23 Maio 2024, Quinta-feira

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Uma autonomia necessária

Uma autonomia necessária

Uma autonomia necessária

Neste primeiro artigo após as eleições legislativas de 2024, em que fui, novamente, eleita deputada, gostaria de começar por agradecer aos eleitores do distrito de Setúbal a confiança na Iniciativa Liberal, assim como ao jornal O Setubalense pela oportunidade de, em conjunto com os deputados eleitos dos vários partidos, aqui partilhar a minha opinião.

Sobre as eleições e muito sucintamente: o país queria mudar e mudou. O PS e a restante esquerda tiveram um mau resultado. À direita, registou-se um aumento da votação, que conduziu ao governo da AD, porém, minoritário, perante a soma das Esquerdas e do Chega. A solução que estava em cima da mesa no debate entre os líderes da Iniciativa Liberal e do PSD, não mereceu os votos necessários para formar uma maioria parlamentar. A Iniciativa Liberal cresceu, mas não o suficiente para aumentar o seu grupo parlamentar.

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Com base nestes resultados, a Iniciativa Liberal entendeu que não teria a força suficiente e necessária num governo PSD-CDS-IL para tornar Portugal Mais Liberal. A perda de autonomia política que a entrada no Governo custaria, nestas circunstâncias, não seria, assim, recompensada com uma diferença real na vida das pessoas. E a mais-valia desta autonomia política viu-se já no debate do Programa do Governo, com a Iniciativa Liberal a ser o único partido a alertar para a redução residual de impostos que o governo pretendia introduzir, face ao que já tinha sido implementado. Um alerta que não surgiu apenas durante o debate do Programa do Governo, mas que foi amplamente feito pela Iniciativa Liberal durante a campanha eleitoral e um dos motivos para a não participação no governo.

Há que dizer, no entanto, que a mais-valia da Iniciativa Liberal manter a sua autonomia política não se resume ao que aconteceu no debate do Programa de Governo. Face ao atual quadro parlamentar, esta autonomia política permitirá, já, submeter uma proposta de redução de IRS que realmente faz a diferença no bolso das pessoas, que depois canalizaram este dinheiro extra para a economia, em consumo ou em poupança. No governo, e nas circunstâncias atuais, tal proposta não seria de todo possível, pois o PSD não tem a mesma ambição. Será esta autonomia política que permitirá submeter uma nova proposta para a criação de um círculo de compensação, para que não tenhamos novamente mais de um milhão de votos desperdiçados, como nestas últimas eleições. Será esta autonomia política da Iniciativa Liberal que obrigará o PSD a revogar a grande maioria das propostas do pacote Mais Habitação e que, no imediato, conduziu a um aumento das rendas. E será esta autonomia política que permitirá que se vote o alargamento do cheque-creche, permitindo a liberdade de escolha das famílias, ao invés daquilo que o PSD pretende, que é apenas um pequeno alargamento da anterior medida do PS. Por outro lado, é certo que a força da Iniciativa Liberal poderá não ser suficiente para implementar o SUA Saúde – a reforma, já apresentada, para o modelo de saúde em Portugal -, mas permitirá aprovar medidas como o acesso a médico de família para todos, através da utilização da capacidade instalada nos setores privado e social, ou o regresso das PPP na saúde.

Termino dizendo que as ideias liberais estão a fazer o seu caminho em Portugal, mas que este caminho, neste momento, precisa de ser feito pelos seus próprios pés.

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