Comissão de utentes considerou insuficiente a resposta atual e alertou que muitos moradores do concelho acabam por recorrer ao Serviço de Urgência do Hospital do Litoral Alentejano
A Comissão de Utentes dos Serviços Públicos de Grândola exigiu esta segunda-feira a reabertura 24 horas diárias do Serviço de Atendimento Permanente (SAP) do centro de saúde, com horário noturno reduzido desde o início deste mês.
Em comunicado divulgado esta segunda-feira, a comissão de utentes assinalou que defende a reabertura durante 24 horas/dia do SAP do Centro de Saúde de Grândola, há mais de 15 anos.
A exigência volta agora a ‘ganhar força’ depois de, no início deste mês, o Serviço de Atendimento Complementar (SAC) do Centro de Saúde de Grândola ter deixado de funcionar no horário das 20:00 às 22:00, de segunda a sexta-feira, devido à falta de médicos.
Na altura, esta decisão foi criticada pelo presidente da Câmara Municipal de Grândola, Luís Vital Alexandre, que atribuiu a redução do horário noturno do SAC à falta de clínicos.
Na nota agora divulgada, a comissão de utentes considerou insuficiente a resposta atual e alertou que muitos moradores do concelho acabam por recorrer ao Serviço de Urgência do Hospital do Litoral Alentejano (HLA), no vizinho concelho de Santiago do Cacém.
“Algumas localidades [do concelho] de Grândola [estão] a uma distância de mais de 40 quilómetros” do HLA, argumentou.
Quando não há “respostas ou especialidades suficientes” na unidade hospitalar, os utentes “são obrigados a deslocarem-se” para os hospitais de Setúbal, Barreiro ou Lisboa, percorrendo distâncias entre 60 e 100 quilómetros, alertou a estrutura.
Contactado pela agência Lusa, o porta-voz da comissão de utentes, José Jesus, realçou esta segunda-feira que esta redução do horário noturno “é uma preocupação para a população”.
Por essa razão, a comissão de utentes vai promover, na quarta-feira, uma concentração para transmitir ao Governo e ao Ministério da Saúde que é “contra esta situação” e exigir a colocação de médicos neste território.
“O que a população tem reivindicado é o funcionamento das urgências 24 horas” e a regularização “dos postos médicos” de Canal Caveira e Melides, “que também têm dificuldades”, defendeu o dirigente.
A comissão de utentes indicou ainda, no comunicado, que a Extensão de Saúde de Melides passou a funcionar apenas um dia por semana e o Posto Médico de Canal Caveira foi encerrado, obrigando os utentes a deslocarem-se à sede de concelho.
Entre as preocupações apontadas está também a situação das grávidas residentes no concelho, as quais, devido à inexistência de maternidade no HLA, têm de se deslocar para hospitais da Península de Setúbal ou para Beja.
A concentração de protesto está agendada para esta quarta-feira, às 18:30, junto às instalações do Centro de Saúde de Grândola.