26 Outubro 2021, Terça-feira
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Mário Rui Baltazar: “Há muitas candidaturas porque o concelho de Palmela não está em condições”

Cabeça-de-lista do partido RIR diz que a grande quantidade de candidatos é sinal de insatisfação com a política municipal

 

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O candidato à Câmara de Palmela pelo partido RIR (Reagir, Incluir, Reciclar), de ‘Tino de Rãs’, é funcionário municipal da autarquia a que concorre. Mário Baltazar, tem 53 anos, é natural e residente em Palmela. Foi eleito deputado municipal pelo Movimento Independente pela Mudança (MIM), do qual entretanto se desvinculou. É licenciado e mestre em Psicologia Clínica, divorciado, e pai de três filhos.

Há quatro anos foi candidato pelo MIM e agora candidata-se pelo RIR. A justificação que tem dado é que a candidatura do MIM deixou de ser independente e passou a ser controlada por um partido. Mas a sua também é por um partido. Qual é a diferença?

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Inicialmente estava a assessorar o vereador José Calado, e, em determinada altura, decidi que iria sair no final deste mandato. Tendo em conta as situações que aconteciam na altura no nosso concelho, resolvi dar continuidade. Após uma conversa com o vereador José Calado, a situação foi-me exposta e colocaram-me numa posição que não achei muito agradável. Com a chegada do CDS-PP saí, desvinculei-me da Assembleia Municipal, do MIM e da Assembleia de Freguesia [de Palmela], e passei a ser independente. Automaticamente apareceu um convite por parte do partido RIR e nessa altura decidi que seria um projecto de agarrar.

Explicou como foi o processo, mas não porque deixou o MIM. Foi por não ser cabeça-de-lista?

A posição que me foi oferecida não era aquela que mais queria. Durante os quatro anos fui das pessoas que sempre estiveram ligadas, sempre trabalhei em prol do MIM e chegámos a um certo ponto em que o MIM tinha meia dúzia de pessoas. Depois desta coligação com o CDS/PP deixei de me rever nesse projecto. E foi a razão que me fez sair por completo.

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Parece ter subsistido alguma animosidade entre Mário Baltazar e o MIM. Há indirectas no Facebook.

Não há indirectas. Eu não escrevi nada em relação ao MIM, já pedi a todas as pessoas e ao departamento de marketing que não o faça. Não tenho nada contra o MIM, simplesmente não me revejo no projecto.

Tem dito que Álvaro Amaro tem uma gestão pior do que a de Ana Teresa Vicente e de Carlos de Sousa. Porque diz isso?

Sou funcionário da Câmara há muitos anos, nascido e criado em Palmela há 53 anos, como disse. Nunca se viu onosso concelho como se tem visto nestes últimos anos, principalmente nestes últimos quatro anos. Houve uma estagnação. Álvaro Amaro não conseguiu ter as equipas certas, nos sítios certos, para desenvolver o concelho da forma que deveria. A seis meses das eleições é quando Álvaro Amaro coloca placas em todo o lado a dizer que faz obras. Estamos a meter alcatrão onde nem sequer existe saneamento só para iludir o povo.

Está a falar de que zonas?

Estão a ser feitos aceiros e colocadas placas para novas obras que já deveriam ter sido feitas. Se formos aos programas da CDU, algumas delas eram para ter sido feitas em 2000, como, por exemplo, em Cajados. Estamos em 2021, são 21 anos depois, e agora lá decidiram fazer a obra. Temos outros aceiros onde continuamos a meter alcatrão sem que primeiro se faça o saneamento, ou seja, estamos a gastar dinheiro duas vezes.

Álvaro Amaro passa a ideia de que é o presidente mais concretizador. Diz que este é o mandato com mais obras no concelho. Não reconhece isso?

Se formos ver o último ano, os últimos seis meses, talvez. Nos primeiros três anos deste mandato, nada disso aconteceu. Quem faz parte da Assembleia Municipal e faz parte do projecto, consegue ter a percepção. E se formos ver, inclusivamente, às 400 medidas que o presidente Álvaro Amaro apresentou em 2017, percebemos que maior parte já vinha do anterior mandato, e que não foram realizadas. E algumas delas irão aparecer no mandato 2021-2025. O que está a concretizar neste momento, está tudo a ser feito à pressa para iludir a população e para que se consiga manter mais quatro anos no poder.

