23 Outubro 2021, Sábado
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Bruno Vasconcelos: “2021 ficará marcado pelo fim do poder do PCP no Seixal”

O candidato do PSD coloca como prioridades alargar a Ponte da Fraternidade e lançar uma alternativa à nacional 10

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Bruno Miguel Machado Vasconcelos, 37 anos, casado, pai de um filho de três meses, é licenciado em Gestão de Sistemas de Informação pela Escola Superior de Ciências Empresariais do Instituto Politécnico de Setúbal, onde é assistente convidado, é ainda consultor sénior SAP, e profissionalmente, está ligado à área da informática.

Membro do PSD desde 2004, é actualmente líder da concelhia do partido no Seixal. Eleito à Assembleia de Freguesia de Amora, passou pela vereação da Câmara do Seixal. Pertence, actualmente, aos corpos dirigentes do Amora FC.

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Coloca matérias como o mobilidade, segurança, saúde e emprego como principais vectores das propostas do PSD para o concelho. Sobre a governação da CDU, diz que não tem sabido lidar com a democracia e deixa muitas promessas por cumprir.

O que o move para entrar nesta batalha eleitoral?

Ser representante da população do concelho do Seixal. O PSD tem feito um bom trabalho no levantamento e tratamento de questões, que depois faz chegar aos órgãos competentes.

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Em que bases assenta a sua campanha?

Poderemos dizer que assenta em quatro vectores principais: mobilidade, segurança, saúde e emprego. No que respeita à mobilidade, há problemas factuais que existem no concelho: congestionamento da Ponte da Fraternidade e ausência de alternativa à Estrada Nacional 10. Comprometemo-nos a dar solução a estes dois problemas no primeiro ano do nosso mandato.

Quanto à segurança, não nos conformamos que o concelho do Seixal continue a ser o 5.º a nível de criminalidade, em termos distritais. Queremos aparecer nas notícias pela nossa capacidade inovadora e qualidade de vida, nada que tenha a ver com criminalidade. Há que alterar a estratégia do município nesta área. Em vez de se exigir tudo ao Estado, colaboraremos com a polícia e criaremos uma Polícia Municipal. Temos de lançar, também, uma rede de guardas-nocturnos e reforçar o policiamento de proximidade.

No que diz respeito à Saúde, há muito que o PSD defende uma aposta nos cuidados de saúde primários. O nosso compromisso é acordar com o Ministério a criação de centros de saúde nos Foros de Amora e em Paio Pires. Sabemos que não é esta uma competência do município, mas queremos avançar com a iniciativa, à semelhança de outros municípios. Vamos garantir que funcionem com os recursos humanos adequados, bons equipamentos e horários alargados, para desafogar as urgências do Hospital Garcia de Orta.

E sobre o último vector: o emprego?

Criaremos condições para que empresas se deslocalizem para o nosso concelho, na perspectiva de emprego de qualidade. Tal só é possível desde que haja condições de mobilidade, saúde e baixa criminalidade. O concelho tem de tornar-se atractivo. Há que criar mais espaços públicos de lazer, não esquecendo a manutenção dos já existentes. Com a nossa gestão da Câmara, será feita a manutenção destes espaços de três em três meses, pelo menos, e não a seis meses das eleições.

Que modelo de desenvolvimento advoga para o Seixal?

Um modelo claramente assente no da criação de emprego: criação de postos de trabalho de qualidade, e não apenas emprego sazonal, mal pago, alicerçado em supermercados e centros comerciais.

Queremos que as empresas se instalem no nosso concelho, como impulsionadoras do desenvolvimento local, que tragam mais famílias com olhos postos no futuro. Temos a certeza que isto só acontecerá com uma mudança de rumo político. “É Agora!”, como diz o nosso slogan. Se Novembro de 1989 ficou na história pela queda do Muro de Berlim, Setembro de 2021 ficará marcado pelo fim do poder autárquico do Partido Comunista no concelho do Seixal.

Queremos transformar o Seixal numa smart city: ser uma smart city não é comprar apps avulso, que na maioria do tempo nem funcionam. É montar uma rede de serviços interligados e recolher dados para gerar informação, é mudar comportamentos e ajustar serviços em tempo útil. Exemplo: a recolha de resíduos, tráfego e transportes (dos tempos de chegada à reorganização de carreiras).

Discorda da actual estratégia de Ambiente da Câmara?    

No capítulo do Ambiente, queremos um concelho que acompanhe as melhores práticas e se torne uma referência nas políticas ambientais com uma estratégia de adaptação às alterações climáticas que promova uma melhor coordenação entre agentes privados e públicos, evitando males maiores a prazo, maiores investimentos de correcção e medidas coercivas.

Queremos reduzir o desperdício de água através do reaproveitamento da mesma nos edifícios municipais, hortas e jardins.

Outro exemplo: não podemos continuar a gastar milhares de euros em coisas só para saírem em fotografia na página paga do Facebook do Joaquim Santos, como aconteceu com a “ciclovia”… O PSD quer uma ciclovia que ligue os vários pontos de interesse do concelho, que realmente permita a utilização da mobilidade suave como meio de transporte e lúdico.

