19 Junho 2024, Quarta-feira

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Que mundo este!

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Que mundo este!

“O Princípio de Tudo – Uma nova história da humanidade” é um livro da autoria de David Graeber e David Wengrow, editado pela Bertrand, com que tenho andado entretida de há uns tempos para cá (é extenso…) e cuja leitura concluí esta semana. É um livro fascinante que nos traz uma perspetiva radicalmente diferente acerca da história da humanidade, questionando os nossos pressupostos fundamentais sobre evolução social, democracia e igualdade. Por coincidência, o término da minha leitura ocorreu ao mesmo tempo do (re)início do horror da guerra Israel-Hamas. Perante o sofrimento, assistimos com tristeza àquilo em que o mundo se torna.
Uma das ideias-chave que retirei desta leitura (e cito) foi a do apelo “a que se façam perguntas melhores”. No caso deste conflito, mais do que indagar as razões históricas do mesmo, recuando quase até ao Rei David, importa a melhor forma de apoiar as resoluções da ONU, no quadro do direito humanitário internacional e do multilateralismo.
Mas há mais e melhores perguntas que podemos e devemos fazer. Uma delas é a seguinte: que espaço e que moldes para a mensagem política, num mundo de radicalização da esfera mediática e em contexto de guerra? Uma coisa é certa: nada se fará sem a recusa da instrumentalização mediática da verdade.
Hoje, a televisão, a rádio e a imprensa já não são soberanas e dividem o seu lugar com as redes sociais, o post, o #hashtag, contribuindo para a partilha amplificada da opinião. Os media, na esfera pública, passaram de interface de informação a plateau de comentadores, especialistas e generalistas de coisa nenhuma, de jornalistas e até do cidadão comum. Tudo isto contribuiu para o surgimento de um novo fenómeno – a radicalização da ligação entre a política e a esfera mediática e são conhecidos os efeitos desta radicalização na sua expressão máxima.
Portugal, felizmente, não é palco de nenhum conflito armado. Mas não podemos pôr de parte uma reflexão sobre o modo como a esfera mediática é usada para fins de projeção política. Um exemplo recente é a discussão em torno do Orçamento do Estado 2024. Entregue na passada quarta-feira, eis que o PSD, claramente após uma análise detalhada, veio acusar o documento de ser “pipi, bem apresentadinho e muito betinho”. É verdade que o humor pode ser uma ótima estratégia em muitas matérias. Mas no que toca à vida dos portugueses, é seguramente melhor não brincarmos com coisas sérias.
O Orçamento do Estado para 2024 é um documento que elenca três prioridades fundamentais: valorizar os rendimentos, reforçar o investimento e proteger o futuro. Reforça o investimento de iniciativa pública, com dotações orçamentais reforçadas nas áreas da saúde, da habitação e da educação. É um Orçamento de futuro que não descura o olhar no presente. Procura sobretudo, fazendo as perguntas certas e um pouco na linha do livro de que falei, mais e continuamente melhores respostas, sempre num contexto de liberdade de escolhas.

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