a definição do investimento e das condições de instalação, sendo a empresa formalmente constituída em 1991.
A fábrica foi inaugurada em 1995 e tornou-se um dos principais motores da economia portuguesa, contribuindo significativamente para as exportações, o emprego e o desenvolvimento industrial da região de Palmela e da Península de Setúbal.
Como importância histórica, a Autoeuropa é um marco da modernização industrial portuguesa, criou milhares de empregos diretos e indiretos, constituiu o desenvolvimento de um importante cluster automóvel em Portugal e ainda um forte impacto nas exportações nacionais.
A construção da Autoeuropa, em Palmela, teve início em 1991, sendo que em julho desse ano foi assinado o acordo de investimento entre a Volkswagen, a Ford e o Estado português, dando origem ao projeto industrial. A fábrica foi então construída ao longo de cerca de quatro anos num terreno com aproximadamente 2 milhões de metros quadrados, incluindo o parque industrial de fornecedores.
Algumas datas importantes da Autoeuropa são a assinatura do acordo de investimento e arranque do projeto, em julho 1991, a 3 de dezembro do mesmo ano realiza-se a constituição formal da empresa Autoeuropa. Entre 1991 e 1995 decorreu o período de construção da fábrica e do parque industrial associado, e, a 26 de abril de 1995 é a inauguração oficial da fábrica. Em maio de 1995 é o início da produção dos modelos Volkswagen Sharan, SEAT Alhambra e Ford Galaxy.
Durante o processo de seleção da melhor localização para instalar a fábrica da Autoeuropa, estiveram no alinhamento várias possibilidades, mas Palmela acabou por reunir o melhor conjunto de condições logísticas, económicas, industriais e de apoio público para um projeto desta dimensão.
Concorreu para a opção Palmela a proximidade ao Porto de Setúbal, um fator essencial para exportar veículos para os mercados europeus e mundiais. A localização permite uma ligação eficiente entre a fábrica e o Porto de Setúbal, incluindo transporte ferroviário dedicado para escoamento da produção.
Foram também tidos em consideração os bons acessos rodoviários e ferroviários. Palmela situa-se junto aos principais eixos de transporte da Área Metropolitana de Lisboa, permitindo o abastecimento de componentes e a distribuição dos veículos produzidos. A existência de espaço para criar um grande parque industrial de fornecedores foi também decisiva.
Foi também ponderada a disponibilidade de mão de obra. A Península de Setúbal possuía uma tradição industrial significativa, ligada à metalurgia, construção naval e indústria pesada. Após a crise industrial dos anos 1980, existia mão de obra qualificada disponível, o que tornou a região particularmente atrativa para um investimento automóvel de grande escala.
A Grande área disponível para expansão também foi tida em conta, uma vez o projeto exigia uma enorme área para a fábrica, fornecedores, logística e futuras expansões. Em Palmela foi possível criar o atual Parque Industrial Autoeuropa, com cerca de 1.000 hectares.
Por sua vez o poio do Estado português. O Governo português considerou a Autoeuropa um investimento estratégico para modernizar a economia nacional e criar emprego numa região afetada pela desindustrialização. Foram concedidos incentivos e desenvolvido um forte apoio institucional para atrair a joint venture Volkswagen–Ford para Portugal.
A proximidade com Lisboa oferecia acesso ao aeroporto internacional, universidades, centros tecnológicos e serviços especializados da região de Lisboa, sem os custos de instalação dentro da capital.
A decisão final transformou profundamente Palmela e a Península de Setúbal. A Autoeuropa tornou-se um dos maiores investimentos estrangeiros de sempre em Portugal, gerando milhares de empregos diretos e indiretos e contribuindo de forma significativa para as exportações nacionais e para o PIB português.