Acrescento, ainda, que serão prioridades do nosso executivo assegurar água de qualidade e saneamento em todo o concelho, prevenir as pragas de ratos e baratas, prevenir as situações graves de escoamento de águas que todos os anos redundam em cheias e organizar uma recolha de resíduos mais eficaz.

Em sua opinião, quais os males deste mandato?

Deixe-me dizer que este mandato começou com uma grande vitória da democracia, quando o Partido Comunista perdeu a maioria absoluta. E o executivo do PCP não soube lidar com a democracia. Falta ainda cumprir Abril no concelho do Seixal, nomeadamente, a transmissão online das assembleias, a abertura do Boletim Municipal, a falta de resposta às perguntas que o PSD coloca ao executivo, as eternas promessas por cumprir, a propaganda e culto ao líder. Tudo isto nos custa milhares de euros e tem contribuído para o crescimento da dívida municipal, que é a quinta maior do País. Sentimos que as coisas são feitas ou programadas para a manutenção do poder, e não para o bem da população. Veja-se o caso do recente buraco da Ponte da Fraternidade: desde a primeira hora, o PSD propôs que se avançasse com a resolução do problema, enviando-se depois a respectiva factura à Infraestruturas de Portugal. Esta proposta foi rejeitada em Assembleia Municipal, mas passado três meses tomaram-na como se fosse deles.

Que razões encontra para esta longa permanência da CDU ao leme dos destinos do município?

A única razão é a abstenção eleitoral, que apenas favorece quem está no poder. O combate à abstenção e aproximação dos eleitores aos eleitos deveria ser um desígnio de todos os partidos. Nas eleições autárquicas de 2017, a taxa de abstenção baixou um pouco, e o PCP perdeu a maioria absoluta que detinha desde sempre. Lembre-se que o PSD tem feito a aproximação de que falei anteriormente, mantendo a porta da sede aberta para receber a população e organizando programas semanais online, onde se discutem os problemas mais prementes do concelho do Seixal. São apenas dois exemplos.

Que medida ou medidas tomará a curto prazo, caso venha a ser eleito?

Como disse há pouco, as prioridades são o alargamento da Ponte da Fraternidade e o lançamento de uma alternativa à Estrada Nacional 10.

Há sempre um sonho na cabeça de um homem, mesmo que o saiba irrealizável. Em termos autárquicos, quer confessar-nos o seu?

Eu tento ser pragmático, até em matéria de sonhos. Contudo, o que me deixaria pleno de satisfação era ver resolvido a contento de todos, o mais rapidamente possível, os problemas que representam o Bairro da Jamaica e o de Santa Marta. É inqualificável que, às portas da capital, ainda existam estes dois bairros que nos envergonham. E é também uma vergonha que os responsáveis locais, que nos governam há mais de quarenta anos, nunca tenham resolvido o problema.

Quando se fala do Seixal, é incontornável não vir à baila a construção do hospital, cujo processo tanto parece andar para a frente, como quedar-se bloqueado. Como iria encarar esse desafio?

Eu creio que o hospital no Seixal tem servido meramente para fins eleitoralistas. O projecto começou por ser o de um grande hospital, que se tem reduzido ao longo dos anos para se converter num equipamento de retaguarda do Garcia de Orta, com poucas camas e valências. Por conseguinte, o problema não está na construção, mas na manutenção. Daí, a nossa aposta nos cuidados de saúde primários, onde o município poderá tomar a iniciativa de construir centros de saúde, sem os estar sempre a reivindicar ao Estado Central. Tudo isto, evidentemente, enquadrado nos recursos existentes.

Como analisa a ascenção de formações da extrema-direita?

Vejo o crescimento dos extremos com algum receio, porque cresci em liberdade e em liberdade quero continuar a viver, sem limitações de liberdade individual, nem de liberdade de pensamento. A extrema-direita e a extrema-esquerda alimentam-se uma à outra, e podem acabar por destruir a nossa democracia.

A retirada de confiança política ao vereador Manuel Pires poderá ter salpicado, de uma maneira ou outra, a imagem do PSD a âmbito local?

Jugo que não. Creio, até, que é ao contrário. A continuação do vereador não estava de acordo com as expectativas das pessoas que votaram em nós. É o exemplo perfeito de que o PSD não está à venda. Além disso, colocamos sempre o interesse dos munícipes à frente dos cargos. É por isso que acreditamos que o concelho merece uma política mais independente.

Nas últimas eleições, o PSD alcançou cerca de 12% dos votos, contra os 36% da CDU e os 31% do PS. Este fosso não o assusta?

O PSD tem sido um partido presente, que faz política e apresenta propostas durante todo o mandato, embora não haja profissionais políticos na nossa estrutura. Trabalhamos para merecer a crescente confiança dos nossos munícipes. É preciso dar mais força ao PSD, e sendo nós a única alternativa ao socialismo, seja ele radical ou democrático, cremos que esse fosso vai ser reduzido, já que a população reconhece o nosso trabalho.

Está realmente confiante?

Muito confiante. O feedback que vamos recebendo das pessoas é positivo, há uma grande vontade de mudança.

Que poderão esperar de si, caso seja eleito, os trabalhadores da Câmara Municipal?

Respeito. Os trabalhadores da Câmara Municipal são excelentes profissionais. E ao verem o PSD a trabalhar com a população, eles colocar-se-ão nosso lado.

 

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