13 Maio 2024, Segunda-feira

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Obras por acabar não servem ninguém

Obras por acabar não servem ninguém

Obras por acabar não servem ninguém

Manuel Henrique Figueira – Munícipe de Palmela

 

Em dezoito de Junho passado, no «Reparo do dia» deste jornal, referi uma pequena obra muito urgente a fazer, perto da Estação Ferroviária de Palmela, composta por duas partes.

Era muito urgente porque há muito tempo que uma pessoa em cadeira de rodas circulava pela faixa de rodagem, pois não podia atravessar as passadeiras de peões, subir e descer o passeio.

Uma parte da obra era junto à rotunda norte, em duas vias que nela confluem. Faltava rebaixar dois separadores triangulares no eixo das vias (chamados «ilhas», construídos com lancis com rampa íngreme em volta e com o pavimento superior muito alto em relação ao pavimento das vias, impedindo o seu atravessamento por pessoas em cadeira de rodas, por carrinhos de bebé e por malas de viagem com rodas). Estranhamente, as duas passadeiras de peões foram pintadas nas faixas de rodagem, precisamente, no centro desses dois separadores, o que obrigava os peões a passar por cima deles.

Outra parte é junto ao Colégio Aires Real, a cerca de trezentos metros da rotunda norte (indo pela estrada desde a Estação à localidade de Aires), onde ainda falta fazer isto: reparar os mosaicos do pavimento do passeio em frente ao colégio (partidos e afundados, há anos, por um camião que circulou no passeio ao longo do lancil, numa extensão de quinze metros. Ao chover forma-se uma extensa e funda poça de água e, no dia-a-dia, as cadeiras de rodas também não podem circular, pelo risco de tombarem); e falta, também, rebaixar os dois passeios (do lado do colégio e em frente deste); e falta, ainda, pintar uma passadeira de peões na estrada, a unir os dois passeios rebaixados.

O Executivo da Câmara decidiu fazer a obra (que custou dez mil e novecentos euros), iniciada em Novembro e acabada em treze de Dezembro, pelo que o estaleiro de máquinas e de materiais foi levantado há um mês.

Mas a totalidade da obra não foi concluída, foi a parte junto à rotunda, mas falta a parte junto ao colégio. E a pessoa em cadeira de rodas continua a circular pela faixa de rodagem, pois se agora já consegue atravessar a estrada, junto à rotunda, e subir para o passeio, no final do percurso, junto ao colégio, não consegue descê-lo, atravessar a estrada, subir o passeio em frente e continuar pela Av. Cidade da Praia.

A decisão de fazer as obras é do Executivo da Câmara, mas não é o Vereador do pelouro nem o Presidente que tratam do processo a seguir: é um chefe de serviços ou um técnico superior (se a obra é feita com os recursos internos ou por uma empresa externa) e a Divisão de Fiscalização. Neste caso, ou o caderno de encargos não tinha toda a obra a fazer, ou não foi fiscalizada.

Quando eu critico a Câmara por não prover as necessidades básicas dos munícipes, não tenho intenções obscuras: os exemplos que dou são bem claros. Nem tenho prazer nisso, gostava mais de não ter motivos para o fazer: isto cansa e eu gostava de poder descansar.

Esta estrada, de setecentos metros, entre a nova Estação (inaugurada em 2004) e a localidade de Aires (não sei se foi construída pela REFER, no âmbito da obra da Estação, se foi pela Câmara), é um calvário para milhares de munícipes há quinze anos. Betuminaram a velha estrada de terra batida, mas ficou quase toda sem passeios entre a EB1/JI e a Estação: só num pequeno troço se circula em segurança (o referido nesta obra). No resto, ou não há passeio, ou tem uma largura de quarenta a sessenta centímetros, ou não tem pavimento nem largura que permitam circular. Só visto, contado parece pura invenção minha. Palmela já não tem a mobilidade como lema? E a ciclovia de Aires irá chegar à Estação pelo ar? Não há normas legais a seguir na construção dos passeios? Ou é só para estarem no papel e ninguém as cumprir?

Se foi a REFER que construiu a estrada, há muito que a tutela é da Câmara, pois está numa zona urbanizada, não é estrada nacional e continuou o nome da rua a que dá continuidade: rua Fundadores do Airense.

Se uma Câmara não satisfaz a tempo e com competência problemas tão simples como este, mas que tornam a vida dos munícipes infernal, para que serve? E há tantos problemas semelhantes no concelho.

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