Está numa situação profissional que não o deixa muito satisfeito. Esse descontentamento não influencia esta sua análise?

Não tem nada que influenciar. Quando saí do gabinete onde estava a trabalhar com o vereador José Calado, o presidente Álvaro Amaro decidiu que o sector correcto para mim seria o das estruturas da rede viária. Lamentavelmente, nesse local não tenho trabalho e passo o dia sem fazer nada. Mas isso não influência a minha análise, porque quando tinha críticas a fazer ao actual presidente, sempre as fiz. Neste momento faço essas críticas porque não podemos continuar a fazer uma gestão em que “encostamos as pessoas”, para que estas não se possam “movimentar”. Não podemos tirar trabalho às pessoas, que é o que está a acontecer comigo e com outros na autarquia.

Que razões encontra para ter sido “encostado”, como disse?

Sendo candidato por um partido, quanto mais tempo estiver escondido menos contacto existe com a população. Até posso dizer que vários colegas, que me falavam muito bem, hoje, têm receio de falar comigo dentro dos armazéns gerais.

Tem feito muitos elogios a Carlos Sousa, antigo presidente da Câmara e candidato independente. Se tivesse sido convidado, integrava essa candidatura?

Não fui contactado pelo Carlos Sousa, porque na altura pertencia ao MIM. Se tivesse sido contactado e se achasse que o projecto tinha condições, nunca se sabe se não poderia ingressar no projecto. Os elogios que faço ao Carlos Sousa, continuarei a fazer. Enquanto foi presidente, eu tive o prazer de trabalhar com ele, sempre esteve na primeira linha quando eu precisei e fui bem recebido.

Mas foi bom para o Mário Baltazar, pessoalmente, ou foi bom para o concelho?

Carlos Sousa fez um bom trabalho para o concelho. A sua candidatura é mais uma alternativa que existe neste momento aos 45 anos de PCP. Se pessoas que estavam afastadas estão a aparecer, com candidaturas de alternativa, como independentes ou por partidos, é porque realmente o nosso concelho não está em condições. Caso contrário, provavelmente as pessoas estariam quietas e deixariam de trabalhar. Carlos Sousa, há quatro anos, apoiou Álvaro Amaro.

Quais são os principais problemas que identifica no concelho?

Um grande problema é o urbanismo. Começaríamos por aí. Eu e vários outros candidatos temos falado desta matéria e Álvaro Amaro já mudou a equipa, mas o problema persiste. Ele assumiu esse problema numa entrevista que vos deu. Depois temos a questão da recolha de monos, que não está resolvida, o lixo dos jardins, temos a questão, muito grave, de o senhor presidente dizer a alguns munícipes que, por vezes, não resolve o problema por ser uma questão política. Não podemos meter as questões políticas à frente dos munícipes, que pagam os impostos.

Qual é o problema do urbanismo?

Provavelmente será da gestão, de quem lá está lá, porque não consegue resolver as situações. Há quem tenha projectos há dois e três anos à espera para serem resolvidos. Se colocarmos as peças certas nos locais correctos, as coisas têm um andamento totalmente diferente.

A recolha do lixo e higiene urbana estão repartidas entre dois vereadores (CDU e PS). Qual responsabiliza mais por aquilo que diz ser um mau funcionamento?

Temos que responsabilizar os dois. Eles têm de trabalhar em conjunto, se têm a mesma área. A questão é que, provavelmente, a Câmara tem que fazer como há anos atrás, adquirir mais viaturas, e trabalhar de uma forma diferente.

Quais são as suas propostas para enfrentar estes problemas?

A alternativa que propomos é a aquisição de viaturas e a colocação de mais pessoas para trabalhar. Se tivermos que fazer um novo turno, para conseguirmos fazer a recolha de todos esses materiais, estamos disponíveis para tal. Temos, também, que rever o contrato com a empresa e apertar mais um pouco com esses serviços, porque não estão a ser prestados da melhor forma. Já assisti a alguns carros do lixo não fazerem a recolha de contentores porque estão meio-cheios. Mas o combustível já está gasto e, no dia seguinte, o lixo amontoa-se à volta desses contentores. E há pessoas que, para não abrirem o contentor, atiram o saco para o chão. Temos também que passar a mensagem essas pessoas que, se queremos um concelho limpo, elas têm de contribuir.

