Presidente da Casa dos Marcos diz que situação está a ser negociada há um ano e julga que mudança é “para breve”
Depois de um ano de negociações, a Raríssimas poderá passar para a gestão da União das Misericórdias e adotar um novo nome. Fernando Ferreira Alves, presidente da Casa dos Marcos, afirma que o processo está em curso e que a concretização poderá ser próxima, dando fim a uma fase de transição e incerteza na instituição.
Depois de algumas denúncias, nomeadamente pela falta de profissionais de saúde que conseguissem responder às necessidades do CACI – Centro de Actividades e Capacitação para a Inclusão e da UCCI – Unidade de Cuidados Continuados, as quais o presidente confirma, Fernando Alves fez-se acompanhar, para esta conversa com O SETUBALENSE, da tesoureira da instituição Ana Cristina Pinto, que explicou o fundamento das mesmas. “É verdade que há uma falta de fisioterapeutas aqui, porque, estando esta associação da maneira que está, não podemos pagar aquilo que os fisioterapeutas realmente desejam. No entanto, as pessoas que precisam de fisioterapia, continuam a tê-la e têm melhorado bastante desde que cá estão. Mesmo com todos os contingentes”.
Quanto à falta de enfermeiros, o presidente conta que houve uma “grande dificuldade” em determinar as escalas para o mês de fevereiro, mas que estas acabaram por ser feitas. “Tentei falar com a União das Misericórdias para ver se nos arranjavam enfermeiros e disseram que também estavam com problemas de enfermagem”, disse.
Ambos os membros da direção quiseram igualmente esclarecer que há determinados equipamentos que os utentes devem ter e que não são responsabilidade da instituição. As cadeiras de rodas, apropriadas à condição de cada paciente, ou as medidas de contenção para que estes se mantenham estáveis nestas mesmas cadeiras, devem ser fornecidas pelas famílias, segundo os responsáveis.
Apoios monetários não chegam para “manter a casa a funcionar”
Fernando Alves explica que a Unidade de Cuidados Continuados pertence ao Ministério da Saúde e que, quando as pessoas têm uma estadia mais prolongada, “a Segurança Social pode dar também alguma colaboração monetária”. Já na parte do CACI, “o único apoio é da Segurança Social, que destina uma verba mensal a cada utente, sendo o resto dado pela família do utente conforme os seus rendimentos”.
O presidente afirma que estas verbas “não chegam para manter a casa a funcionar”. “Se eu tiver uma lâmpada fundida ou se tiver um problema na cozinha, nós é que temos de ter dinheiro para que isso se resolva”, disse para acrescentar em seguida que os mecenas que ajudavam a Raríssimas há uns anos, desapareceram após a polémica com a ex-presidente Paula Costa. “Já se tentou contactar esses mecenas há muito tempo e eles dizem que só voltarão se a casa mudar de nome. Há uns tempos, dei a listagem desses nomes à União das Misericórdias, os mecenas foram contactados novamente e dizem o mesmo. Enquanto não mudarmos de nome, não nos dão nada”, refere.
União das Misericórdias pode vir a gerir a Casa dos Marcos
A mudança de nome da instituição, assim como a gestão da mesma, pode estar para breve. As negociações estão a decorrer há um ano, tal como confirmou Fernando Alves, e aguarda-se apenas que uma “determinada verba” seja desbloqueada pelo Governo. “O que está previsto que aconteça é que a União das Misericórdias agarre nisto. A direção desaparece e eles é que ficam a tomar conta”, indica, com esperança de que isso aconteça “em breve”.
Devido à necessidade de fazer obras nas duas valências da Casa dos Marcos, os utentes da Unidade de Cuidados Continuados estão a ser transferidos e já não chegam quaisquer utentes novos. “Estão a ser transferidos lentamente. Os últimos vão ser cerca de seis pessoas que temos em período de longa duração. Esses são os únicos que não têm ainda previsão de sair, todos os outros vão sair durante o mês de Março”, esclarece Ana Cristina Pinto.
“Esta casa está a precisar realmente de muitas obras, é uma verdade. Por exemplo, nós precisamos, e é vontade da União das Misericórdias, de aumentar as salas no CACI. O ideal é que os utentes andem durante o dia de um lado para o outro. Que possam ir para a cerâmica ou para a música, ou seja, não estarem sempre no mesmo sítio”, diz o presidente.
Numa reunião que teve com pais e familiares dos utentes, onde deu conta destas informações, Fernando Alves garantiu que “todos eles estavam satisfeitos com a solução”.
O presidente da instituição diz querer sair da Raríssimas de consciência tranquila e confessa que gostava de entregar a casa “a quem de direito que possa, orgulhosamente, continuar a ter os meninos todos”.
O SETUBALENSE enviou um conjunto de perguntas ao Instituto de Segurança Social que, até ao fecho desta edição, não respondeu.