Iniciativa arranca no Barreiro e visa “colocar todas as pessoas em pé de igualdade”. Álvaro Amaro realça o cariz aberto à participação do cidadão comum
O turismo vai ser um dos temas em destaque no ciclo de cinco encontros que a Comunidade Intermunicipal (CIM) da Península de Setúbal vai promover, a partir de hoje e até à próxima sexta-feira, sempre a partir das 14h30, em outros tantos concelhos da região.
A iniciativa visa auscultar cidadãos, empresas, associações, instituições, agentes económicos e sociais e outros atores do território, tendo em vista a recolha de contributos para a construção do Plano Estratégico da Península de Setúbal para o horizonte temporal 2028-2034. Responder a uma única pergunta – “o que precisa de mudar na Península de Setúbal?”, nas mais diversas áreas – é ponto-chave.
É com este propósito que a CIM vai percorrer a região, para ouvir quem nela vive, trabalha, investe e conhece os seus problemas e oportunidades.
Esta segunda-feira, o Barreiro acolhe o primeiro encontro, subordinado ao tema “Saúde, Habitação, Demografia e Coesão Social”. Amanhã, em Sesimbra, estará em cima da mesa o tema “Turismo, Cultura, Desporto, Identidade e Atratividade Territorial”. Segue-se Setúbal, na quarta-feira, com “Ambiente, Agricultura, Pescas e Resiliência Territorial”, Almada, na quinta-feira, com “Economia, Emprego, Inovação e Qualificação”, e Seixal, na sexta-feira, com um encontro dedicado ao tema “Mobilidade, Infraestruturas, Ordenamento e Conectividade”, que encerra a iniciativa.
Cada encontro, anunciou a CIM, irá iniciar-se com uma conversa com investigadores da Universidade Politécnica de Setúbal, Nova FCT e Egas Moniz School of Health & Science, moderada por Miguel Major.
“O conhecimento académico servirá como ponto de partida para olhar para os desafios da região, cruzando diferentes perspectivas sobre cada um dos temas. Mas o centro dos encontros será o próprio território. A partir das 15h15, a palavra passa aos participantes, num espaço de debate e auscultação pensado para ouvir quem conhece estas realidades no terreno: cidadãos, empresas, associações, instituições e profissionais de diferentes setores poderão identificar problemas, apresentar propostas e apontar oportunidades e prioridades para o futuro da Península de Setúbal”, lê-se no comunicado divulgado pela entidade intermunicipal.
Os contributos recolhidos vão juntar-se depois aos de “outros momentos de auscultação já realizados com instituições, agentes económicos e sociais, entidades públicas e privadas e academia, contribuindo diretamente para a definição das prioridades do Plano Estratégico 2028-2034”.
“Os temas não estão municipalizados”
De acordo com Álvaro Balseiro Amaro, primeiro-secretário executivo da CIM, estes cinco encontros visam, desde logo, “colocar todas as pessoas em pé de igualdade para poderem participar”. Em entrevista à Rádio Popular FM (90.9), o responsável salientou que o objetivo “não é ter preletores e debate”, para que depois seja possível à plateia fazer uma pergunta.
“Vamos ter académicos e membros da equipa do instituto que trabalham em dossiers desta natureza, que vão falar pouco e fazer provocações [à plateia]. Queremos que todos os participantes, seja um cidadão comum interessado ou com um problema, seja um técnico de uma autarquia, seja uma associação representativa de um setor, possam dizer qual é a sua visão, quais são as necessidades e as prioridades e as suas expectativas”, detalhou, para justificar de seguida: “É isso que o estudo deve acolher.”
Quanto à distribuição dos diferentes temas por cada um dos municípios que vão acolher a iniciativa, Álvaro Amaro garantiu: “Os temas não estão municipalizados. É óbvio por que é que vamos falar de pescas em Setúbal e não no Seixal. Mas o nosso objetivo foi distribuir [os encontros] pelos vários municípios que ainda não acolheram iniciativas da CIM”, explicou.
A CIM começou por realizar “um fórum em Palmela”, aprovou “a metodologia do plano no Montijo” e o Conselho Estratégico “tomou posse e reuniu-se em Alcochete”, lembrou. “Nós temos que pôr esta matéria presente em cada um dos concelhos… De uma forma geral, o que presidiu a esta distribuição [dos temas] foi levar a ‘temática plano, região, CIM’ aos municípios que ainda não tinham acolhido qualquer iniciativa desta Comunidade [Intermunicipal], que é muito recente”, reforçou.
Em relação à data concreta em que o Plano Estratégico será apresentado publicamente, Álvaro Amaro foi perentório: Janeiro de 2027, e não é apenas um limite do caderno de encargos. A CIM adjudicou a elaboração do plano ao Centro Estratégico de Inovação Territorial (CEIT) pelo valor de 47.777,00 euros + IVA. O processo ficou “fechado” na reunião do Conselho Intermunicipal, realizada no dia 11 de Junho, em Palmela.
Do Barreiro ao Seixal Os locais e as temáticas em cima da mesa
O ciclo de encontros arranca hoje no Barreiro, na Casa da Cidadania Cabós Gonçalves, com o tema “Saúde, Habitação, Demografia e Coesão Social”. Amanhã, a iniciativa prossegue em Sesimbra, na Escola Conde Ferreira, com “Turismo, Cultura, Desporto, Identidade e Competitividade Territorial” em foco. Na quarta-feira, em Setúbal o encontro terá lugar no Auditório Charlot e será subordinado ao tema “Ambiente, Agricultura, Pescas e Resiliência Territorial”. Quinta-feira, a iniciativa chega a Almada, à Sala Pablo Neruda, no Fórum Romeu Correia, com o tema “Economia, Emprego, Inovação e Qualificação”. O ciclo de encontros termina na sexta-feira, no Seixal, com o auditório dos Serviços Centrais da Câmara Municipal a auscultar os presentes sobre “Mobilidade, Infraestruturas, Ordenamento e Conectividade”. Todos os encontros iniciam-se às 14h30 e as inscrições são gratuitas.