Caro leitor, há 22 anos que as árvores do meu bairro não estavam tão bonitas (Foto 1): isto deve-se a ter chovido muito acima do normal e ― pela primeira vez ― a não terem sido podadas (parece que as minhas reclamações foram ouvidas). Podadas é uma maneira de dizer, não terem sido mutiladas, que é o que a autarquia de Palmela tem feito no meu bairro desde que aqui vivo (presumo que, também, no resto do município). Os resultados vêem-se nas Fotos 2 e 3 e só a falta de espaço me impede de mostrar mais exemplos deprimentes. Nem os pluviosos Outono e Inverno colmataram os danos irremediáveis nas nossas úteis e pacíficas árvores. Sem estes disparates ter-se-iam, ainda, poupado muitos milhares de euros, mais bem empregues a substituir as três que na minha rua morreram e estão por substituir há 22 anos (e muitas outras). Ou a regar e adubar, em Janeiro, as mais frágeis para atingirem a plenitude. Mas tudo isso só se faz se houver uma política autárquica planeada e programada de renaturalização dos espaços urbanos, e uma manutenção monitorizada (com o plantio de árvores nas ruas e a criação de jardins e parques). Portanto, uma política inteligente, racional e persistente, e não as acções «Ad hoc» como estas podas «assassinas», que não são mais do que verdadeiros «crimes ecológicos» contra as nossas indefesas árvores. Todo este improviso ainda contempla a escolha das espécies inadequadas para os pequenos espaços urbanos (como os plátanos, que ainda são alergénicos), num claro abandono das nossas espécies autóctones, de folha perene e, algumas, aromáticas, como as laranjeiras, os loureiros, as tílias, etc.): mas tudo isto é demasiada areia para a pequena camioneta da autarquia de Palmela. Se nem põem ordem no trânsito com sinais, passadeiras de peões ou lombas, não constroem passeios (estando há mais de 21 anos em infracção da lei de acessibilidades), como podem ter uma política planeada e programada de renaturalização dos espaços urbanos?



Renaturalizar e manter os espaços urbanos cuidados não é um devaneio nem um luxo: é uma necessidade imprescindível à qualidade de vida dos munícipes. As árvores têm por funções manter as ruas à sombra, regular e fazer baixar a temperatura, libertar oxigénio, absorver dióxido e monóxido de carbono e outros poluentes e ainda nos ajudam a respirar e são adoráveis de se ver. Em suma, combatem as alterações climáticas, que ao contrário do que alguns autarcas pensam, não se combatem com a retórica nos encontros, com a produção de planos, no papel, de combate às ditas alterações climáticas e com as respectivas notícias na Comunicação Social, para mostrar que não estão hibernados.
Viver num lugar cheio de árvores e de verde é uma bênção. Mas para isso é preciso saber e querer tratá-las como merecem. Infelizmente, há alguns autarcas que não merecem as árvores que têm nos seus municípios.