A cultura que sai da comunidade académica e é servida à porta de lares e associações

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Grupo assume papel de destaque na sociedade setubalense. “Finura” e “Fim” são as duas peças a estrear já em Dezembro próximo

 

‘Mora’ no Instituto Politécnico de Setúbal (IPS), na Escola Superior de Educação, um grupo de teatro que se destaca pelo serviço prestado quer à comunidade académica quer à sociedade setubalense. O Grupo de Teatro do IPS, liderado pelo professor José Gil, foi oficializado em 2013, mas a actividade foi iniciada muito antes, congregando já décadas de trabalhos e apresentações.

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Na sua intervenção no Campus do IPS, o Teatro do Politécnico desenvolve um trabalho muito dinâmico e próximo de toda a comunidade da instituição. “O nosso elenco chega a ter alunos, professores e funcionários de toda a parte do politécnico”, afirma José Gil.

É comum, por exemplo, os alunos chegarem para fazerem umas horas para o seu currículo, mas também há os que chegam por curiosidade e oportunidade de fazer teatro.

“Chegamos algumas vezes a receber pessoas que querem fazer teatro, depois de assistirem a peças nossas”, salienta o professor. Para José Gil, há ainda um aspecto maior que marca, definitivamente, o ADN do Teatro do Politécnico, que é o trabalho para a sociedade, a comunidade local.

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Exemplo disso é a regularidade com que o Grupo de Teatro do IPS leva peças a lares de idosos, associações culturais ou sociais, fazendo aquilo que chamam de “teatro porta-a-porta”.

José Gil explica: “É um conceito muito importante, que nos aproxima da comunidade. É fundamental fazermos este tipo de teatro, um teatro de inserção social e cultural. É um teatro de intervenção”.

As actividades deste tipo, ainda que de maneira diferente, não deixaram de ser realizadas em contexto pandémico. “Nunca parámos durante a pandemia. Procurámos sempre alternativas. Os ensaios fizemos, e ainda fazemos alguns, por videochamada, e as peças fazíamos à porta das instituições, ou por telefone, por exemplo, com os idosos”, adianta.

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Liberdade para criação artística

O grupo goza também, segundo o professor, de uma grande liberdade de criação artística, não obstante trabalhar alguns clássicos e obras completas da dramaturgia. “Trabalhamos muito as peças originais, escritas pelo próprio elenco. Esse trabalho é importante porque permite aos actores e actrizes trabalharem a sua criatividade, mas também estarem dentro da peça desde o primeiro momento”, considera José Gil.

Além das ideias do elenco, e do próprio professor, é ainda habitual o grupo trabalhar histórias contadas por terceiros. “Somos um grupo muito próximo da comunidade e esse trabalho permite-nos recolher muitos testemunhos e histórias. É muito comum pegarmos nesse material e depois criar as nossas peças”, explica o responsável, ao mesmo tempo que realça a aceitação sentida”.

“As pessoas ficam muito contentes quando vêem que os seus testemunhos, e em alguns casos histórias de vida, são retractados nas peças”. Nesse âmbito enquadra-se a peça “Finura”, que estreia no dia 10 de Dezembro no Museu do Trabalho.

“É uma estória sobre uma personagem de Setúbal, o Finura. Conta a história de um conserveiro, que fez a sua fá brica na garagem de sua casa. A peça foi, em parte construída, com testemunhos e outro material que fomos recolhendo. Foi o elenco, juntamente comigo, que foi construindo a peça”, desvenda José Gil.

No que toca a peças de autores, o grupo encontra-se a trabalhar a peça “Fim”, de António Patrício, que tem estreia marcada para o dia 15 do próximo mês, no IPS. As actuações, como é habitual, têm entrada gratuita, mas mediante reserva, que podem ser feitas através do teatro.politecnico@ips.pt.

O grande obreiro José Gil teve a sua vida sempre ligada ao teatro, mas iniciada de forma curiosa. E tudo começou com tenra idade e no seio familiar. “Tinha nove irmãos e nos dias de aniversário tínhamos de fazer uma peça, uma brincadeira, para o aniversariante”, conta.

A partir daí continuou sempre ligado ao teatro, formou-se na Escola de Teatro e Cinema em Lisboa, e passou por grupos, companhias e pelas mãos de vários mestres, como Joaquim Benite e Mário Barradas.

“Vivi as dificuldades que todos os actores e actrizes de teatro vivem”, confessa José Gil, que foi depois obrigado a procurar alternativas. “Quando a minha filha nasceu, não tive alternativa, comecei a dar aulas”.

Iniciou assim a sua ligação à Educação. Como professor andou pelo País, passando por Coimbra, Penafiel, por exemplo, até chegar a Setúbal nos anos 80. E é no Instituto Politécnico de Setúbal que se mantém com o projecto que serve não só a comunidade académica como ainda a comunidade local.

Sonho “Gostava de ver um teatro físico no Campus”

thumbnail JoseGil2 e1637672515251 - A cultura que sai da comunidade académica e é servida à porta de lares e associaçõesJosé Gil não esconde que tem um sonho, em torno do grupo que lidera. Apesar do Teatro do Politécnico beneficiar de um grande apoio da instituição, o experiente professor espera que, até se reformar, o grupo possa vir a contar com um reforço no Campus.

“Gostava de ver um teatro físico no Campus. Já falei sobre isso e penso que o espaço que temos dava para o fazer. Mas reconheço que o politécnico não tenha as condições financeiras para tal”, revela José Gil.

“Nós hoje ensaiamos e fazemos as nossas coisas na Sala de Drama que, apesar de ter condições, não deixa de ser uma sala de aula”, diz o professor, que reforça a concluir: “Além de deixar o teatro nas pessoas, gostava de deixar uma obra física”.

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