16 Abril 2024, Terça-feira
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A cereja no topo da desgraça

50 anos depois de Abril, e um partido de extrema-direita, praticamente unipessoal, elege 50 deputados. Os últimos dois, num total de quatro, provenientes da emigração. Foi a cereja no topo da desgraça.

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É conhecida a aversão destes partidos xenófobos, aos emigrantes. Aliás, um excelente exemplo, é o deputado que foi eleito por este partido pelo círculo da Europa. Emigrante em França há muitos anos, tendo sido expulso por ilegalidade, mas voltou até que regularizou essa situação. Se a lei naquele país fosse igual ao que o partido em foi eleito propõe, só lá poderia regressar passados cinco anos.

Portanto, mais esta contradição, esta ignorância, este analfabetismo político. Um País de onde partiram (e partem) milhões de filhos seus na demanda de melhores condições de vida ou até fugindo à opressão da ditadura. Agora repudiam os que pelas mesmas razões nos seus países, procuram o nosso à busca do seu pão e que para além contribuírem para a nossa economia, contribuem também para o sistema da Segurança Social.

A grande maioria dos emigrantes que demandam o nosso país e muitos outros da Europa, vêm de outros que a mesma Europa e a América, exploram. Extraindo combustíveis, minérios, madeiras e diversos produtos agrícolas, a preços que eles próprios estabelecem, estando-se nas tintas para os desenvolverem em benefício dos seus habitantes.

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E se não for assim, pela força das armas colocam ou tentam colocar lá governos que sirvam os seus interesses. Daí as guerras que proliferam principalmente em África e na Ásia, provocando a fome e milhões de refugiados. Tantos deles, como sabemos, encontrando a morte no Mediterrâneo, nas costas de África ou nos desertos.

Portanto, é uma tristeza vermos os nossos emigrantes votarem maciçamente num partido que tanto hostiliza quem procura pão e paz e que contribui para o nosso desenvolvimento e da restante Europa.

Guerra Junqueiro definia-nos como “um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio”. Mas também dizia, na sua obra “Pátria” de 1896 (1ª edição), “um povo enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional, – reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta”.

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Tantos de nós, mudámos alguma coisa? Emigrantes e não só.

50 anos depois do 25 de Abril de 1974, estamos a retroceder. Estamos a fazer coisas que, ao contrário de outras que fizemos, nada nos engrandecem, nem contribuem para termos um País mais justo de que nos orgulhemos e que seja um exemplo para o mundo. Mas nós somos assim. Capazes do pior e do melhor.

Já nos fizemos ao mar em “cascas de nozes” e demos novos mundo ao mundo, corremos com quem ocupou a nossa Pátria, os castelhanos, levantámo-nos por outro povo, o de Timor, fizemos o 25 de Abril, e havemos de fazer outras coisas nobres. Distribuir melhor o que podemos produzir, evitando assim que continuemos a ser um País de emigrantes e contribuirmos para a paz no mundo, como prevê a nossa Constituição.

Francisco Ramalho
Professor, Corroios
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