Como pode o urbanismo funcionar melhor sem perder o rigor que é necessário?

É mudar ali duas ou três peças. E todos nós sabemos quais são. Estou a falar de técnicos responsáveis pelos serviços.

Acha mesmo que o RIR pode ter maioria ou quando fala em ser alternativa é a outro nível?

Quando vamos a jogo, é para ganhar. Os outros partidos já têm os seus próprios votantes, o nosso grande objectivo é trabalhar a abstenção, trazer a população que está cansada e que não vai a votos porque está farta destas políticas. Cabe ao povo analisar se seremos mesmo alternativa. Somos um grupo de pessoas honestas, simpáticas, estamos em contactos por todo o concelho. Continuaremos a trabalhar e seremos mesmo a alternativa. Cabe ao povo decidir e o povo está a aderir, está a gostar do nosso logo e dos nossos projectos. Somos o partido do povo, logo penso que teremos um bom resultado.

Porque diz que o povo está a aderir?

Por tudo o que se vê na campanha, pelas nossas redes sociais, as mensagens que nos enviam, levam-nos a perceber que o povo está a querer vir para o nosso lado. Isso dá-nos muito mais motivação para trabalhar. Sentimos o cansaço das pessoas com estas políticas, devido ao esforço que fazem para chegar à Câmara e a forma como são atendidas pelos serviços.

Porque acha que a Câmara tem responsabilidade na deslocalização da sede de Comissão Vitivinícola Regional da Península de Setúbal (CVRPS) do concelho de Palmela para Setúbal?

É uma situação que vem de trás. A água bate na rocha até que um dia parte e foi o que aconteceu. O presidente Álvaro Amaro teve tudo o para manter cá a CVRPS. Havia espaços que podiam ter sido alternativa. Álvaro Amaro é de ideias fixas, ele pode, quer e manda. Se as coisas não são como ele quer, deixam de funcionar e as pessoas acabam por sair. Ainda esta noite estive até às duas da manhã em contacto com empresários que saíram do concelho pelas burocracias que a Câmara está a implementar. Estamos a perder empresários e emprego e nós queremos trazer isso de volta.

Mas relativamente à CVRPS, pode ser mais objectivo? Concretamente, o que queria a CVRPS que a Câmara ou Álvaro Amaro não concederam?

Não sei ao certo o negócio, mas o que me chegou é que era a questão do espaço. Penso que o local adequado seria dentro de Palmela, não fora, porque temos a Casa Mãe da Rota dos Vinhos, e um espaço que poderia ser usado para a CVRPS. É normal não terem aceitado ir para outro extremo do concelho e terem acabado por sair.

O que será um bom resultado para a sua candidatura?

Ganhar a Câmara. Trabalharemos para tal, independente das dificuldades. Nós vamos ter voz dentro da Câmara, de certeza.

Se não conseguir esse resultado, tenciona manter a actividade partidária no âmbito do RIR?

Sim. Continuarei a trabalhar e a desenvolver o RIR no concelho. Continuaremos a trabalhar com toda a dignidade e honestidade, e sempre a passar informação aos nossos munícipes, apresentando, nas reuniões certas, os problemas que existem e o que achamos que deve ser mudado.

Se for eleito vereador está disponível para aceitar pelouros e viabilizar um executivo minoritário?

Falaremos na altura certa, ainda é cedo. Primeiro vamos fazer a campanha, passar a nossa mensagem e, no dia 27 ou 28, estaremos disponíveis então para falar.

Como vê o facto de haver tantas candidaturas em Palmela?

É por as pessoas estarem cansadas desta política de 45 anos de CDU. Logo faz com que apareçam novos movimentos, novos partidos que não concorriam a Palmela e estão neste momento a concorrer, para tentar dar bem-estar às populações.

Que efeito eleitoral espera desta profusão de candidaturas?

Vai ser uma dispersão de votos. Se não conseguirmos trabalhar a abstenção, e os votos forem os cerca de 23 mil de 2017, se houver dispersão, poderá alguém ganhar a Câmara com quatro ou cinco mil votos.

Apoio à produção: Adrepal – Espaço Fortuna, Artes e Ofícios

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