10 Maio 2024, Sexta-feira

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Arte de navegar na época dos descobrimentos ensinada a bordo da Vera Cruz

Arte de navegar na época dos descobrimentos ensinada a bordo da Vera Cruz

Arte de navegar na época dos descobrimentos ensinada a bordo da Vera Cruz

Iniciativa “Há Estrelas na Baía” demonstra como os navegadores encontravam o destino através da latitude das constelações

 

O conhecimento secular de navegar pelos mares foi passado em Setúbal, na Caravela Vera Cruz, a embarcação mais similar da época dos Descobrimento Portugueses, nesta segunda-feira, pelas 21 horas.

O GPS não existia há 500 anos, quando os portugueses decidiram arriscar a sorte pelo oceano Atlântico em busca de novas terras e riquezas  Apenas os mestres e os entendidos sabiam as direções certas para navegar.

Na iniciativa “Há Estrelas na Baía”, navegou-se pelo rio Sado junto do professor do Centro de Ciência Viva de Constância, Máximo Ferreira, que explicou a todos os que estavam a bordo as bases da navegação a partir das estrelas.

Em terra, muitas das constelações são invisíveis, porque a “poluição luminosa” ofusca o brilho das estrelas. Por isso mesmo, a caravela teve de zarpar em direção ao oceano, mas, a partir da zona da Comenda, foi possível parar e ver um céu completamente estrelado.

Antes demais, existe a necessidade de aprender a encontrar a estrela polar, já que é um astro que aponta sempre para norte e era a principal guia dos navegadores. Não se pode seguir para norte constantemente, se não os navegadores chegariam ao polo norte do planeta. Por isso, os mestres navegadores inventaram o astrolábio, um aparelho que permite medir a latitude da estrela Polar.

Caso a estrela tivesse uma latitude de 38 graus em Lisboa, isso queria dizer que essa tinha de ser a latitude encontrada pelos marinheiros ao regressassem a casa. Quando estivessem perto desse número, os navegadores tinham de virar a este e continuar a navegar até encontrarem terras portuguesas.

Máximo Ferreira ensinou a tripulação a utilizar esta ferramenta, além do quadrante e da balestilha e de outros instrumentos de navegação da época. Com recurso a um laser verde, apontou para os corpos celestiais mais emblemáticos e explicou como os encontrar.

“A maneira mais bonita de ver o céu é com os nossos olhos. Parece que estamos dentro de uma bola e que estamos no centro e que está tudo à mesma distância, mas a lua está a 380 mil quilómetros e Saturno a 1500 milhões. Algumas estrelas que estamos a ver agora estão a 700 anos-luz da Terra”, considerou o astrólogo.

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