29 Junho 2024, Sábado

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Efeitos colaterais da pandemia

Efeitos colaterais da pandemia

Efeitos colaterais da pandemia

, Ex-bancário, Corroios
23 Março 2021, Terça-feira
Francisco Ramalho

Faz hoje oito dias, o companheiro de escritas e também colaborador do Setubalense, Juvenal Danado, no seu artigo de opinião “Uma Praga de Máscaras”, queixava-se que “em Setúbal, encontramo-las por todo o lado. Vejo-as às dúzias nas minhas caminhadas”. E acrescentava que na praia da Saúde apanhou “duas sacadas de plástico e onze máscaras”.

Pois é amigo Juvenal e caros leitores, a falta de civismo, de respeito pelo meio ambiente e pelos outros, quem nos dera que fosse exclusiva desses nada exemplares cidadãos setubalenses. Infelizmente é geral. Na minha zona, com certeza um pouco por todo o país, é igual. Por exemplo, também já apanhei sacadas de plástico e dezenas de máscaras nas praias da Costa da Caparica e também dei conta disso aqui neste utilíssimo jornal. É importante que se faça. E decidi, tal como o companheiro Juvenal com indignação e tristeza, voltar a fazê-lo em relação a mais uma praga, a mais um “efeito colateral” da pandemia, talvez ainda mais grave: o aumento de plásticos atirados ao deus dará.

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Restaurantes, cafés, bares, etc., passaram a servir cafés ao balcão ou ao postigo e o cliente vai tomar a agradável bebida fora. E uma grande percentagem dos copos e colheres de plástico, não vai para os recipientes públicos próprios, mas para onde calha. E aí temos mais uma praga a conspurcar a via pública. Muita dela, vai parar a valas, ribeiros e outros cursos de água, e daí, ao mar, onde já se encontram milhões de toneladas de plástico. Um perigo para vida marinha e, direta ou indiretamente para nós, humanos.  Mas além dos copos para o café, os restaurantes acondicionam as refeições que vendem para fora também em recipientes de plástico assim como os respetivos talheres.

Se este comportamento irresponsável, para não lhe chamar criminoso, não for travado, é acelerar a marcha para o abismo.

Fruto da poluição, não vemos as terríveis consequências das alterações climáticas? Portanto, senhores governantes, que é preciso mais, para sensibilizar esta gente? Que tal reduzirem, pelo menos na televisão e rádio públicas, um pouco os intermináveis e tão frequentes debates sobre futebol, concursos simplórios e telenovelas, e explicarem a estas pessoas a gravidade dos seus lamentáveis comportamentos? E depois, para os mais recalcitrantes, mão pesada! Multas a valer! Dizer ainda que além disso, existem alternativas! Aliás, já uma percentagem desses utensílios, é feita de materiais biodegradáveis.

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Evidentemente, há agressões ainda maiores à Natureza, como a destruição de florestas, ou explorações agrícolas intensivas e superintensivas com recurso a doses industriais de fertilizantes e pesticidas, como os olivais e amendoais no Alentejo. Umas e outras, visam apenas o lucro. As primeiras, devem acabar. As outras, substituídas pelos métodos tradicionais. Tudo isso e muito mais, deve ser corrigido. Mas também os comportamentos individuais que referimos.

É urgente que se faça. O planeta, a nossa casa comum, está a atingir os limites e não temos outra.

 

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