A vida pública tornou-se, demasiadas vezes, um lugar de ruído, suspeição e conflito permanente. A divergência, que devia ser natural numa democracia, passou em muitos casos a ser confundida com hostilidade. A diferença de opinião, que devia enriquecer o debate, é por vezes usada como pretexto para diminuir, insinuar ou desqualificar quem pensa de forma diferente.
Também na política partidária se sente essa crise de confiança. E talvez por isso tantas pessoas competentes, sérias e preparadas se afastem da participação cívica. Não se afastam por falta de vontade de servir. Afastam-se porque não aceitam que o ataque pessoal valha mais do que o trabalho, que o ressentimento substitua a ideia e que a ambição individual se sobreponha ao compromisso coletivo.
A política precisa de pluralidade. Precisa de debate, de confronto de ideias, de alternativas e de escolhas livres. Mas a pluralidade política não pode transformar-se numa desqualificação permanente do adversário. Quando alguém precisa de destruir outro para se afirmar, o problema raramente está no outro.
É também com esta preocupação que olho para as eleições de 28 de junho para a Comissão Política Distrital de Setúbal do CHEGA. Não como uma disputa menor ou meramente interna, mas como um momento em que importa escolher uma forma de estar na política. A forma como se vence também conta. A forma como se perde também conta. E a forma como se respeita quem vota conta sempre.
Uma eleição, seja interna, autárquica ou nacional, não é apenas um momento de disputa. É um compromisso. Quem se apresenta a votos assume uma responsabilidade perante quem confiou, votou e acreditou num projeto. Por isso, abandonar responsabilidades obtidas pelo voto, quando surgem dificuldades ou divergências, não pode ser encarado como algo menor. A confiança dos militantes e dos eleitores merece respeito.
Discordar é legítimo. Apresentar outro caminho é legítimo. Disputar eleições é saudável. O que não aceito é que se tente substituir a lealdade pelo cálculo, a coragem por atalhos ou o compromisso pelo abandono. Quando se discorda de um caminho, há uma forma correta de o fazer: dando a cara, apresentando uma alternativa e submetendo-a ao voto. É assim que se honra a democracia interna.
Integro a lista Valorizar Setúbal porque acredito que esta candidatura representa os valores do CHEGA e de André Ventura: trabalho, coragem, lealdade, proximidade aos militantes e sentido de missão.
Com Nuno Gabriel, o CHEGA no distrito de Setúbal cresceu, consolidou a sua implantação e alcançou resultados. Hoje temos seis deputados eleitos pelo círculo de Setúbal. No plano autárquico, passámos de 46 para 203 autarcas. Estes resultados não surgiram por acaso. Resultaram de organização, presença no terreno, persistência e capacidade de manter o projeto de pé quando seria mais fácil desistir.
Correu tudo perfeito? Não. Mas quem nunca errou que atire a primeira pedra. O que importa é o que se faz depois: se se corrige, se se assume e se se continua a trabalhar. É sobretudo quando as coisas não correm bem que se percebe o caráter de cada um.
Valorizar Setúbal é, para mim, escolher uma política com responsabilidade, lealdade e sentido de missão. Uma política onde lealdade não significa obediência cega, mas cumprimento do compromisso assumido. Onde a ambição só é legítima quando serve um projeto maior. Onde o partido está acima de interesses pessoais e Portugal acima de todos nós.
Setúbal precisa de uma Distrital forte, respeitada, eficaz e próxima dos militantes. O CHEGA tem de contar com gente que fique nos momentos difíceis, que construa em vez de destruir e que saiba que a política, sem ética, perde a sua razão de ser.
É por isso que estou na lista Valorizar Setúbal. Por compromisso, por convicção e por respeito por todos os que acreditam que a política ainda pode ser feita com verdade, maturidade e caráter.