23 Maio 2024, Quinta-feira

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Juntos somos mais fortes?

Juntos somos mais fortes?

Juntos somos mais fortes?

No passado dia 25, jogou-se o derby do Barreiro, entre o Fabril e o Barreirense. Com transmissão televisiva, a partida fez renascer conversas antigas.

A nudez das bancadas trouxe à memória enchentes de outrora, dias de glória em que os dois emblemas habitavam na primeira divisão nacional, chegando a alcançar provas europeias.

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Neste ano, cumprem-se cinquenta anos sobre o último jogo que as duas equipas disputaram entre si, no principal escalão do futebol português.

Hoje, relegados para uma espécie de quarta divisão, os dois clubes vivem com sérias limitações financeiras e não conseguem mobilizar a população como em tempos passados.

Houve quem reparasse no patrocínio comum que as camisolas ostentavam, e visse nisso um reflexo da condição económica da própria cidade. E novamente se fizeram ouvir os apelos à união dos dois clubes, numa só agremiação que pudesse projectar o Barreiro para outra dimensão no mundo do futebol, e com um parque desportivo que, devidamente requalificado, seria um dos melhores a nível nacional…

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Para os apóstolos da união, já seria tempo de ponderar o assunto. Afinal, quantas vezes ouvimos dizer a dirigentes políticos, desportivos, ou de outras actividades, que juntos somos mais fortes?

Mas seremos mais fortes juntos em quê, como, onde?

Seremos mais fortes com regimes de partido único, de má memória, ou na pluralidade partidária em que vivemos? Seremos mais fortes em economias de monopólio estatal ou em mercado aberto? E como seremos mais felizes?

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Muitas são as cidades por esse mundo fora, em que os habitantes se dividem no apoio a vários clubes da mesma urbe. A divisão está ligada à génese dos clubes – por bairros, actividades económicas, classes sociais, etnias e até religiões. E é assim com todas as manifestações humanas, seja no plano desportivo seja, por exemplo, no plano cultural. No fundo, a diversidade faz parte da natureza humana…

É verdade que, nos primeiros tempos do futebol, muitos clubes acabaram por resultar da fusão de diversas agremiações. Mas isso teve mais que ver com a garantia de um espaço para a prática do jogo. Daí resultou que perdurassem os clubes que conseguiram um campo para jogar regularmente.

É conhecida a história do Futebol Clube Barreirense, da sua génese no centro da, então, vila do Barreiro – clube construído pelos sócios, de que é exemplo maior o seu ginásio-sede. E é conhecida a história do então Grupo Desportivo da CUF, clube nascido no seio de uma empresa, que veio a ser a maior empregadora da cidade e símbolo nacional da indústria química.

O Barreirense e o Fabril nasceram de origens diferentes, com genes diferentes e em espaços diferentes. Com a sua identidade, enriquecem e valorizam o Barreiro, cada um com a sua história e o seu contributo para a prática desportiva – em muitas modalidades, em muitos escalões etários.

Será apenas o facto de nunca se terem unificado num só clube representativo da cidade que explica o lugar em que hoje se encontram no futebol sénior?

Será o poder económico de uma região ou a posse de estádio próprio que são decisivos para o lugar que os clubes ocupam no futebol nacional? O que se passou, por exemplo, com o Beira-Mar? Ou o União de Leiria? Ou o Belenenses? – e muitos mais.

Podemos juntar à reflexão o facto de equipas que são emblemas únicos de uma cidade, e com historial ainda maior, militarem hoje também na quarta divisão, como o grande Vitória de Setúbal?

Deixo-vos com esta conversa sem fim…

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