O Presidente da República, António José Seguro, esteve na Cidade do Futebol, no Complexo Desportivo do Jamor, com a seleção de futebol e respetiva equipa técnica e ainda com o Presidente da Federação Portuguesa de Futebol. Foi apresentar despedidas antes de rumarem à América para participarem no campeonato do mundo da modalidade. Mas foi lá, sobretudo, para lhes assegurar “que o país está com eles e que nos façam sonhar”.
Portanto, o sonho de Seguro, é que a equipa lusa faça boa figura. Mesmo, a melhor possível. Ou seja, que “nos encham todos de orgulho e que conquistem a taça”.
Sabendo-se a força do futebol para mobilizar as massas, mesmo assim, não será um pouco abusivo o PR falar em nome do país, dos dez milhões de portugueses (mais ao da diáspora), e deduzir que terão todos o mesmo sonho que ele?
Para além dos muitos milhões que a rapaziada selecionada, o senhor Martinez e restante equipa de apoio, certamente ganhariam, para além do fervor patriótico futeboleiro, o que é que o Zé Povinho ganhava? Claro que se o tal sonho se concretizasse, este gesto de AJS, seria um forte contributo para o resto de um tranquilo mandato. E ainda muito mais seria, para Luís Montenegro e para o seu Governo/AD. Aliás, desde o tempo da “outra senhora” que o futebol é tantas vezes utilizado como um poderoso fator de adormecimento e alienação de massas.
Se o sonho de Seguro, dos seus camaradas dirigentes do PS, assim como dos líderes do PSD, CDS, IL e Chega, fosse num país bem mais decente que este, onde não existissem as brutais assimetrias sociais que existem, num país que olhasse, que cuidasse, bem mais de si, onde o desenvolvimento do interior fosse bem mais equitativo com o do litoral, um país onde tivéssemos uma assistência social e na saúde bem melhores, um país que promovesse o desporto (de massas) e a cultura, não seria um sonho bem mais patriótico que apenas fazermos figura num campeonato de tantos milhões e que apenas beneficia uma ínfima minoria? A que já está muito melhor. Um campeonato onde o presidente do principal país que o organiza, tem atitudes prepotentes em relação a elementos de outros países participantes que não lhe agradam. Aliás, atitudes semelhantes às que assume com tanta frequência na política. Aí, sim! O PR, o Primeiro-Ministro e o respetivo Governo que lidera, não deveriam ser bem menos benevolentes ou mesmo submissos com o que se arvora em capataz do mundo e com os seus principais aliados? Nomeadamente, o que coloca o Médio Oriente a ferro e fogo, originando autênticos genocídios como na Faixa de Gaza ou a debandada de milhões de pessoas, como no Líbano.
Aí sim! Estaríamos todos em uníssono com os sonhos de AJS e restantes líderes da direita. Significava que para além dum lindo País, tínhamo-lo ainda mais aprazível, desenvolvido e justo. Teríamos um País que nos faria sentir bem mais orgulhosos e patriotas. Não apenas o patriotismo futeboleiro como o sonho de Seguro e de tantos outros patriotas de ocasião e conveniência.