Ampliação do Terminal de Granéis Líquidos do Barreiro incompatível com objetivos climáticos

Ampliação do Terminal de Granéis Líquidos do Barreiro incompatível com objetivos climáticos

Ampliação do Terminal de Granéis Líquidos do Barreiro incompatível com objetivos climáticos

Para os ambientalistas, é fundamental demonstrar uma plena compatibilidade entre ambos os projetos antes de haver decisões

A associação ambientalista Zero dá parecer desfavorável à ampliação do Terminal de Granéis Líquidos do Barreiro (TGLB), alegando que o aumento da capacidade de armazenamento de gasolina e gasóleo é “incompatível com os objetivos climáticos nacionais e europeus”.

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Num comunicado divulgado esta quinta-feira, a associação Zero anuncia que deu parecer desfavorável à expansão do TGLB na consulta pública que terminou a 19 de junho, por considerar que se trata de um projeto “incompatível com a neutralidade climática”.

Segundo o portal Participa.pt, o projeto de expansão do TGLB, prevê a instalação de mais nove tanques de armazenagem, principalmente de gasolina e gasóleo, o que corresponde a um aumento da capacidade do terminal em 43.617 metros cúbicos, passando dos atuais 173.000 para 216.617 metros cúbicos.

“A expansão proposta é incompatível com os objetivos climáticos nacionais e europeus e não demonstra a sua necessidade estratégica num contexto de redução estrutural do consumo de combustíveis fósseis, num momento em que ainda ecoa a incerteza geopolítica decorrente da instabilidade no Médio Oriente”, refere a Zero, que recorda também o compromisso do Governo de “reduzir o consumo de combustíveis rodoviários a metade nos próximos 10 anos”.

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Por outro lado, a associação considera que o Estudo de Impacte Ambiental (EIA) do projeto de expansão do TGLB não avalia a compatibilidade entre a ampliação do terminal e a futura ligação ferroviária Barreiro-Chelas, prevista no Plano Ferroviário Nacional.

“Esta nova travessia ferroviária, à qual não poderá estar associada uma nova travessia rodoviária, deverá assumir um papel central na transferência modal do transporte rodoviário para a ferrovia e na descarbonização do sistema de transportes. No entanto, o EIA, no entendimento da Zero, não demonstra que a ampliação proposta não venha a criar constrangimentos físicos, operacionais ou de segurança à futura infraestrutura ferroviária”, argumenta.

Para os ambientalistas, é fundamental demonstrar uma plena compatibilidade entre ambos os projetos antes de haver decisões.

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“A associação considera igualmente insuficiente a avaliação dos impactes climáticos indiretos do projeto. O estudo centra-se nas emissões diretas da operação do terminal, ignorando o impacte sistémico associado à continuidade da distribuição de combustíveis fósseis”, sublinham no comunicado, lembrando que “o aumento anual previsto de 6.350 veículos-cisterna e de 16 navios exige uma avaliação mais aprofundada dos efeitos na qualidade do ar, no ruído, na segurança industrial e na saúde das populações do Barreiro e do Lavradio”.

A Zero considera ainda que a “segurança energética não pode significar mais dependência fóssil”.

Embora reconheça a importância da segurança de abastecimento durante o período de transição energética, defende também que a “segurança energética não pode ser confundida com o prolongamento da dependência estrutural de combustíveis fósseis importados”.

“O estudo não avalia adequadamente alternativas compatíveis com a descarbonização da economia portuguesa, nomeadamente cenários baseados na drástica e necessária redução da procura de combustíveis, na eletrificação acelerada do setor dos transportes rodoviários, nomeadamente dos veículos de uso intensivo, na eficiência energética, no armazenamento de eletricidade renovável e no reforço do transporte ferroviário eletrificado”, é ainda sublinhado.

Considerando que o projeto de expansão do TGLB é “inaceitável”, a Zero defende ainda que o país deveria optar por outras soluções para garantir a segurança energética.

 A redução estrutural da procura de combustíveis importados, o reforço da ferrovia eletrificada e o armazenamento de energia renovável são algumas das alternativas apontadas em detrimento da “expansão indefinida de infraestruturas fósseis”.

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