O Carlos Paião (que deu duas entrevistas a “O Setubalense” nos anos 80) tinha muito mais cor

O Carlos Paião (que deu duas entrevistas a “O Setubalense” nos anos 80) tinha muito mais cor

O Carlos Paião (que deu duas entrevistas a “O Setubalense” nos anos 80) tinha muito mais cor

É apenas uma opinião, mas é a opinião fundamentada no conhecimento (relativo, é verdade) de quem conheceu Carlos Paião

Estreou há dias nos cinemas nacionais, o filme o “Playback”, que, em poucos dias atingiu um número de espetadores que o colocou desde já, como o filme português mais visto do ano.

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Para as gerações mais novas, caso conheçam o nome, ele será seguramente associado quase exclusivamente ao tema que dá o nome ao filme, tema que, em 1981, venceu o Festival RTP da Canção. Mas Carlos Paião foi muito, muito mais do que isso e seria este ”muito mais” que se esperaria que o filme trouxesse. E não traz, em minha opinião.

Ok, é apenas uma opinião, a minha, mas é a opinião fundamentada no conhecimento (relativo, é verdade) de quem conheceu o Carlos Paião, de quem esteve em casa dele, de quem o entrevistou quatro vezes (duas delas em exclusivo para o jornal O SETUBALENSE) de quem viu alguns espetáculos (como então se chamavam os concertos), de quem teve algumas conversas informais, que revelavam um cantor que “não aparece” no filme. E não tem nada a ver com o ator Rafael Ferreira, que assume o papel do cantor de “Pó de arroz”.

Carlos Paião foi um observador da sociedade portuguesa, como poucos, com um sentido de humor raro, com uma acutilância não menos rara. E com uma veia criativa inesgotável, escrevendo a um ritmo alucinante. Escreveu cerca de 300 canções.

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Escreveu para Amália Rodrigues (O Senhor Extraterrestre, recuperado há uns tempos por Gisela João), para Herman José (“A canção do Beijinho”, “Serafim saudade” ou “Vamos Lá Cambada”, temas ainda hoje incontornáveis nos espetáculos de Herman José), e muitos outros, fez programas de televisão de enorme sucesso.

E depois, em 2026, num filme chega a “escuridão” das imagens, o cinzentismo das “casas”, dos “bares”, das “roupas”, do produtor Mário Martins da editora Valentim de Carvalho. Não, não era nada assim, era tudo mais “colorido”, mais “vivo”. Eram os anos 80, certo?

A expetativa quanto ao filme era enorme, porque Carlos Paião foi/é enorme, pelo que a deceção não é menor. Mas para os mais jovens, será necessário arranjarem novas formas de descoberta da vida e obra de um dos maiores génios da música portuguesa.

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Passam, no próximo dia 26, 38 anos da sua morte, num acidente de viação, a caminho de um concerto.

Opinião Musical

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