Pedro Felício: “Queremos que a ESE continue a crescer com qualidade e sustentabilidade”

Pedro Felício: “Queremos que a ESE continue a crescer com qualidade e sustentabilidade”

Pedro Felício: “Queremos que a ESE continue a crescer com qualidade e sustentabilidade”

O novo diretor traça as prioridades para o mandato e explica como pretende garantir um crescimento assente na qualidade, na sustentabilidade e na continuidade do trabalho desenvolvido

Após tomar posse como novo diretor da Escola Superior de Educação (ESE) do Instituto Politécnico de Setúbal traça as prioridades para o mandato e explica como pretende dar continuidade ao trabalho desenvolvido nos últimos anos, num contexto marcado pelos desafios que o ensino superior enfrenta.

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Depois de assumir a direção da ESE, sucedendo a João Pires, Pedro Felício inicia um mandato que se pretende centrar na consolidação do crescimento da escola, no reforço da qualidade do ensino e na sustentabilidade da instituição. A cerimónia de tomada de posse, realizada a 22 de junho, ficou também marcada pelos diversos alertas para o subfinanciamento do ensino superior público, uma preocupação partilhada pelos responsáveis da escola e do IPS.

Em entrevista a O SETUBALENSE, Pedro Felício destaca como prioridades o reforço do corpo docente, a consolidação da oferta formativa e o desenvolvimento de novos ciclos de estudos. Assumindo que o seu mandato será assente na continuidade do trabalho previamente desenvolvido, o novo diretor acredita que a ESE reúne condições para reforçar a sua afirmação nas áreas da educação, cultura, artes, comunicação, intervenção social e desporto, apostando igualmente na investigação, na internacionalização e na ligação ao território, com o objetivo de garantir um crescimento sustentado da escola nos próximos anos.

O que o motivou a aceitar o desafio para liderar a direção da ESE?

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A minha decisão resulta de um percurso de vários anos de envolvimento ativo na vida da Escola Superior de Educação (ESE), primeiro como docente, depois em diferentes órgãos de gestão e, mais recentemente, como Subdiretor. Esse percurso permitiu-me conhecer profundamente a ESE, as suas pessoas, as suas potencialidades e também os desafios que enfrenta.

Entendi que este era o momento certo para assumir esta responsabilidade, dando continuidade ao trabalho que tem vindo a ser desenvolvido, mas também contribuindo para consolidar o crescimento alcançado nos últimos anos. A ESE tem uma identidade muito própria, alicerçada na educação, na cultura, nas artes, na comunicação, na intervenção social e no desporto, e acredito que posso contribuir para reforçar esse posicionamento e preparar a Escola para os desafios futuros. Para além disso, a equipa que aceitou acompanhar-me neste mandato, a Prof.ª Ana Cristina Figueira e o Prof. Fernando Santos, garantem-me uma Direção com vasta experiência acumulada e um conhecimento intrínseco da Escola e do seu funcionamento.

Quais são as principais prioridades para este início de mandato?

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As prioridades estão muito centradas na consolidação institucional. Em primeiro lugar, reforçar e estabilizar os recursos humanos, particularmente o corpo docente de carreira, que é fundamental para garantir a qualidade do ensino e a sustentabilidade da oferta formativa. Em simultâneo, queremos continuar a melhorar o funcionamento organizacional, aprofundar a digitalização de processos, reforçar a articulação interna na ESE e no Universo Instituto Politécnico de Setúbal (IPS) e, principalmente, assegurar que o crescimento da Escola acontece de forma sustentável. Outra prioridade passa por consolidar a oferta formativa e criar condições para o desenvolvimento de novos ciclos de estudos, em áreas onde identificamos necessidades e oportunidades de crescimento, este último objetivo a médio prazo.

Sabemos que existem alguns cursos a passar por uma reformulação do plano curricular. Como estão esses processos?

A revisão curricular é um processo natural e permanente numa instituição de ensino superior. As equipas dos coordenação dos diferentes cursos, em articulação com os órgãos competentes da ESE e do IPS, têm vindo a analisar resultados, indicadores de procura, sucesso académico, empregabilidade e as necessidades emergentes da sociedade e do mercado de trabalho.

O objetivo destas reformulações, que habitualmente acontecem nos momentos de avaliação dos cursos pela Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior (A3ES) que é a entidade independente responsável pela avaliação e acreditação dos ciclos de estudos e das instituições de ensino superior em Portugal, é garantir que os cursos continuam atuais, relevantes e alinhados com as exigências profissionais e científicas das respetivas áreas. Estamos a acompanhar esses processos com proximidade, sempre com o compromisso de assegurar a qualidade da formação oferecida aos nossos estudantes.

