A avançar, irá garantir “o acesso direto a rotas comerciais marítimas e a Sines”, funcionando “como uma porta de entrada para o mercado europeu”
O parque empresarial, logístico e industrial projetado para Grândola, num investimento de 468 milhões de euros, quer aproveitar a localização estratégica no eixo Sines-Lisboa-Espanha e responder “à escassez” destes “grandes espaços” em Portugal, argumentou o promotor.
O Grândola Logistics Park Euro-Atlantic (GLPEA) vai avançar em Grândola, com um investimento estimado de 468 milhões de euros, disse hoje a empresa Qantara Capital, promotora do projeto, em comunicado.
“Posicionado como o novo portal de ligação para o corredor de comércio e dados Euro-Atlântico, este novo parque logístico assume uma relevância estratégica pela sua posição geográfica”, realçou.
Isto porque, a avançar, irá garantir “o acesso direto a rotas comerciais marítimas e a Sines”, funcionando “como uma porta de entrada para o mercado europeu”.
No comunicado, a Qantara Capital revelou que “o processo de licenciamento do projeto registou agora um avanço decisivo com a conclusão da consulta pública” do Estudo de Impacte Ambiental (EIA), que terminou no dia 02 deste mês.
Tal como a Lusa noticiou em 19 de maio, o EIA do estudo prévio do projeto, elaborado pela Terra Kappa, esteve em consulta pública.
O promotor adiantou hoje que prevê iniciar “as obras de infraestruturas imediatamente após a emissão da Declaração de Impacte Ambiental (DIA) e das licenças definitivas, decorrentes da aprovação do Plano de Pormenor por parte do Município” de Grândola.
A localização do parque garante ligação direta ao Itinerário Complementar 1 (IC1) e à Linha Ferroviária do Sul e dista apenas oito quilómetros [km] da Autoestrada do Sul (A2).
“Esta conectividade multimodal coloca o complexo a 50 km do Porto de Sines, a 64 km de Setúbal e a 100 km de Lisboa”.
A infraestrutura disponibilizará uma área total que ronda 113 hectares, com 635 mil metros quadrados de construção e um terminal ferroviário de mercadorias com um parque de contentores de 23 mil metros quadrados.
Trata-se de “uma plataforma estratégica de escala ibérica que responde de forma direta à escassez de grandes espaços logísticos em Portugal, um fator crítico para a competitividade do país”, realçou o presidente executivo (Chief Executive Officer ou CEO em inglês) da Qantara Capital, Hadrien Fraissinet.
“Ao ligarmos esta infraestrutura multimodal ao Porto de Sines e às principais redes de transporte europeias, estamos a abrir uma porta de entrada fulcral para o comércio internacional e a reforçar o posicionamento de Portugal nas cadeias de abastecimento globais”, reforçou.
Entre a documentação sobre o projeto disponível no portal Participa da Agência Portuguesa do Ambiente, consultado hoje pela Lusa, consta o Relatório da Consulta Pública do EIA, em que a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Alentejo resumiu que foram apresentadas cinco participações discordantes do projeto, duas de concordância e 10 com sugestões.
Os argumentos nas participações discordantes “são centrados na perda de paisagem natural, na destruição de habitats e no risco de incêndio”, enquanto outras não apresentam argumentos concretos e uma “introduz um argumento ambiental mais elaborado sobre a função dos pinhais na regulação da humidade e da temperatura local, ainda que sem base técnica citada”, lê-se.
As que concordam “aceitam o projeto pelo valor económico e pela criação de emprego”, enquanto as sugestões abordam a desflorestação de cerca de 111 hectares, o abate de árvores, a impermeabilização do solo, a redução da recarga do aquífero ou a prioridade à ligação ferroviária face ao transporte rodoviário, entre outros temas.
O parque foi dimensionado para acolher cerca de mil utilizadores diários, gerando emprego de forma gradual e prioritariamente local, disse a empresa, acrescentando que “a procura de mão-de-obra apoia-se num universo de 33.000 profissionais ativos num raio de 30 minutos de deslocação”.