1 Fevereiro 2023, Quarta-feira
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Casas abertas para a cultura

A Sociedade 1º de Janeiro Torranense completou este mês cem anos de existência. No nosso distrito, existem, felizmente, diversas coletividades ainda mais antigas, que continuam a fazer um trabalho meritório e de extrema relevância para as comunidades em que se integram. Parece-me, no entanto, cada vez mais raro, numa época marcada pelo individualismo, como aquela na qual vivemos, que instituições coletivas sem fins lucrativos, como estas, se prolonguem no tempo, indiferentes a modas, resistentes e fiéis depositárias de tantas memórias coletivas.

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Hoje, temos um tal mundo de solicitações, distrações e divertimentos à distância de um clique ou ao virar da esquina, que, por vezes, nos esquecemos de construir coisas em conjunto.

As coletividades de recreio contrariam essa tendência. São entidades que nascem e persistem da vontade de um grupo de cidadãos, mas que podem ser determinantes para toda uma população.

Tomemos o exemplo da 1º de Janeiro Torranense, mas poderia ser qualquer outra, por esse país fora, longe das grandes cidades onde tudo acontece. Para as populações do interior, estas associações são, muitas vezes, uma das poucas janelas para o exterior, para além daquela que é proporcionada pela Internet, mas que não permite uma interação efetiva, entre pessoas.

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É na coletividade que se tem o primeiro contacto com o teatro, com o cinema e com a música. As bandas filarmónicas são a mais democrática e frequentada escola de música do país, onde já se descobriram artistas de valor, que depois singram nessa arte. São a alma de qualquer festa popular, espalhando alegria e orgulho, dando a conhecer autores nacionais e estrangeiros.

Nas sedes destas associações há espaço para a dança, nos grupos de sevilhanas, folclore ou danças de salão, por exemplo, mas também nos bailes, ponto de encontro de todas as idades, onde já se firmaram muitos namoros, que resultaram em vidas em comum.

Algumas coletividades possuem bibliotecas, ou acolhem polos das municipais, facilitando o acesso aos livros, algo tão importante na formação de novos leitores. E têm grupos corais, aulas de ballet, jogos de mesa e jogos populares, pintura, fotografia…um sem fim de atividades que partem do gosto de quem as frequenta.

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Para muitos, são o local onde podem praticar desporto de forma organizada, fazendo parte das equipas, participando em torneios ou simplesmente usufruindo deste hábito saudável.

São, para estas populações, o ponto de todos os encontros. A casa de portas abertas onde podem aceder a diversificadas formas de cultura a que não se limitam a assistir, mas nas quais podem efetivamente participar, integrar, produzir, em conjunto, deixando essas memórias e esse trabalho, para as gerações vindouras.

É necessário que este património seja preservado, se multiplique, se atualize e consiga manter o interesse das camadas mais jovens.

O Orçamento de Estado para a Cultura e o PRR (que na área da cultura dispõe de um montante global de 243 milhões de euros), têm precisamente um conjunto de ações que espelham esta preocupação: levar a cultura a um número cada vez mais alargado de portugueses.

As bandas de música, filarmónicas, escolas de música e ranchos folclóricos com sede no Alentejo, por exemplo, têm apoios para a sua atividade e, nesse mesmo âmbito, o Ministério, através do Plano de Recuperação e resiliência vai financiar a modernização de 155 teatros e cineteatros, com a aquisição de equipamentos de projeção digital de cinema e de vídeo.

Em paralelo, salas de Norte a Sul irão acolher espetáculos de qualidade, com base no programa de itinerâncias do Teatro Nacional D. Maria II.

O próprio ministro da Cultura, Pedro Adão e Silva, iniciou já um conjunto de roteiros dedicados à «Cultura que somos», com o objetivo de conhecer e dar voz às ações, aspirações e dinâmicas que constituem a realidade cultural portuguesa, nas suas mais variadas expressões e onde quer que estas se revelem.

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