11 Agosto 2022, Quinta-feira
- PUB -
InícioOpiniãoO exemplo do Papa

O exemplo do Papa

Segundo o relatório “A Desigualdade Mata”, da organização internacional Oxfam, publicado a 1.1.22, os dez mais ricos do mundo, durante os dois primeiros anos da pandemia, duplicaram as suas fortunas. Passando de 700 mil milhões de dólares para 1,5 biliões. À razão de 1,3 mil milhões por dia. Enquanto isso, o rendimento de 99% da humanidade caía, e mais 160 milhões de pessoas eram empurradas para a situação de pobreza.

- PUB -

A fortuna destes dez bilionários, é seis vezes superior à de 3,1 mil milhões. As pessoas mais pobres do mundo.

Ainda segundo o mesmo relatório, os fatores que mais pesam na causa de morte de 21 mil pessoas por dia, estão a falta de acesso a cuidados de saúde e a fome.

Também em Portugal as grandes fortunas tiveram neste período grandes aumentos. Em 2020, os grupos económicos distribuíram mais de 7 mil milhões de euros em dividendos aos seus acionistas e, em 2021, o património das famílias mais ricas cresceu 3,5 mil milhões de euros, só em ganhos bolsistas.

- PUB -

É esta economia que o Papa Francisco classifica como “a economia que mata”. Ele tem surpreendido muita gente e desagradado aos que beneficiam dessa economia e também da guerra. Um verdadeiro cristão que, com outras honrosas exceções, destoa do tradicional posicionamento da Igreja desde a conversão do imperador Teodósio I, que passou a designar-se Igreja Católica Apostólica e Romana, colocando-se ao lado dos poderosos.

Esse desagrado voltou a verificar-se com afirmações que fez à revista jesuíta italiana “a Civiltà Cattolica”, sobre a guerra da Ucrânia.

Diz Francisco: “temos de nos afastar do padrão de histórias como a do Capuchinho Vermelho, onde o Capuchinho Vermelho era bom e o lobo era mau”.

- PUB -

Lembrando outras guerras esquecidas, fala na “NATO a latir às portas da Rússia”, e que “a guerra Rússia-Ucrânia talvez tenha sido provocada ou não impedida por interesses de terceiros”.

Compreende-se “talvez”, a contenção, de um homem com as suas responsabilidades. Mas, acrescenta: “na Ucrânia, estamos numa situação de guerra mundial com interesses globais, venda de armas e apropriação geopolítica pelo meio.”

Como já nos habituou, diz aquilo que os políticos social-democratas com responsabilidades, deviam dizer. Mas não dizem. E esse, é um dos grandes males do nosso tempo. A sua subordinação ao capitalismo e, neste caso, também ao imperialismo norte-americano.

Dizer ainda que o avanço da NATO, o não cumprimento dos acordos de Minsk, o assumido objetivo de desgaste máximo da Rússia, portanto, o prosseguimento da guerra com o boicote à importação de cereais e fertilizantes da Rússia e da Bielorrússia e, sobretudo, de gás e petróleo, além de graves problemas para a Europa e não só, com o recurso já anunciado por alguns países, como a Alemanha, França e Holanda, ao carvão e ao nuclear, agrava-se o já de si gravíssimo problema ambiental.

Para contrariar o desejo de hegemonia global dos EUA, vozes como a do papa são importantes para se alcançar o que é imperioso: a Paz.

Comentários

Francisco Ramalho
Professor, Corroios
- PUB -

Mais populares

PSP de Setúbal sem meios para se deslocar a atropelamento em frente à esquadra

Acidente na Avenida Luísa Tody fez uma vítima de 88 anos

Hospital da Luz Setúbal confirma nova clínica no centro da cidade

Dr. José Ferreira Santos, director clínico do estabelecimento, confirma pólo adicional para aproximar clientes do centro hospitalar

Histórica estação rodoviária na 5 de Outubro vai dar lugar a supermercado Continente

Edifício está a ser alvo de estudos há cerca de uma semana, com o objectivo de abrir espaço do grupo Sonae
- PUB -