19 Maio 2024, Domingo

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Será a água potável um bem infinito ou não renovável?

Será a água potável um bem infinito ou não renovável?

Será a água potável um bem infinito ou não renovável?

Pouco ou nada se fala no plano político sobre a escassez de água em Portugal e no mundo em geral, assim como, da arquitetura de políticas que rapidamente alterem o curso deste fenómeno que veio para ficar. A água já é um dos recursos mais valiosos do mundo, e segundo a ONU, a sua escassez já tem um elevado impacto real, mais de 40% da população do planeta sofre com esta problemática. Ora, a maior parte da água que temos no nosso planeta não é potável ao contrário do que as pessoas pensam. 70% da água não é potável, e apenas 2,5% da água é doce e potável, um número bastante reduzido para alimentar a nossa agricultura, os animais dos quais nos alimentamos, bem como, do nosso consumo diário para inúmeras finalidades. Num mundo em que cada vez temos mais seres humanos, tendo a população mundial aumentado 75 milhões no ano de 2023, superando a barreira dos 8 mil milhões, sendo a tendência para continuar a aumentar, temos mesmo de olhar de forma diferente para este problema. Logo, devemos pensar em novas políticas que tenham em vista combater a escassez de água que enfrentamos e geri-la de forma parcimoniosa, por forma a conseguirmos promover um consumo de água sustentável, mitigando assim, o efeito das alterações climáticas, criando-se boas políticas de gestão dos nossos recursos hídricos.
A dessalinização é uma política do passado, do presente, mas também do futuro. Mas o que significa na prática? Esta política de combate à falta de água e à seca extrema que enfrentamos, consiste em transformar a água salgada proveniente do nosso mar em água potável, para uso humano ou agrícola. Todavia, a dessalinização não é algo novo, importa referir que durante séculos, esta técnica era utilizada pelas embarcações e submarinos, de modo a conseguirem fornecer água potável e doce aos tripulantes durante as suas longas viagens. À medida que diminuem as reservas de água doce no nosso planeta, é dorsal o investimento nestas técnicas, sendo certo que à luz de um estudo desenvolvido pela ONU na revista Science of Total Environment, consta que um uso responsável dos nossos recursos hídricos, acompanhado da aposta na dessalinização poderá ser a chave-mestra para a resolução da escassez de água no presente e no futuro das próximas gerações.
Destarte, segundo Vladimir Smakhtin, diretor do UNU-INWEH, “As tecnologias de dessalinização devem ser mais acessíveis para ser estendidas a países de média e baixa renda ao mesmo tempo que se abordam os seus efeitos adversos no meio ambiente ou na saúde humana”. Políticas como a dessalinização tem custos bastante elevados, daí a sua não implementação generalizada, por exemplo, a água que sofra este processo de dessalinização é quase 10 vezes mais cara do que a adquirida da forma dita “normal” face à quantidade de energia gasta durante todo o processo. Em Portugal, temos um exemplo de aposta nesta política de transformação de água, Porto Santo na Madeira, no entanto, cada metro cúbico de água tem um custo de 79 cêntimos, sendo 50 cêntimos pagos a título de energético. Porém, uma forma de reduzirmos este enorme custo energético, seria por via da aposta na utilização de energias renováveis em todo o processo de transformação da água dessalinizada. No entanto, só 1% de toda a água que é dessalinizada utiliza recursos renováveis, um valor muito baixo. Sabemos ainda que, caso continue a crescer a aposta neste tipo de políticas e se não estiverem associadas à energia renovável, poderá ter um elevado impacto nas emissões de carbono, 180% de incremento, à luz do mais recente relatório do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC). Nestes termos, aquando a implementação no terreno destas estações de dessalinização seria imprescindível assegurar que existirão centrais fotovoltaicas com uma capacidade suficiente para alimentar as necessidades energéticas associadas a este processo, baixando assim os seus custos, assim como, tornando-o mais verde e sustentável.
Num país como Portugal, com 900 km de costa, a dessalinização deve mais do que nunca, ser uma aposta imediata. Em Espanha, existem mais de 700 unidades que têm a missão de transformar água salgada em água potável para consumo humano ou agrícola. No médio oriente, mais de 40% da água consumida, advém de estações de dessalinização. O Algarve é um exemplo de região portuguesa mais afetada pelas alterações climática e pela seca extrema, sendo que, as estações de dessalinização devem ser aposta nas regiões do nosso país e do mundo mais afetadas pela escassez de água.
Em suma, os municípios podem igualmente ser protagonistas nesta mudança, criando pequenas estações de dessalinização solar, com recurso a energia solar térmica, locais e comunitárias, de pequena escala, de menor custo, suprindo assim, as necessidades existentes, como apontado por vários especialistas, uma vez que, tem ainda como vantagens a pouca energia que necessita para operar e as diminutas emissões.

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