Observação de golfinhos no Sado tem restrições em agosto para “dar descanso” aos animais

Observação de golfinhos no Sado tem restrições em agosto para “dar descanso” aos animais

Observação de golfinhos no Sado tem restrições em agosto para “dar descanso” aos animais

O Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) vai implementar a partir deste sábado e ao longo de todo o mês uma proibição de aproximação aos golfinhos entre as 13 e 15 horas, em todo o Estuário do Sado

A observação de golfinhos no Rio Sado vai estar condicionada em agosto para preservar a espécie e “dar descanso aos animais que são sujeitos a um maior stress devido à grande concentração de embarcações neste mês”. Sofia Palma, bióloga do Parque Natural da Arrábida, garante que os passeios para ver golfinhos vão poder continuar a realizar-se e que o condicionamento em todo o Estuário do Sado serve para “permitir que a comunidade descanse”. Esta segunda feira, banhistas em Tróia retiraram do mar o cadáver de um golfinho. O animal não pertence à comunidade de roazes corvineiros no Sado, mas trata-se de um golfinho costeiro, uma espécie que é mais vezes avistada ao largo de Sesimbra.

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No âmbito da preservação da espécie de roazes, única em Portugal, o Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) vai implementar a partir deste sábado e ao longo de todo o mês uma proibição de aproximação aos golfinhos entre as 13 e 15 horas, em todo o Estuário do Sado. Já na zona onde mais se concentram, entre a Doca dos Pescadores em Setúbal, Tróia, na foz do Sado, até à praia da Figueirinha, na Serra da Arrábida, será proibido esperar pelos animais durante todo o mês.

Sofia Palma considera que esta proibição não pode ser vista como um “obstáculo à atividade das empresas turísticas, já que permite que os animais repousem durante duas horas antes de voltarem a ser expostos ao stress do barulho dos motores das embarcações. Desta forma, os animais ficam mais bem dispostos no resto do dia”.

A medida foi implantada pela primeira vez em 2023 e surgiu do Estudo de Reavaliação da Capacidade de Carga – Observação de Cetáceos no Estuário do Sado, que decorreu entre 2020 e 2023, efetuado pela Universidade Nova de Lisboa.

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Ainda no sentido de proteger a comunidade residente de golfinhos no Estuário do Sado, há regras a cumprir durante o avistamento de golfinhos, não só no verão, mas todo o ano. As embarcações não podem ser mais que três em simultâneo a seguir os animais, não podem seguir à frente destes nem ou ficar mais de 30 minutos em simultâneo com os animais. Também não se podem aproximar mais de 30 metros.
Sofia Palma afirma que em regra, as empresas marítimo-turísticas sabem qual a conduta a adotar, mas ainda há muitas embarcações de recreio que não sabem. “Vemos cada vez mais embarcações de outros portos, como Lisboa, no Estuário do Sado, e que não sabem as regras de conduta, acabando por infringi-las. Assim, o stress na comunidade aumenta e pode ser nocivo para a população”.

A população de roazes-corvineiros residente no Sado, única no país e uma de três na Europa, tem atualmente 26 indivíduos. Entre 2014 e 2025, o número de indivíduos da população baixou dos 32 para os 26. “O reduzido número, embora na maioria jovens, implica que seja necessário adotar algumas medidas de proteção, como o ICNF tem vindo a fazer ao longo dos anos”, disse Sofia Palma. Os roazes-corvineiros, ou Tursiops Truncatus, devem o nome “roaz” ao facto de gostarem de roer as redes que os pescadores deitavam ao mar. Já “corvineiro” vem do gosto que esta espécie tinha pela corvina, quando ela existia em abundância na zona do estuário e que agora voltou.

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