19 Junho 2024, Quarta-feira

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PENSAR SETÚBAL: Os 50 anos do 25 de Abril de 1974 (Parte XII): Operação “Mar Verde”

PENSAR SETÚBAL: Os 50 anos do 25 de Abril de 1974 (Parte XII): Operação “Mar Verde”

PENSAR SETÚBAL: Os 50 anos do 25 de Abril de 1974 (Parte XII): Operação “Mar Verde”

Hoje vamos falar de uma operação militar denominada Operação “Mar Verde”.

A referida acção militar foi decidida pelo governo de Marcello Caetano, planeada pelas Forças Armadas Portuguesas e realizada em Novembro de 1970, no território da Guiné-Conakry, decorrente da Guerra Colonial na Guiné-Bissau.

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Foi concebida e executada pelo fuzileiro capitão-tenente Alpoim Galvão, responsável pelo Centro de Operações Especiais da Guiné-Bissau, com o apoio do brigadeiro António de Spínola que era o governador militar deste território.

Um grupo de soldados desembarcou furtivamente próximo da cidade de Conakry, sob a supervisão de oficiais portugueses. O objectivo era derrubar o governo de Sékou Touré, um dos principais aliados do PAIGC e raptar Amílcar Cabral.

A “Operação Mar Verde” decorreu num contexto mais amplo da guerra entre o regime colonial português e os movimentos de libertação africanos.

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Em 1970, o PAIGC controlava quase dois terços do território da Guiné, mas começava a ceder militarmente, uma vez que Portugal tinha intensificado a sua ofensiva.

Para além disso, o plano consistia também em destruir as lanchas rápidas fornecidas pela União Soviética ao PAIGC e libertar vinte e seis prisioneiros de guerra portugueses que tinham sido capturados e que se encontravam na Guiné-Conakry.

            E daí que, entre os dias 21 e 22 de Novembro, teve início a operação, com a infiltração via mar do contingente português, composto por cerca 400 fuzileiros que desembarcaram nos arredores de Conakry.

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Segundo Mário Salgado, enfermeiro do exército, a referida operação teve o apoio de um contingente militar que se deslocou por terra, passando por Piche, perto de Pirada, próximo da fronteira da Guiné-Conakry, tendo também regressado por aí. 

O primeiro alvo foi o quartel-general do PAIGC e as lanchas que foram logo destruídas. De seguida, foram atacados outros objectivos estratégicos tais como a central eléctrica e a prisão onde estavam os referidos prisioneiros portugueses.

A partir daqui, o grupo dividiu-se em dois; o primeiro grupo atacou e destruiu outras instalações do PAIGC e tentou raptar Amílcar Cabral que aí não se encontrava. Esse grupo retirou-se imediatamente via mar.

O segundo grupo, com cerca 200 militares, tentou promover a insurreição da população de Conakry contra o governo, convencidos que iria haver receptividade por parte da população local.

Tal não sucedeu, uma vez que os infiltrados não conseguiram transmitir as mensagens que pretendiam à população, a partir da estação de rádio que tinham, entretanto, ocupado, nem capturar oficiais importantes da defesa local.

Pelo contrário, foram rechaçados pelo exército Conakry e obrigados a retirar rapidamente, tendo sido capturados sessenta militares, entre os quais seis oficiais portugueses.

A Operação Mar Verde não conseguiu os seus objectivos.

Sekou Touré aproveitou de imediato para proceder a uma purga interna, com condenações à morte e assassínios que se estenderão até 1973, atingindo as mais importantes esferas do poder, nomeadamente membros do executivo.

 A comunidade internacional reagiu de imediato, acusando Portugal de ter invadido militarmente um estado soberano e violado o direito de autodeterminação da Guiné-Bissau. 

A condenação foi sancionada pela Resolução 290 do Conselho de Segurança da ONU, a 8 de Dezembro de 1970 e também por uma moção de rejeição por parte da Organização de Unidade Africana.

Por todo o lado ocorreram manifestações de apoio e solidariedade para com o PAIGC que se traduziu num reforço do armamento, para procurar reequilibrar as suas forças e também para desincentivar ulteriores tentativas de invasão.  

A Guerra Colonial foi perdendo progressivamente a aceitação tácita por parte da população que a tinha sempre encarado de uma forma resignada e, sobretudo, dos militares.

Principalmente a partir dos anos 70, o peso da guerra na sociedade portuguesa, tornou-se impossível de manter e continuar.

Quanto à Operação “Mar Verde” foi mais uma peça do puzzle que faltava encaixar na nossa História recente.

Analisando à distância e olhando retrospectivamente, o 25 de Abril assume uma importância e, sobretudo, uma lógica que determinou o seu surgimento, tanto necessário, quanto inevitável.

Fica aqui uma história importante e eventualmente desconhecida do grande público.

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