15 Abril 2024, Segunda-feira
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O essencial

Claro que é muito importante que se esclareça ao máximo tudo o que consta do que ficou conhecido como o processo Influencer que levou à demissão de António Costa e à queda do Governo, e que a justiça absolva ou condene quem tiver de o fazer. Mas isso não é o essencial.
O essencial, é que se acabe com as imorais assimetrias, entre a minoria que enriquece com lucros fabulosos dos grupos económicos donos das principais empresas, das seguradoras e da banca, e os quase 3 milhões de pobres, muitos deles, sobrevivendo da caridade pública direta, ou indireta, através de instituições de solidariedade social, como o Banco Alimentar contra Fome, e os mais pobres de todos, os sem abrigo, cujo número tem aumentado exponencialmente. Isso é que é o essencial! E possível de alcançar.
Sabemos a desilusão do povo com tanta promessa não cumprida, mas sabemos também o quão essencial é lembrar quem são os principais culpados do estado a que chegou a Saúde, o Ensino, a habitação, o emprego, a Segurança Social.
Muitos milhares sem médico de família, à espera de uma cirurgia inadiável, a irem de madrugada para a porta dos centros de saúde por uma consulta, inúmeros serviços encerrados, e a hemorragia de médicos e enfermeiros por falta de condições de trabalho e salários mais justos, do Serviço Nacional de Saúde para o privado que continua a engordar, ou para o estrangeiro. São professores e auxiliares há anos a reclamar por melhores condições de trabalho e de ordenado. São os jovens a ficarem cada vez até mais tarde na cada dos pais porque não conseguem alugar ou comprar uma para si. São ainda os jovens e não só, com empregos precários e mal pagos. São os reformados e pensionistas a deitar contas à vida a ver se comem ou tomam os medicamentos porque o dinheiro não chega para as duas coisas.
É preciso lembrar no próximo dia 10 de março quais são os dois partidos, à vez ou acompanhados com ou sem o CDS, responsáveis por este lamentável estado de coisas?
É preciso lembrar e demonstrar que as novas versões da direita e da extrema-direita, respetivamente a Iniciativa Liberal e o partido do senhor Ventura, são ainda piores? Dizem que são pela liberdade, enchem a boca com ela, que abominam o Estado mas, para eles, só seria necessário para termos polícia e forças armadas, mas os contribuintes continuariam a pagar impostos. A Saúde e a Segurança Social seriam privadas. Quem não pudesse pagar seguros, não era tratado e teria de ir estender a mão à caridade. Mas os grandes acionistas dos grupos económicos manteriam, quiçá ainda mais reforçados, os seus lucros e privilégios.
Sabemos a grande influência da comunicação social dominante no condicionamento e manipulação das pessoas. Mas, essencial, é que a direita (PSD, CDS, IL e Chega) seja contida, tenha o resultado que merece, e para defesa do SNS, do direito à habitação, do controlo público das empresas estratégicas, da promoção da cultura e dos direitos dos trabalhadores e reformados, sobretudo a CDU, tenha um grande reforço.

Francisco Ramalho
Professor, Corroios
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