16 Maio 2022, Segunda-feira
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Falsas alternativas e voto útil

Numa coisa Rui Rio tem razão: António Costa e o seu Governo, são os principais responsáveis pela crise. Efetivamente, ao recusarem as propostas dos partidos à sua esquerda, nomeadamente as do PCP, o Orçamento do Estado, seria chumbado. Portanto, se Rui Rio tem razão ao apontar o dedo ao primeiro-ministro ainda em funções, pela crise, perde-a de imediato, porque também ele não as aceitava, e o seu partido partilha as responsabilidades pelo crítico estado do país. PS e PSD alternam-se no poder há mais de 40 anos.

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A falta de hospitais, centros de saúde, médicos, enfermeiros e pessoal auxiliar, o definhamento do Serviço Nacional de Saúde em benefício dos privados, é obra dos dois partidos. Tanto na execução política como na legislação que tal tem permitido. Corresponsáveis, são também na precariedade laboral, nos baixos salários e pensões de reforma, na desertificação do interior, na existência de 2 milhões de pobres. Portanto, não são alternativos, mas sim alternantes.

No debate com João Oliveira, o líder do PSD, teve também razão ao afirmar que as propostas do PCP para o OE, poderiam perfeitamente serem aceites por António Costa. Mas já não a teve, ao afirmar; “o PCP quer nacionalizar tudo”. Aliás, este, é um dos mitos que a direita, e até o PS, criaram há muito sobre o PCP.  Sabem que o seu programa prevê que a economia nacional assente em três grandes pilares:  público, privado e cooperativo. Ao contrário deles, que privilegiam quase só o privado. Os outros dois, sob a batuta de ambos, numa perspetiva eminentemente capitalista, quase foram eliminados.

Como se constata, os dois partidos do famigerado centrão, não são alternativa entre si. Como não o é, ao contrário do que propala o homem do partido unipessoal, que se passou de armas e bagagens, do PSD para a extrema-direita. Seria muito pior a ementa que o soneto. Fala muito em corrupção e delinquência, mas nada faria contra o que o origina; as injustiças e as graves assimetrias sociais. O que faria, seria aumentar a repressão e a discriminação contra imigrantes que com o seu trabalho contribuem para a economia nacional e contra outras minorias.  Nos interesses dos poderosos, não lhe tocava.

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Em relação ao debate entre os dois, discriminando-se os outros candidatos, para além das promessas habituais, não se falou de uma coisa fundamental para as conseguir: o incremento da produção nacional e, muito menos, na redução das brutais assimetrias sociais, nos 2 milhões de pobres, nas alterações climáticas e de como as minimizar, etc. E para além dos 75 minutos do debate nas 3 televisões generalistas e na rádio pública, foi mais meia hora de conferência de imprensa e comentários até depois das 23 horas.

Agora vão intensificar-se os apelos ao voto útil. Este, será o que forçará o PS a praticar uma política que vá ao encontro dos interesses dos trabalhadores, do povo e do país. O que melhor o garante, será um substancial reforço da força mais consequente da esquerda: a CDU.

 

Comentários

Francisco Ramalho
Professor, Corroios
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