9 Dezembro 2022, Sexta-feira
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“Os municípios têm de entender que a educação ambiental é um benefício para o território”

O presidente da ASPEA, Joaquim Ramos Pinto, alerta que a Câmara de Almada não pode deixar cair o trabalho que tem feito no sector do ambiente

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O Piaget em Almada foi escolhido para receber a 28.ª edição das Jornadas Pedagógicas de Educação Ambiental. O encontro que reuniu vários técnicos de ambiente e de Organizações Não Governamentais, foi organizado pela Associação Portuguesa de Educação Ambiental (ASPEA) em parceria com a Câmara de Almada.

Em entrevista a O SETUBALENSE, o presidente da ASPEA, Joaquim Ramos Pinto, afirma que a educação ambiental tem de envolver todos, incluindo crianças, jovens e educadores para conduzir a uma firme alteração de comportamentos pelo futuro do Planeta.

Defende que os municípios têm de entender a educação ambiental como um benefício para o território e não um entrave.

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As conclusões das jornadas, de 8 a 10 de Abril, adianta que vão resultar em reuniões com a nova tutela da Educação e do Ambiente, e dar continuidade ao trabalho que a associação tem vido a fazer com a Associação Nacional de Freguesias e Associação Nacional de Municípios Portugueses.

Qual a importância da educação ambiental como cultura democrática?

Consiste em capacitar a sociedade para intervir de forma colaborativa nos processos de decisão política. Ou seja, é cada vez mais importante que a sociedade, incluindo jovens e crianças possam participar nos projectos de construção destas políticas. Com isso, não só conseguiremos avançar para sociedades ambientalmente responsáveis e justas para as metas definidas na Conferência de Paris sobre a emergência climática e perda de biodiversidade. Todos estes sistemas ambientais só são possíveis se avançarmos com medidas de adaptação, e isso obriga ao envolvimento de todos.

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A educação ambiental é a forma de trabalharmos consciências para a responsabilidade ambiental, e encontrarmos soluções nas propostas políticas, trazê-los aos processos de decisão. Para isso temos de ter uma sociedade comprometida e mobilizada para fazer parte da solução, e não apenas exigir. É preciso conhecer para agir.

Como integrar as crianças e os jovens em projectos de educação ambiental, e fazerem parte activa nesta área dentro da comunidade?

Temos o projecto “Vamos cuidar do planeta”, que funciona em rede, e cuja metodologia, através do trabalho com outras organizações europeias, responde a como vamos envolver os jovens nestas questões e interessá-los nos interesses sobre os temas que fazem parte da agenda política.

O projecto “Vamos cuidar do planeta”, que faz dois anos, ajuda nesse sentido. É uma metodologia que passa pela formação e capacitação de professores para saberem argumentar e comunicar estes temas. É-lhes transmitido conhecimento científico para transmitirem o que está já a ser produzido para formar uma opinião e, depois, discuti-la sobre como intervir em determinada comunidade ou território. Primeiro é preciso saber quais são as possibilidades técnicas, e depois quais são as linhas de orientação política para aquela decisão.

Os jovens estudam matérias e prioridades que querem trabalhar, analisam e vão falar com técnicos e investigadores sobre esse tema, e adquirir conhecimentos para argumentar as suas ideias, e depois discutir com actores políticos dos vários órgãos autárquicos. Trata-se de esclarecer a forma como as políticas municipais estão a responder às prioridades definidas pelos jovens. Caso de temas como mobilidade urbana, gestão de resíduos, espaços verdes na cidade e espaços natureza.

O que podem os municípios fazer, caso do de Almada, dentro desta estratégia participativa dos jovens?

Devem entender a urgência de integrar nas suas políticas as estratégias municipais de educação ambiental. Desde 2017 que existe uma estratégia nacional de educação ambiental, que está neste momento em avaliação e revisão, esperemos que se prolongue até 2030, e é fundamental para as políticas ambientais. Os municípios têm de entender que a educação ambiental é um benefício para o território e não um entrave, como alguns consideram.

As políticas de educação ambiental têm de gerar uma maior participação da população, e existem organismos no terreno para promover essa participação.

É preciso conjugar uma estratégia que defina linhas, programas e prioridades que, depois de auscultadas as comunidades, coloque estas matérias a fazerem parte das páticas das pessoas. É ainda necessária a colaboração dos municípios com as organizações não governamentais para que se construam essas dinâmicas que depois reportam aos técnicos e políticos em diferentes formas de participação.

As estratégias de educação ambiental obrigam a que exista um plano, recursos, pessoas, equipamentos e meios financeiros. Uma autarquia que apenas faça uma campanha de sensibilização, por exemplos nas escolas, isso não é um programa de educação ambiental, um programa destes têm de ter orçamento.

No caso da Câmara de Almada, já teve uma dinâmica ao nível de educação ambiental muito grande, mas neste momento sentimos que está fragilizada, daí que tenha enviado uma mensagem à senhora presidente da Câmara [Inês de Medeiros] para que valoriza o trabalho feito pela Câmara ao longo dos anos, que valorize o know-how que os técnicos já têm, e que não perca esta riqueza para que o município não ande para trás muitos anos nas prioridades ambientais.

 

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