Na tomada de posse falou-se muito sobre o subfinanciamento no ensino superior. Como é que a ESE em particular está a ser afetada e que medidas podem ser implementadas para colmatar essas dificuldades?

O subfinanciamento é um desafio que afeta todo o sistema de ensino superior e o IPS, onde se integra a ESE, não é exceção. As instituições enfrentam hoje exigências crescentes ao nível da qualidade pedagógica, da acreditação dos cursos, da investigação, da internacionalização e da gestão de recursos humanos, sem que os recursos financeiros disponíveis acompanhem sempre esse aumento de responsabilidades. É urgente que a tutela reveja a forma de financiamento por via do Orçamento de Estado às Instituições de Ensino Superior Públicas em Portugal, em particular aos Politécnicos.

No caso da ESE, uma das consequências mais visíveis é a dificuldade de reforçar o número de docentes de carreira para responder ao crescimento da oferta formativa, às exigências de acreditação e às aposentações previstas nos próximos anos. Para enfrentar esta condicionante, fazemos um trabalho em estreita articulação com a Presidência do IPS na definição de prioridades de investimento, na diversificação de fontes de receita através da participação em projetos financiados, da prestação de serviços especializados e do desenvolvimento de formação não conferente de grau, sempre sem perder de vista a missão principal da Escola.

Em que áreas sente que a ESE tem especial margem para evolução?

Vejo particular potencial de crescimento em três áreas. A primeira é a consolidação da oferta formativa, nomeadamente através do reforço da oferta de segundo ciclo em áreas como as Ciências do Desporto e as Ciências da Comunicação, como disse anteriormente, um objetivo que considero possível a médio prazo.

A segunda é o fortalecimento da produção científica e artística, valorizando a investigação e a criação como componentes fundamentais da identidade da Escola. 

A terceira prende-se com a internacionalização e com a capacidade de ampliar as redes de cooperação, sobretudo no espaço da língua portuguesa e nos projetos internacionais já desenvolvidos pela ESE e pelo IPS, com especial enfoque nas potencialidades por pertencermos à Aliança E3UDRES2 (Engaged and Entrepreneurial European University as Driver for European Smart and Sustainable Regions), uma aliança universitária europeia financiada pela Comissão Europeia no âmbito da iniciativa Universidades Europeias, que reúne instituições de ensino superior de vários países para promover a cooperação em ensino, investigação, inovação e desenvolvimento regional.

Vê esta mudança de direção como uma forma de dar um novo rumo à ESE ou o seu mandato procura dar continuidade ao planeamento e ao trabalho que já era realizado pela antiga direção?

Diria que a palavra-chave é continuidade. O próprio programa de ação assenta na ideia de consolidar um percurso construído em conjunto. Isso não significa manter tudo inalterado, mas sim reconhecer o trabalho realizado, preservar o que está bem e introduzir melhorias onde forem necessárias. A minha experiência como Subdiretor permitiu-me participar diretamente em muitas das estratégias que contribuíram para o desenvolvimento recente da Escola. O objetivo agora é aprofundar esse trabalho, respondendo aos novos desafios com estabilidade, responsabilidade e capacidade de adaptação. 

Em linhas gerais, o que podemos esperar do seu mandato enquanto novo diretor da ESE?

Podem esperar uma liderança próxima, participada e orientada para resultados. Pretendo trabalhar em articulação com toda a comunidade académica, promovendo uma cultura de diálogo e de envolvimento nas decisões estratégicas. Será um mandato focado na valorização das pessoas, no reforço da qualidade do ensino, na sustentabilidade institucional, na ligação ao território e na afirmação da identidade da ESE enquanto escola de referência na região nas áreas da educação, cultura, artes, comunicação, intervenção social e desporto.

Que mensagem gostaria de deixar à comunidade académica neste início de mandato?

Gostaria de deixar uma mensagem de confiança e de mobilização. A ESE é feita pelas pessoas que nela estudam e trabalham diariamente. O futuro da Escola dependerá da nossa capacidade de continuar a construir em conjunto, valorizando a diversidade de contributos e reforçando o sentimento de pertença a esta comunidade. Queremos uma Escola onde todos sintam que, como diz o nosso Hino ‘vale a pena estar aqui’, para aprender, para ensinar, para investigar, para criar e para participar. Uma Escola que continue a crescer com qualidade e sustentabilidade, mantendo a sua marca identitária própria no Universo IPS e reforçando o seu papel de grande relevância para a região. 

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