5 Julho 2022, Terça-feira
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Parabéns, que já são 100 anos

Foi no Pavilhão Central da Festa do Avante! que o PCP deu início a um conjunto de iniciativas “Parabéns Saramago”, assinalando os dez anos da atribuição do Prémio Nobel da Literatura ao escritor comunista português. Um filme retrospectivo foi o suporte da sua saudação aos construtores da Festa, ele que assim se assumiu igualmente entre 1976 e 1979.

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Ora nem mais nem menos à hora do almoço-convívio de uma das jornadas de trabalho de fim-de-semana da Festa, em 2004, um dos voluntários relatou – o que retomamos – “a história das operárias de uma pequena empresa da nossa região cujo patrão se notabilizou, antes do 25 de Abril (como depois, enquanto pôde), por uma brutal repressão.

Dado que o homem caminhava apoiado sobre muletas, o que implicava fazer num tempo mais dilatado o percurso desde a entrada de estreitos portões sobre a estrada até à porta do edifício propriamente dito, de rés-do-chão, congeminou a solução para poder apanhar de surpresa as operárias, no pressuposto, o seu, de que na sua ausência estas, falando de mais e trabalhando de menos, não justificavam o salário que recebiam.

E assim mandou pintar todos os vidros das janelas de branco, o que permitia que no interior houvesse luz minimamente indispensável para que as mulheres laborassem, mas não a transparência que lhes facultasse o controlo da chegada e aproximação do capitalista e, consequentemente, o precipitado fingimento da sua aplicada e ininterrupta dedicação à produção da qual, em abono da verdade, se (lhes) extorquia a mais-valia”.

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O que valeu o rememorar da abertura do “Ensaio sobre a Cegueira”, onde a primeira vítima do “surto epidémico” se sentiu abruptamente “como se tivesse caído num mar de leite” – “mal branco” na linguagem do governo que, “consciente das suas responsabilidades” e “acima de quaisquer outras considerações”, encarcerou as “pessoas afectadas” e “as que com elas tiveram algum tipo de contacto”, num “acto de solidariedade para com o resto da comunidade nacional” (páginas 10 e 158 da edição de 2003 da Editorial Caminho).

Mas a páginas finais cada cego que recupera a visão “vê mesmo bem, como via antes, não há vestígio de branco”, afinal autêntico protagonista da fabriqueta das janelas brancas onde por cada passo suspenso do patrão (a sussurrar ao guarda-costas, caso o tivesse: “chiu!”) um traço fino com ferramenta adequada ia sulcando em zig-zag a tinta pincelada.

No imenso colectivo dos que lutam, era, a tempo, o instrumento que serra as grossas grades das masmorras a visar o inimigo de classe.

Comentários

Valdemar Santos
Militante do PCP
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