A distinção da Reabilitação e Reconversão do Convento de Jesus em Museu, em Setúbal, com o Prémio Regional de Arquitetura de Lisboa e Vale do Tejo – Prémio Ruy d’Athouguia, na categoria Salvaguarda do Património, é uma notícia que honra Setúbal e toda a Região de Lisboa e Vale do Tejo.
O prémio, promovido pela Secção Regional de Lisboa e Vale do Tejo da Ordem dos Arquitectos e com o patrocínio da CCDR LVT, valoriza obras que elevam a qualidade arquitetónica e contribuem para a criação, reabilitação e salvaguarda do património edificado e paisagístico. Ao reconhecer o projeto de João Luís Carrilho da Graça, pela obra promovida pelo Município de Setúbal, distingue-se também uma visão: a de que o património não é apenas uma herança histórica, mas um recurso vivo, capaz de gerar conhecimento, fruição cultural, coesão social e desenvolvimento.
O Convento de Jesus é um dos mais importantes testemunhos do manuelino em Portugal, monumento nacional e, desde 2011, Marca do Património Europeu. A sua reabertura, depois de um longo e exigente processo de reabilitação, devolveu à comunidade um lugar central da memória coletiva e reforçou a atratividade cultural de Setúbal, da Península e da Região.
Esta intervenção demonstra, dessa forma, a importância dos fundos europeus quando colocados ao serviço de uma estratégia clara. A recuperação do Convento, a reabilitação das alas, claustros, Igreja Matriz e Coro Alto, e a requalificação da sua envolvente foram apoiadas por fundos europeus do Programa Regional de Lisboa, num investimento total superior a 5,65 milhões de euros. Mais do que números, este investimento traduz uma escolha pública: preservar, qualificar e abrir o património a todos os cidadãos.
Esta escolha traduz-se no pensamento da CCDR LVT para o território: onde se defende que a cultura, a arquitetura, o ordenamento do território e o desenvolvimento regional não são áreas separadas. São dimensões de uma mesma política pública: a construção de territórios mais qualificados, sustentáveis e inclusivos. E o Convento de Jesus é hoje um exemplo eloquente dessa convergência e sinergia de políticas e investimentos públicos.
O Prémio Ruy d’Athouguia confirma, assim, que a arquitetura tem a capacidade de cuidar da memória e, ao mesmo tempo, preparar o futuro. Celebrar esta distinção é reconhecer o mérito do arquiteto Carrilho da Graça, do Município de Setúbal e de todos os que, ao longo dos anos, persistiram na concretização desta obra. Mas é também afirmar um compromisso: continuar a investir na valorização do património cultural da região como fator de identidade, conhecimento e desenvolvimento.